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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Ferramenta mensura risco do impacto de asteroide na Terra

Com informações da ESA



Programa mensura risco de impacto de asteroides
Representação de um impacto de risco genérico e hipotético, expresso pelo programa na forma de um "corredor de risco", com base nos dados sobre a órbita do objeto.[Imagem: Clemens Rumpf]
Corredor de risco
O pesquisador Clemens Rumpf ainda nem terminou seu doutoramento, mas seu trabalho já chamou a atenção das principais entidades do mundo envolvidas com a avaliação do risco de um impacto de um asteroide sobre a Terra.
Clemens está desenvolvendo um programa de computador que produz uma visualização rápida e precisa sobre os potenciais locais de impacto de asteroides recém-descobertos e as consequências do eventual impacto para a humanidade.
O programa, chamado ARMOR (Asteroid Risk Mitigation and Optimization Research tool, ou Ferramenta de Mitigação de Risco de Asteroides e Otimização de Pesquisa), produz imagens como a acima, na qual a linha vermelha espessa que serpenteia através da superfície da Terra representa um "corredor de risco" para um eventual impacto de um asteroide, baseado na sua trajetória observada através do espaço.
Conforme os dados sobre o asteroide vão sendo refinados, o corredor vai ficando cada vez mais fino e mais curto, até chegar a um único ponto - o ponto de impacto.
"Tenho trabalhado no ARMOR como parte do meu doutoramento na Universidade de Southampton," explica Clemens. "A avaliação de risco de asteroides conta atualmente com as escalas de Torino e Palermo, mas estes são números abstratos que não transmitem as consequências práticas de um impacto.
Aspectos reais de um impacto real
"O programa ARMOR tenta expressar os resultados de um impacto de um asteroide de uma forma que é diretamente comparável a outros desastres naturais, usando a mesma metodologia que os governos já empregam. No caso de enchentes, por exemplo, uma vez passado um certo nível de risco limite, a decisão é tomada para implementar equipes de resposta e construir muros de contenção.
"No caso de asteroides, uma resposta apropriada poderá ser usar tempo extra de telescópios para diminuir nossa incerteza quanto à órbita do asteroide, ou enviar uma sonda espacial para observação local e descartar qualquer ameaça, ou, em último recurso, planejar uma operação de deflexão do gênero da proposta Missão Impacto de Asteroide, da qual ESA irá participar," resumiu o pesquisador.
Clemens fez uma apresentação do seu trabalho na semana passado a pedido do escritório de Conceitos Avançados da Agência Espacial Europeia (ESA), um grupo de especialistas que está trabalhando, entre outros temas, com a pesquisa de deflexão de asteroides, ou seja, como desviar um asteroide caso ele cisme de mirar diretamente no nosso planeta. O ARMOR também foi apresentado recentemente ao Grupo de Planejamento e Assessoria de Missões Espaciais das Nações Unidas, que estuda respostas internacionais à ameaça de impactos por asteroides
  • Como evitar a colisão fatal de um asteroide com a Terra
Programa mensura risco de impacto de asteroides
Esta simulação mostra 69 corredores de risco, para mostrar a natureza internacional do problema. [Imagem: Clemens Rumpf]
Equação do risco de um impacto profundo
A equação fundamental de risco levada em conta pelo programa considera a "probabilidade" (qual a probabilidade de o evento acontecer?) multiplicada pela "exposição" (que porção de área povoada seria exposta ao evento?) e pela "vulnerabilidade" (quão violento seria o evento?).
A partir de dados disponíveis para os "Objetos Próximos à Terra" (Near-Earth Objects - NEOs), o programa gera resultados para esta equação - expressos em termos de fatalidades esperadas - para potenciais impactos até um século no futuro.
As variáveis-chave para cada possível incidente incluem a velocidade de entrada do corpo - asteroides provenientes de mais longe no Sistema Solar possuem velocidades relativas mais altas - assim como a sua massa e densidade, e ponto de impacto: terreno rochoso ou sedimentar, ou então o oceano. Tsunamis geradas pelo impacto ameaçam ser especialmente devastadoras.
A Universidade Purdue, nos EUA, possui um Simulador do Juízo Final, que permite produzir diversos cenários de impacto e a consequente geração de tsunamis.
Sempre alerta
Embora a sensibilidade coletiva e a vulnerabilidade da sociedade ao impacto de um asteroide na Terra possam ser muito elevadas, a probabilidade de impacto é geralmente muito baixa, como se pode depreender da baixa frequência de grandes impactos de asteroides ao longo da história.
"Mas é claro que a Terra é atingida muitas vezes por asteroides de pequena escala - só é necessário olharmos para o céu à noite para ver as estrelas cadentes causadas por partículas do tamanho de poeira. E uma rede global de estações de infrassom originalmente destinadas a detectar explosões nucleares ilícitas tem revelado explosões no ar na escala da bomba de Hiroshima, que ocorrem na atmosfera cerca de uma ou duas vezes por ano conforme grandes meteoros explodem. A grande explosão de ar sobre Chelyabinsk em 2013 foi uma amostra palpável de como não deveríamos ser complacentes," defende o pesquisador.
  • NASA: asteroide pode atingir a Terra em 2040
Programa mensura risco de impacto de asteroides
A missão AIDA fará o primeiro teste de desvio de um asteroide de sua órbita. [Imagem: ESA]
Assassinos de civilização
Os dados sobre asteroides do ARMOR vêm da Rede Internacional de Alerta de Asteroides (International Asteroid Warning Network), uma iniciativa global de agências espaciais e astrônomos profissionais e amadores para a detecção e monitoramento de NEOs, com base inicialmente em observações visuais e de radar.
"Resume-se a ver um ponto no céu, não temos a certeza a que distância se encontra, por isso existe uma multiplicidade de diferentes órbitas geométricas possíveis. Assim, o corredor de risco inicial em volta da Terra pode ser bastante largo e longo. Observações posteriores nos permitem descartar muitas dessas órbitas, restringindo o corredor de risco baixo para um ponto," disse Clemens
"O consenso é de que conseguimos identificar até agora apenas 1% do total de NEOs. A boa notícia é que 90% de todos os NEOs maiores do que 1 km de um lado ao outro, classificados como 'assassinos de civilização', foram encontrados. Asteroides menores apresentam um maior desafio de detecção porque refletem menos luz. A explosão de ar em Chelyabinsk em 2013 deveu-se a um asteroide de 17 metros, por exemplo.
"Por isso é necessário mais tempo de observação com novos telescópios para encontrá-los, e o ARMOR pode ajudar a determinar o regime do tamanho dos asteroides que estes telescópios devem focar," concluiu o pesquisador.
O primeiro esforço prático nesse sentido será a missão AIDA (Asteroid Impact and Deflection Assessment, ou Avaliação do Impacto e Deflexão de um Asteroide:
  • Sonda espacial tentará desviar asteroide duplo

Bibliografia:

The global impact distribution of Near-Earth objects
Clemens Rumpf, Hugh G. Lewis, Peter M. Atkinson
Icarus
Vol.: 265, Pages 209-217
http://arxiv.org/abs/1511.09299

Global Asteroid Risk Analysis
Clemens Rumpf
http://arxiv.org/abs/1410.4471

Conheça as principais teorias da conspiração por trás do Grande Colisor de Hádrons

Extraído do site Yahoo


Nuvens ameaçadoras e relâmpagos com flashes azulados surgiram sobre o Grande Colisor de Hádrons esta semana, e não demorou para que os teóricos da conspiração enxergassem rostos no céu.


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Será que a CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear) abriu os portões para uma dimensão terrível e infernal? Será que Satã estava chegando?
Como era de se esperar, a resposta é não: era apenas uma nuvem sobre o túnel de 27 quilômetros de circunferência próximo a Genebra, na Suíça, fotografada para que parecesse o mais aterrorizante possível.
Desde que o colisor - o mais poderoso já construído - começou a funcionar as pessoas estão morrendo de medo dele, alegando que buracos negros irão engolir a Terra, e que os cientistas mantêm uma estátua do deus indiano da destruição dentro do local.
Fãs religiosos de teorias da conspiração do Freedom Fighter News disseram esta semana: “Eles começaram a liberar uma quantidade absurda de energia com o experimento AWAKE. Eles continuam brincando com a natureza e negando isso… e aqui estão mais provas. O que estava nas nuvens?”
Mas por que as pessoas têm tanto medo do colisor? E por que os cientistas têm uma estátua de um deus da destruição no local?
Por que as pessoas temem a CERN e o Grande Colisor de Hádrons?


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Muitas pessoas tentam associar o Grande Colisor a profecias antigas e divindades assustadoras.
Clyde Lewis escreveu no site Ground Zero: “É apenas uma coincidência que CERN seja uma abreviação para o Deus Cernunnos? É também uma coincidência que a CERN tenha que ir às profundezas da Terra para fazer seus experimentos "divinos”? Cernunnos era o deus do submundo.“
Nigel Watson, autor do ‘Manual de Investigação sobre OVNIs’, diz que o fenômeno é semelhante à crença em espaçonaves alienígenas - e provavelmente é derivado de um medo da tecnologia.
Watson diz: "A CERN está ligada a todos os tipos de medos conspiratórios e apocalípticos.
"Assim como outros supostos horrores da ciência e da tecnologia, sempre há uma crença de que eles irão causar a nossa destruição final e a salvação só irá existir para alguns poucos escolhidos. No momento, o projeto da CERN superou as guerras atômicas e a poluição e se tornou o foco destes medos.”
Quem alimenta os rumores?


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Parece que teóricos da conspiração cristãos ainda não perdoaram a máquina infernal por ter encontrado a “partícula de Deus” - muitas das afirmações sobre o CERN abrindo “entradas cósmicas” vêm de pessoas religiosas.
Em setembro de 2015 os teóricos da conspiração previram que o Grande Colisor de Hádrons estaria envolvido com o fim do mundo - ao convocar um asteroide ou o próprio Anticristo.
O canal do YouTube Section 51 disse na época: “As pessoas se tornaram mais conscientes das ambições agressivas do projeto da CERN de explorar o desconhecido 'universo sombrio’. Muitos ressaltaram sinais que deixaram as pessoas preocupadas, e até aterrorizadas, como o simbolismo usado nas próprias dependências da CERN.
"Um símbolo de Shiva (Deus Hindu da Destruição) dançando a dança cósmica da morte e da destruição pode ser claramente visto na sede da CERN. Seria esta uma declaração simbólica da intenção final da CERN de trazer uma nova era de destruição ao planeta?”
Deus da destruição


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Uma parte das teorias da conspiração realmente é verdadeira: há uma estátua de Shiva na CERN, descrito online como o “Deus da Destruição”.
No entanto, a estátua - um presente do governo indiano - é uma das muitas presentes nas dependências da CERN, e não tem como objetivo evocar a destruição.
A CERN explica: “Na religião hindu esta forma do deus dançante Shiva é conhecida como Nataraj e simboliza Shakti, ou a força da vida. Conforme uma placa ao lado da estátua explica, a crença é de que Lord Shiva tenha dançado para criar o universo, motive a sua existência, e eventualmente irá extingui-lo. Carl Sagan desenhou a metáfora entre a dança cósmica de Nataraj e o estudo moderno da 'dança cósmica’ das partículas subatômicas.”
Buracos negros


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Os teóricos da conspiração temiam que quando o Grande Colisor de Hádrons fosse ativado ele iria produzir um enorme buraco negro, sugando-nos para dentro dele.
Obviamente isso não aconteceu - e o colisor também não produziu os buracos negros microscópicos que muitos esperavam, de acordo com pesquisadores da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos.
No entanto, ele ainda pode produzir minúsculos buracos negros - que ofereceriam aos cientistas uma nova maneira de investigar a gravidade e provar a existência de outras dimensões.
Shaqoi Hou e Benjamin Harms, da Universidade do Alabama, e Marco Cavaglia, da Universidade do Mississipi, acreditam que até o momento o colisor não tenha criado buracos negros.
Os pesquisadores acreditam que excluíram a chance de formação de buracos negros com 95% de certeza, através da comparação entre simulações de formações de buracos negros e dados reais dos experimentos realizados pelo Grande Colisor de Hádrons. No entanto, eles ressaltam que ainda é possível que o colisor produza buracos negros microscópicos.
Universos paralelos


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Há uma chance real de que a CERN descubra um universo paralelo - fato que os teóricos da conspiração usaram como evidência de que os cientistas estão tramando algo perverso.
No entanto, a realidade dos universos paralelos é um pouco diferente daquela que vemos em filmes de ficção científica - e não há nenhuma chance de acordarmos e descobrirmos que Hitler venceu a guerra.
“Assim como muitas folhas de papel paralelas, que são objetos bidimensionais (largura e comprimento), podem existir em uma terceira dimensão (altura), universos paralelos também podem existir em dimensões mais altas,” explica Mir Faizal, funcionário da CERN da Universidade de Waterloo, no Canadá.
“Nós acreditamos que a gravidade possa vazar para outras dimensões, e se fizer isso, buracos negros em miniatura podem ser formados no colisor.”
“Esta hipótese não pode ser testada, então trata-se de filosofia, e não de ciência. Isso não é o que queremos dizer com universos paralelos. Nós nos referimos a universos reais em outras dimensões,” ele completa.
Uma das muitas ideias incríveis consideradas é a de que o Big Bang nunca aconteceu e o universo sempre existiu.
O Grande Colisor de Hádrons pode salvar vidas
Longe de querer matar a todos, os cientistas da CERN esperam que as descobertas dos túneis possam mudar a história da humanidade.
Em uma entrevista concedida em 2014, o cientista Dr. Harry Cliff da CERN disse que a descoberta de partículas aparentemente obscuras pode alterar profundamente o mundo.
“Cerca de cem anos atrás, quando a primeira partícula - o elétron - foi descoberta, ela foi vista como um brinquedo dos cientistas sem muito uso prático,” o Dr. Cliff disse.
“Hoje, grande parte da nossa tecnologia é baseada no entendimento do elétron - do microchip ao diagnóstico médico por imagem. Em algumas décadas, o que descobrirmos no Grande Colisor de Hádrons pode levar a enormes avanços tecnológicos, mas é difícil saber de antemão quais avanços poderiam ser.”
“Construir estas máquinas gigantes nos força a desenvolver tecnologias muito inovadoras que já levaram, por exemplo, a formas mais eficazes de terapias contra o câncer, usando feixes de partículas para matar tumores.”

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Sinapse artificial é construída com clara de ovo

Redação do Site Inovação Tecnológica 



Sinapse artificial agora também biocompatível e absorvível
A sinapse eletrônica totalmente funcional usa clara de ovo como material ativo. [Imagem: Xingli He et al. - 10.1021/acsami.5b10414]
Bioeletrônica
Sensores eletrônicos minúsculos e dispositivos que podem ser implantados no corpo e depois se dissolvem quase sem deixar vestígios estão ficando cada vez mais perto da realidade.
O mais comum tem sido usar materiais biodegradáveis, incluindo DNA e proteínas, e juntar alguns metais ou semicondutores para fazer circuitos funcionais que possam ser degradados pelo organismo como os pontos de uma cirurgia.
Xingli He, da Universidade Zhejiang, na China, criou agora uma versão solúvel de um dos componentes eletrônicos mais promissores que se conhece - usando proteínas do ovo, magnésio e tungstênio.
Tecnicamente o componente é um resistor de memória transitória, ou memristor, um dispositivo eletrônico que, devido à sua capacidade de memória, lembrando-se das cargas elétricas que o percorreram anteriormente, é mais conhecido como sinapse artificial, sendo a base dos neurocomputadores, que imitam o princípio de funcionamento do cérebro.
Sinapse eletrônica de ovo
A sinapse eletrônica sintética foi produzida centrifugando a ovalbumina diluída - a clara do ovo - e aspergindo-a sobre uma pastilha de silício para produzir um filme ultrafino. Em seguida, bastou incorporar eletrodos de magnésio e tungstênio para fazer a conexão elétrica.
Os testes mostraram que o desempenho desse biomemristor iguala a eficiência dos memristores comuns, não degradáveis.
Quando secos, os protótipos funcionaram de forma confiável por mais de três meses. Bastou colocá-los na água para que os eletrodos e a albumina se dissolvessem em período que variou de duas a 10 horas. O resto do chip demorou cerca de três dias para se desmanchar, deixando para trás resíduos mínimos.
"Este trabalho demonstra uma nova maneira de fabricar dispositivos eletrônicos biocompatíveis e absorvíveis usando materiais abundantes, baratos e 100% naturais, [adequados] para a era da bioeletrônica que se aproxima, bem como para sensores ambientais quando a Internet das Coisas decolar," disse Xingli He.

Bibliografia:

Transient Resistive Switching Devices Made from Egg Albumen Dielectrics and Dissolvable Electrodes
Xingli He, Jian Zhang, Wenbo Wang, Weipeng Xuan, Xiaozhi Wang, Qilong Zhang, Charles G. Smith, Jikui Luo
ACS Applied Materials & Interfaces
Vol.: Article ASAP
DOI: 10.1021/acsami.5b10414

Sete processos químicos que precisam de inovações com urgência

Redação do Site Inovação Tecnológica 



Sete processos químicos que precisam de inovações com urgência
Processos termais para separação química consomem de 10 a 15% de toda a energia gasta no mundo.[Imagem: Luigi Chiesa/Wikimedia Commons]
Inovações em química
Pesquisadores estão sugerindo concentrar os esforços de pesquisa e desenvolvimento em sete processos químicos de separação que são altamente intensivos em energia, com o objetivo de desenvolver versões de baixa energia.
Além de diminuir o uso de energia, melhores técnicas de separação de produtos químicos a partir de misturas deverão reduzir a poluição e as emissões de dióxido de carbono e abrir novas rotas para obtenção de recursos críticos que o mundo precisa.
"Queremos ressaltar quanto da energia do mundo está sendo usada para separações químicas e apontar algumas áreas onde grandes avanços poderiam ser feitos por meio da expansão das pesquisas. Esses processos são praticamente invisíveis para a maioria das pessoas, mas há grandes recompensas potenciais - tanto para a energia quanto para o meio ambiente - para o desenvolvimento de processos de separação otimizados nessas áreas," afirmam David Sholl e Ryan Lively, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos EUA.
Intitulada "Sete separações químicas para mudar o mundo", a lista não pretende ser exaustiva, mas destaca alguns dos processos industriais mais importantes na atualidade.
1. Hidrocarbonetos a partir do petróleo bruto
Hidrocarbonetos do petróleo são os principais ingredientes para produzir combustíveis, plásticos e polímeros - elementos-chave para a economia mundial. A cada dia, de acordo com o relatório, as refinarias de todo o mundo processam cerca de 90 milhões de barris de petróleo bruto, utilizando principalmente processos de destilação atmosférica, que consomem cerca de 230 gigawatts de energia por ano, o equivalente ao consumo total de energia do Reino Unido.
A destilação envolve o aquecimento do óleo cru para capturar diferentes compostos à medida que eles evaporam em diferentes pontos de ebulição - um processo chamado destilação fracionada. Encontrar alternativas é difícil porque o óleo é quimicamente complexo e deve ser mantido a temperaturas elevadas para manter o espesso óleo bruto fluindo.
2. Alcenos de alcanos
A produção de alguns plásticos requer alcenos - hidrocarbonetos, tais como o etano e o propeno, cuja produção anual é superior a 200 milhões de toneladas. A separação do eteno a partir do etano, por exemplo, tipicamente requer destilação criogênica de alta pressão.
Técnicas de separação híbridas que usem uma combinação de membranas (filtros muito finos) e de destilação poderiam reduzir o uso de energia por um fator de dois ou três, mas podem ser necessários volumes gigantescos de materiais para filtragem - até um milhão de metros quadrados de membrana para uma única indústria química.
3. Gases de efeito estufa de emissões diluídas
A emissão de dióxido de carbono e de hidrocarbonetos como o metano contribuem para a mudança climática global. A remoção desses compostos a partir de fontes diluídas, como as emissões de usinas de energia, pode ser feita usando amina líquida, mas remover o dióxido de carbono da amina exige calor. Por isso são necessários métodos menos dispendiosos para a remoção do CO2.
Sete processos químicos que precisam de inovações com urgência
Membranas, ou filtros muito finos, com novos materiais, como os nanotubos de carbono, são promissoras, mas ainda precisam chegar à escala industrial. [Imagem: LLNL]
4. Metais de terras raras a partir de minérios
Elementos das terras raras são utilizados em ímãs, catalisadores e em LEDs, entre muitas outras aplicações de alta tecnologia.
Embora esses materiais não sejam realmente raros, é difícil obtê-los porque eles ocorrem em quantidades muito pequenas, devendo ser separados a partir de minérios com baixa concentração, utilizando processos mecânicos e químicos complexos. Virtualmente qualquer novidade será bem-vinda.
5. Urânio da água do mar
A energia nuclear poderia fornecer eletricidade adicional, mas as reservas de urânio do mundo são limitadas. No entanto, há mais de quatro bilhões de toneladas do elemento dissolvidas nas águas dos oceanos. A separação do urânio da água do mar é complicada pela presença de metais como o vanádio e o cobalto, que são capturados juntamente com o urânio pelas tecnologias existentes.
Processos para obtenção de urânio a partir da água do mar têm sido demonstrados em pequena escala, mas eles precisam ser melhorados antes que possam fazer uma contribuição substancial para a expansão da energia nuclear.
6. Separar derivados do benzeno
O benzeno e seus derivados são essenciais para a produção de muitos polímeros, plásticos, fibras, solventes e aditivos de combustível. Hoje estas moléculas são separadas usando colunas de destilação com o uso de uma energia anual combinada de cerca de 50 gigawatts. Avanços em membranas ou absorventes poderiam reduzir significativamente o gasto de energia.
7. Contaminantes-traço da água
A dessalinização já é crítica para satisfazer a necessidade de água potável em algumas regiões do mundo, mas o processo é intensivo em energia e em capital, tanto para os processos de membrana como para os de destilação. O desenvolvimento de membranas mais produtivas e mais resistentes a incrustações poderia reduzir os custos.

Bibliografia:

Seven chemical separations to change the world
David S. Sholl, Ryan P. Lively
Nature
Vol.: 532, 435-43
DOI: 10.1038/532435a

Primeira estrada eletrificada inaugurada na Suécia

Com informações da BBC 



Primeira estrada eletrificada inaugurada na Suécia
Ao rodar no sistema eletrificado, a eficiência energética dos caminhões chega a 80%.[Imagem: Scania CV AB]
Caminhão elétrico
A Suécia se colocou um desafio: conseguir fazer que, até 2030, o setor de transporte do país não utilize mais combustíveis fósseis.
No mercado já existem soluções para diminuir as emissões dos automóveis, como os carros elétricos e híbridos. Mas um dos desafios é reduzir a contaminação produzida por caminhões de carga que, no país nórdico, representam 15% das emissões de dióxido de carbono.
Por isso, o país está testando uma solução inovadora: autoestradas elétricas - as primeiras do mundo.
Nelas, os veículos pesados híbridos podem ser alimentados por uma rede elétrica graças a um sistema de distribuição de energia parecido com o utilizado nas linhas de trem ou nos trólebus.
  • Sistema de tração para caminhões elétricos
eRodovia
Primeira estrada eletrificada inaugurada na Suécia
Um sistema similar será inaugurado na Califórnia ainda este ano. [Imagem: Scania CV AB]
O projeto, conhecido como eHighway - rodovia eletrificada ou eRodovia - acaba de ser inaugurado em um trajeto experimental de dois quilômetros da autoestrada E16, ao norte de Estocolmo.
Os caminhões híbridos contam com um mecanismo instalado no topo da boleia, chamado pantógrafo inteligente, que é acionado automaticamente quando o veículo entra trecho eletrificado da rodovia, conectando-se às linhas de eletricidade instaladas sobre a pista.
Diferentemente dos ônibus elétricos tipo trólebus, os caminhões podem se desconectar da rede se precisarem trocar de pista - para ultrapassar outro veículo, por exemplo. Nesse caso, o caminhão volta a usar diesel.
A velocidade máxima que o veículo faz quando conectado à rede elétrica é de 90 km/h. Quando os caminhões saem da rede, ativam o motor diesel para seguir o trajeto.

A empresa alemã Siemens, responsável pelo projeto, fará ainda neste ano um piloto parecido na Califórnia, nos Estados Unidos, em um trecho de três quilômetros da estrada que conecta o porto de Los Angeles a Long Beach.

Cimento sem água é mais barato e emite menos CO2

Redação do Site Inovação Tecnológica 



Cimento sem água é mais barato e emite menos CO2
Existem várias tentativas para produzir um cimento com menor impacto ambiental. [Imagem: Eco-Cement Project]
Cimento carbonatado
Se for amplamente adotada, uma nova abordagem para a fabricação de cimento poderá reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa, diminuir o consumo de água e ajudar a lidar com o aquecimento global - além de produzir um concreto mais durável e de custo mais baixo.
Os pedreiros vão estranhar bastante, porque o novo tipo de cimento ganha resistência através da carbonatação, e não da sua mistura com água.
"Em vez de cimento que reage com água, este cimento carbonatado reage com dióxido de carbono e silicato de cálcio," explica o professor Jason Weiss, da Universidade Estadual de Oregon, nos EUA.
"À primeira vista este novo produto se parece com o concreto convencional, mas ele tem propriedades que devem fazê-lo durar mais tempo em algumas aplicações. Além disso, seu uso poderia reduzir as emissões de dióxido de carbono, que é um objetivo importante da indústria do cimento," acrescentou.
Cimento de silicato de cálcio carbonatado
O novo material foi batizado de "cimento de silicato de cálcio carbonatado", ou CCSC (Carbonated Calcium Silicate-based Cement).
De acordo com Weiss, o novo cimento está pronto para ser usado em produtos de concreto pré-moldados, que podem ser criados em uma fábrica e transportados para onde serão usados. Um uso mais generalizado poderá demorar mais tempo, já que a carbonatação exige um aparato mais complicado do que uma mangueira jorrando água sobre a massa - como botijões com CO2 sob pressão.
A equipe demonstrou que o material é mais resistente à degradação do que o concreto comum, inclusive em contato direto com sais usados para o degelo das estradas em países de clima frio, tais como cloreto de sódio e cloreto de magnésio.
O concreto - uma combinação de cimento, areia e brita - é um dos materiais de construção mais eficazes da história humana. Isto na verdade é parte do problema - o concreto funciona tão bem e tem tantos usos que são produzidas anualmente de 2 a 4 toneladas de concreto para cada pessoa na Terra, o que se acredita ser responsável por algo entre 5 e 8% de todas as emissões globais de dióxido de carbono.

Bibliografia:

Performance of carbonated calcium silicate based cement pastes and mortars exposed to NaCl and MgCl2 deicing salt
Yaghoob Farnam, Chiara Villani, Taylor Washington, Mark Spence, Jitendra Jain, W. Jason Weiss
Construction and Building Materials
Vol.: 111, Pages 63-71
DOI: 10.1016/j.conbuildmat.2016.02.098