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domingo, 1 de janeiro de 2017

2017 marcará o início da era dos robôs?

Por: Mark Mardell - BBC News


Robôs humanóides Wakamaru, produzidos pela MitsubishiImage copyright
Tecnologia está cada vez mais integrada aos ambientes de trabalho

"Seus ossos vão virar areia e, sobre essa areia, um novo deus andará."
A frase é da robô Dolores, personagem da série de ficção científica Westworld.
A realidade pode não ser tão ruim assim - mas certamente um muro, uma fronteira ou um novo esquema de permissão de trabalho não serão capazes de detê-los: a ascensão dos robôs pode ser o grande acontecimento de 2017.
É bem verdade que desde a quebra do primeiro tear pelos ludistas, no auge da Revolução Industrial, em protesto contra a industrialização e as novas tecnologias, a mecanização vem tirando o trabalho das pessoas.
Mas o processo está caminhando cada vez mais rápido, acelerando o tempo todo. E a próxima onda pode arrebentar logo - e perto de você.
Temos hoje uma grande diversidade de novas tecnologias aplicadas à robótica avançada e à criação de computadores mais rápidos, melhores e mais brilhantes.
Ainda não se trata da chamada "inteligência geral", que vai conseguir atingir objetivos complexos em ambientes tão complexos quanto com poucos recursos computacionais e que pode levar ao enigma ético (e até agora fictício) sobre a consciência das máquinas.
Mas equipamentos cada vez mais elaboradas estão realizando mais e mais trabalhos que antes exigiam o cérebro humano e substituindo também a força física.
Impressoras 3D eliminaram vagas de emprego na manufatura. Carros sem motoristas estão bem próximos de virar realidade, assim como os caminhões que não exigirão ninguém atrás do volante - o que não deixa de ser um pouco assustador se pensarmos que o motorista de caminhão é um dos trabalhos mais comuns em muitas partes do mundo, por exemplo.
Uma pesquisa recente da Universidade de Oxford, no Reino Unido, sugere que cerca de metade dos postos de trabalho existentes hoje nos EUA serão automatizados até 2033.
Datilógrafos e escriturários já foram extintos há algum tempo. Os próximos podem ser pessoas com boa formação que trabalham em Marketing, Medicina, Direito e, sim, até no Jornalismo.
E lembrem-se dos bancários. Em um artigo recente publicado pela agência Bloomberg, o presidente do banco State Street, de Boston, Michael Rogers, afirmou que atualmente emprega cerca de 30 mil pessoas, mas acredita que até 2020 uma em cada cinco delas será substituída por um algorítmo.

Carros automatizados sem motoristasImage copyright
Os carros sem motoristas são uma aposta de várias empresas de tecnologia

O escolhido de Donald Trump para assumir o Ministério do Trabalho, Andrew Puzder, presidente de uma empresa que controla redes de lanchonetes nos EUA, está feliz em ter menos funcionários e é adepto dos serviços automatizados de atendimento ao consumidor.
"Eles são educados, sempre fazem vendas melhores, nunca tiram férias, chegam atrasados ou ficam doentes e nunca cometem discriminação por idade, sexo ou raça."
Se você acha que já leu essas previsões todas antes, está certo. Especialistas vêm falando há alguns anos sobre a quarta ou quinta revolução industrial, a terceira onda da globalização e a tecnologia disruptiva.
Mas então por que desta vez é diferente? Por conta do contexto político - a questão é essa.

A política

O que deve significar esse novo impulso econômico, chegando aos bastidores da revolta do Cinturão da Ferrugem, região industrial americana que impulsionou a vitória de Trump e um polo dos esquecidos?
Você deve ter percebido que 2016 foi um ano e tanto nos Estados Unidos. E tudo leva a crer que o clima deve continuar intenso em 2017 na Europa, com as eleições na Alemanha, França, Holanda e, provavelmente, Itália.

Joe BidenImage copyright
Joe Biden diz que a classe política não tem respostas para a automatização do trabalho

Muitos veem isso como nada menos que um aumento dos desprivilegiados. Se há temas recorrentes, alguns deles são sobre nacionalismo e identidade. Mas também os deslocamentos econômicos e o crescente sentimento de desigualdade.
O professor Richard Baldwin, economista do renomado Instituto Graduate, de Genebra, afirma que isso deve piorar.
Segundo as previsões dele, "alguns quartos de hotéis em Londres poderão ser limpos por pessoas conduzindo robôs diretamente do Quênia ou de Buenos Aires e de outros lugares por menos de um décimo do preço praticado na Europa".
E ele tem uma visão simples sobre a reação política das pessoas a este cenário: "Elas vão ficar com raiva".
Alguns políticos reconheceram que 2016 marcou o início dessa raiva. O problema é que, entre paredes e barreiras comerciais, eles têm poucas opções para lidar com o aumento da desigualdade. E o mesmo acontece entre pensadores e legisladores.
O ex-consultor de economia do vice-presidente dos Estados Unidos Joe Biden escreveu recentemente: "Para sermos honestos, precisamos admitir que nenhum dos lados - democratas ou republicanos - tem um plano robusto e convincente para recuperar os postos de trabalho em comunidades que perderam muito da base manufatureira".
E admite: "Eu mesmo estudei esse problema durante vários anos e não cheguei nem perto de uma resposta".
A economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, defende o uso de políticas para impulsionar as pessoas a novas vagas de emprego. Mas, para isso, as vagas precisam existir. E nada garante que elas existirão.

Soluções exóticas

Há décadas se fala sobre a importância das habilidades e da formação - e não parece que a indústria britânica seja tão bem sucedida ou dinâmica nesses quesitos. Ao contrário: está aquém das mais básicas e óbvias habilidades, dos pedreiros à tecnologia da informação.
Vamos considerar um cenário: o Reino Unido está com déficit de clínicos gerais, e muitos médicos em hospitais são estrangeiros. Apesar disso, há uma grande competição para se tornar médico - somente os alunos mais brilhantes e aplicados, com as melhores notas, têm alguma chance. A conta não fecha.
Mas talvez seja hora de ser otimista. Algumas soluções são bastante exóticas: uma das que mais me chamou atenção é o movimento conhecido como FALC (Fully Automated Luxury or Leisure Communism ou "comunismo de luxo e lazer totalmente automatizado").

Robô médicoImage copyright
Os robôs também têm sido usados na Medicina

O argumento básico dos apoiadores desse movimento é que tudo o que precisamos logo vai ser tão barato que nós poderemos ter muito - isso, claro, se os atuais proprietários não ficarem com o lucro só para eles.
Alguns pensadores da esquerda são muito mais pessimistas e alertam que essas tendências podem terminar com uma guerra entre os pobres - o extermínio dos trabalhadores, literalmente.
"Robô" - termo usado pela primeira vez por um autor de ficção científica - é apenas a palavra tcheca para "servo". Com a lógica do FALC, todos nós seríamos donos do fruto do trabalho dos robôs, como proprietários de escravos sem culpa. Algo como "o dinheiro é pobreza". As sociedades pós-escassez não precisam disso.
Mas tudo isso depende de quem serão os proprietários dos robôs. Isso também poderia significar uma revolução na forma como nós encaramos o trabalho.
Uma versão menos radical de tudo isso poderia ser o salário dos cidadãos, uma renda básica universal. Isso significa que todos receberiam essa quantia mínima, estejam trabalhando ou não.
Em uma entrevista recente à revista Wired, o presidente Barack Obama já disse que a discussão sobre a renda universal básica é inevitável nos próximos anos.
Mas isso vai na contramão do espírito da época. A raiva dos eleitores com as circunstâncias econômicas está frequentemente atrelada com a reclamação de que a elite está paparicando aqueles que não fazem por merecer, sejam os beneficiários domésticos ou os trabalhadores imigrantes.
Claramente um projeto para aumentar drasticamente os benefícios sociais a todos e sem distinção - dos bilionários fúteis aos trabalhadores da base da pirâmide - pode não conquistar tanto apelo político da população.
E também não há nenhuma certeza de que uma vida mais "básica" seria mais satisfatória, enobrecedora ou menos dividida e desigual que a vida com benefícios do governo como o seguro-desemprego.
Parece que não há soluções fáceis ou óbvias nem para a revolta do Cinturão de Ferrugem nem para a ascensão dos robôs.
Mas uma boa resolução de Ano Novo pode ser uma promessa de procurar por soluções, sejam elas cinzentas, otimistas, pessimistas, estranhas, manjadas ou otimistas.
Demorou tempo demais para que os políticos acordassem para o fato de que o fim da velha era industrial teria consequências graves para todos. Melhor que não leve o mesmo tempo para pensar em um futuro que está ali, dobrando a esquina.

As teorias para o surgimento das primeiras células - e da vida na Terra

Por: Michael Marshall - BBC Earth

TerraImage copyright
A Terra é o único lugar onde encontramos vida até agora
Como a vida começou? Talvez não haja uma pergunta mais complexa do que essa. Durante grande parte da História, quase todos os povos acreditaram, em algum momento, que a resposta estava ligada a deuses e religião.
No entanto, durante o último século cientistas tentaram solucionar esse mistério e tentaram até mesmo recriar o momento do Gênesis em seus laboratórios.
Até agora ninguém foi capaz de conseguir isso, mas muitos avanços foram alcançados. Hoje, grande parte dos cientistas que estudam a origem da vida está confiante de que eles estão no caminho certo - e alguns deles têm experimentos para comprovar suas teorias.
A vida é velha. Os dinossauros são talvez as criaturas extintas mais famosas, e eles tiveram sua origem há 250 milhões de anos. No entanto, a vida na Terra começou muito antes.
Em agosto de 2016 pesquisadores descobriram micróbios fossilizados há 3.7 bilhões de anos. A Terra não é muito mais velha do que isso, tendo sido formada há 4.5 bilhões de anos.
Fóssil de dinossaurosImage copyright
Dinossauros viveram recentemente quando comparamos à idade da Terra
Se partirmos do princípio de que a vida teve origem na Terra, então isso deve ter acontecido entre os bilhões de anos entre a formação do planeta e a preservação dos fósseis mais antigos já descobertos.
Assim como podemos limitar um espaço de tempo de quando isso ocorreu, também há informações para tentarmos adivinhar de que forma a vida apareceu pela primeira vez.
Desde o século 19, biólogos sabem que todos os seres vivos são compostos por células. As células foram descobertas no século 17, mas demorou mais de um século para que alguém percebesse que elas eram a base de todo tipo de vida.
Fósseis descobertosImage copyright
Esses padrões ondulados poderiam ser fósseis de 3.7 bilhões de anos

As primeiras experiências

Antes dos anos 1880, a maioria das pessoas acreditava no "vitalismo", um conceito que defendia a ideia de que todos os seres vivos eram dotados de uma propriedade mágica que os diferenciava de objetos inanimados.
Mas no começo dos anos 1880 cientistas descobriram diversas substâncias que pareciam ser únicas à vida, como a ureia.
A descoberta, no entanto, ainda era compatível com o vitalismo, já que apenas seres vivos eram capazes de criar essa substância. Em 1828, porém, o químico alemão Friedrich Wöhler descobriu uma maneira de criar ureia a partir de cianato de amônio, substância que não tinha conexão óbvia com seres vivos.
Em 1859 houve o maior avanço científico do século 19: a teoria da evolução, de Charles Darwin, que explicava como poderíamos ter surgido de um único antepassado em comum - no entanto, a teoria nada dizia sobre como o primeiro organismo surgiu.
CélulaImage copyright
Uma célula completa e viva
Darwin especulou, em 1871, sobre o que aconteceria caso uma quantidade pequena de água, cheia de compostos orgânicos simples, fosse banhada pela luz do sol.
Talvez alguns desses compostos poderiam fazer combinações para formar uma substância com características semelhantes à vida, como uma proteína, e poderiam evoluir para se tornar algo mais complexo.
Era uma ideia inicial que se tornaria base para a primeira hipótese de como a vida começou.
Em 1924, o cientista soviético Alexander Oparin publicou seu livro A Origem da Vida, no qual argumentava que as moléculas centrais para a vida teriam surgido na água.
Cinco anos depois, o biólogo inglês J. B. S. Haldane propôs teorias semelhantes e a ideia de que a vida surgiu pela primeira vez a partir de uma espécie de "sopa" com ingredientes orgânicos e químicos ficou conhecida como a Hipótese Oparin-Haldane.
Alexander OparinImage copyright
O cientista soviético Alexander Oparin, autor do livro 'A Origem da Vida'
A hipótese, porém, não contava com nenhuma evidência experimental que a comprovasse.
Foi só em 1952 que o cientista Stanley Miller deu início ao mais famoso experimento já feito sobre a origem da vida: ele conectou uma série de frascos de vidro pelos quais circulavam quatro compostos químicos que estariam presentes no começo da Terra: água fervendo, gás hidrogênio, amônia e metano.
Na mistura formada, ele encontrou dois aminoácidos: glicina e alanina. Aminoácidos são comumente descritos como os blocos fundamentais para se construir a vida.
O experimento Miller-UreyImage copyright
Stanley Miller deu início ao mais famoso experimento já feito sobre a origem da vida

A grande polarização

No começo dos anos 50 cientistas começaram a explorar a possibilidade de que a vida teria sido criada de maneira espontânea e natural no início da Terra.
Nessa época, muitas moléculas biológicas já eram conhecidas, entre elas o ácido desoxirribonucleico, ou "DNA".
Além de carregar nossos genes, o DNA diz às células como fazer proteínas. Esse processo, no entanto, é extremamente intrincado e o DNA carrega informações tão preciosas que as células preferem mantê-lo seguro e copiar essas informações para moléculas curtas de outra substância chamada ácido ribonucleico, ou RNA. O RNA é semelhante ao DNA, mas em vez de duplo filamento, tem filamento simples.
CélulaImage copyright
O mecanismo dentro das células é imensamente intrincado
Em 1968 o químico britânico Leslie Orgel sugeriu que a primeira forma de vida não tinha proteínas ou DNA. Em vez disso, essa forma de vida era composta quase que completamente por RNA.
Ao sugerir que a vida começou com RNA, Orgel propôs que um aspecto crucial da vida - a sua habilidade de se reproduzir - aparecia antes de qualquer outro aspecto.
Mas há outras características da vida que são igualmente essenciais. A mais óbvia delas é o metabolismo: a habilidade de extrair energia do nosso meio e utilizá-la para nos mantermos vivos. Para muitos biólogos, o metabolismo seria a característica definitiva e original da vida.

A busca pelo primeiro replicante

Em 1986 o cientista Walter Gilbert, da Universidade Harvard, sugeriu que a vida começou no "Mundo RNA".
Segundo ele, o primeiro estágio da evolução consistia de "moléculas de RNA realizando as atividades catalíticas necessárias para se organizarem em uma sopa de nucleotídeo".
Energia celularImage copyright
A vida precisa de energia para ficar viva
No entanto, nos 30 anos após Gilbert ter proposto sua teoria ainda não há provas irrefutáveis de que o RNA consiga fazer tudo o que a teoria demanda dele.
Uma dúvida que se destaca é que se a vida começou com uma molécula de RNA, o RNA deveria ser capaz de fazer cópias dele mesmo. Mas nenhuma forma de RNA consegue se auto-replicar. Nem o DNA consegue isso.

A potência dos prótons

Nós nos mantemos vivos ao nos alimentarmos. Esse processo é chamado de metabolismo: primeiro você obtém energia para depois utilizá-la.
Esse processo é tão essencial que muitos pesquisadores acreditam que ele pode ter sido a primeira coisa que a vida fez.
Nos anos 1980 o químico Günter Wächtershäuser propôs que os primeiros organismos eram "drasticamente diferentes de qualquer coisa que nós conhecemos". Segundo ele, eles não eram feitos de células, não tinham enzimas, DNA ou RNA.
Wächtershäuser imaginou um ciclo metabólico como um ponto de virada: um processo no qual uma substância química é convertida em uma série de outras substâncias até que, eventualmente, a substância original é criada novamente. No processo, o sistema inteiro absorve energia, que pode ser utilizada para reiniciar o ciclo.
Água vulcânicaImage copyright
Água vulcânica é quente e rica em substâncias químicas
Todos os outros componentes de organismos modernos, como o DNA, células e cérebro, teriam vindo depois, construídos com base nesses ciclos químicos.
O processo de obtenção de energia por organismos também chamou a atenção do bioquímico Peter Mitchel, que passou sua carreira estudando o que é feito com a energia recebida de alimentos.
Ele sabia que todas as células armazenam sua energia na mesma molécula: o trifosfato de adenosina (ATP). Mitchell queria saber como as células produziam o ATP.
Ele também sabia que a enzima que produz o ATP fica em uma membrana, então ele sugeriu que a célula estava bombeando partículas carregadas - "prótons" - através da membrana, então havia muitos prótons de um lado e quase nenhum do outro.
Os prótons tentariam então fluir de volta através da membrana para deixar o número de prótons equilibrado em cada um dos lados - mas o único lugar pelo qual eles conseguiam passar era a enzima. O fluxo de prótons passando deu à enzima a energia necessária para fazer o ATP.
Michael RussellImage copyright
O geólogo Michael Russell
Mitchell apresentou sua ideia em 1961 e hoje nós sabemos que o processo identificado por ele é utilizado por todos os seres vivos. Assim como o DNA, ele é fundamental para a vida.
Usando essa descoberta como base, o geólogo Mike Russell seguiu a lógica e propôs que a vida deve ter sido formada em algum lugar com um gradiente de prótons natural, algo parecido a um respiradouro hidrotérmico.
Em 2000, Deborah Kelley, da Universidade de Washington, descobriu os primeiros respiradouros alcalinos no meio do Oceano Atlântico, onde a crosta terrestre está sendo dividida e uma crista de montanhas está surgindo no fundo do mar.
Nessa crista, Kelley descobriu um campo de respiradores hidrotérmicos que ela chamou de "A Cidade Perdida", que abriga densas comunidades de microorganismos.
Esses respiradores deram força à ideia de Russell e ele ficou convencido de que respiradouros parecidos seriam o local onde a vida começou. Em 2003 ele se juntou ao biólogo William Martin para tentar dar substância à sua teoria.
'Cidade PerdidaImage copyright
Parte da 'Cidade Perdida' no Atlântico
Os respiradouros encontrados por Kelley eram porosos e cada um desses poros continha substâncias químicas. Combinando esses poros com o gradiente de prótons natural, esse seria um local ideal para o metabolismo ser formado.
Uma vez que a vida tivesse acumulado energia química da água, segundo Russell e Martin, ela começava a criar moléculas como o RNA. Eventualmente, ela teria criado sua própria membrana e se transformado em uma célula real, escapando das paredes rochosas e porosas do respiradouro seguindo rumo ao oceano.
Essa hipótese é considerada uma das principais para a origem da vida.

Como fazer uma célula

Todos os seres vivos na Terra são feitos de células. O objetivo de uma célula é manter no mesmo lugar todas as substâncias essenciais para a vida.
A parede da célula é tão essencial que muitos pesquisadores argumentam que esta deve ter sido a primeira característica a ser formada. A teoria tem como seu principal defensor Pier Luigi Luisi, da Universidade Roma Tre, em Roma, na Itália.
A teoria de Luisi é simples: como você poderia criar um metabolismo que funciona ou um RNA auto-replicante sem ter um recipiente para manter todas as moléculas juntas?
Reprodução celularImage copyright
Células se reproduzem ao se dividirem em duas
De alguma maneira, no calor e nas tempestades do início da Terra, alguns materiais devem ter se juntado em células brutas, ou "protocélulas".
Em 1994, Luisi sugeriu que as primeiras protocélulas deveriam ter RNA e esse RNA teria sido capaz de se replicar dentro da protocélula. Jack Szostak, cientista da Escola de Medicina de Harvard que pesquisa o RNA, apoiou a ideia de Luisi.
Em 2001 os dois argumentaram, em um artigo na revista "Nature", que seria possível fazer células vivas do zero ao hospedar RNAs replicantes dentro de uma bolha oleosa.
Eles começaram a testar a ideia com protocélulas e eventualmente conseguiram fazer com que elas crescessem.
CélulasImage copyright
As primeiras células devem ter abrigado a química da vida
A dúvida agora era se essas protocélulas também poderiam se reproduzir e, em 2009, Szostak e um aluno conseguiram criar uma protocélula longa o bastante que, sob pressão, se despedaçava em dezenas de pequenas protocélulas descendentes.
Em 2013, Szostak e uma aluna conseguiram realizar o que Luisi propôs em 1994: fazer com que a replicação e a compartimentalização acontecessem quase que simultaneamente.
Esse feito inspiraria uma nova abordagem unificada para encontrar a origem da vida, que tenta provar que todas as funções da vida foram criadas ao mesmo tempo.
A grande unificação
John Sutherland, do Laboratório de Biologia Molecular de Cambridge, no Reino Unido, apoia a ideia de que todos os componentes da vida teriam sido formados ao mesmo tempo.
Sutherland acredita que se conseguir fazer uma mistura de componentes suficientemente complicada, todos os componentes da vida podem se formar ao mesmo tempo e, depois, se unirem.
Mas ainda há um problema que nem Sutherland nem Szostak conseguiram solucionar. O primeiro organismo vivo deve ter algum tipo de metabolismo, já que desde o começo a vida precisaria conseguir energia para sobreviver.
"As origens do metabolismo devem estar lá de alguma maneira", disse Szostak. "A fonte de energia química será a grande questão agora."

Não haverá mais peixes nos oceanos em 2050, revela estudo

Pelo site Pensamentoverde


As cadeias alimentares dos oceanos do mundo estão em risco de colapso devido à liberação de gases de efeito estufa, sobrepesca e poluição localizada



Aquecimento da água e sobrepesca contribuem para o fenômeno.
Um estudo publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências, revelou, após 632 experimentos, que não há “alcance mínimo” para os animais marinhos no que se refere ao aquecimento das águas e à acidificação dos oceanos. Existem pouquíssimas espécies capazes de escapar do impacto que o CO2 causa nos oceanos.
Os oceanos absorvem cerca de um terço de todo o CO2 que é emitido pela queima de combustíveis fósseis. Isso tem provocado um aquecimento de cerca de 1 grau desde os tempos pré-industriais. A água, hoje, possui 30% mais ácidos.
Essa profunda acidificação tornará muito complicada a formação de cascas e estruturas de sustentação de corais, ostras e mexilhões. A quantidade de plâncton irá aumentar com o aquecimento da água. O plâncton é fonte de alimentos para grande parte da cadeia, mas mesmo assim, o número de animais não conseguirá aumentar com a abundância de alimentos.
“Há mais comida para os pequenos herbívoros, como os peixes, caracóis do mar e camarões, mas com a interferência nas taxas de metabolismo o crescimento desses animais está diminuindo. Como há menos presas disponíveis, ou seja, menos oportunidades para os carnívoros, há um efeito cascata na cadeia alimentar”, afirmou Ivan Nagelkerken, professor associado da Universidade de Adelaide ao site Business Insider.

O homem também interfere no processo

Os pesquisadores apontam que esses dados afetam os oceanos de todo o mundo e que atividades humanas como a sobrepesca impedem que os ciclos de vida dos animais se completem e possibilitem uma mínima adaptação das espécies às mudanças climáticas. A pesquisa também alerta para um fenômeno de branqueamento dos recifes de coral. Já é a terceira vez que esse fenômeno é flagrado.
Desde 2014, uma enorme onda de calor debaixo d’água, impulsionada pela mudança climática, tem causado a perda do brilho e morte de corais em todos os oceanos. Até o final deste ano 38% dos recifes do mundo terá sido afetados. Cerca de 5% terão morrido. Os recifes de corais são responsáveis pela nutrição de 25% das espécies marinhas do mundo.
A região da grande barreira de corais da Austrália já perdeu metade de sua cobertura de coral ao longo dos últimos 30 anos. A tendência é que eles diminuam maciçamente até 2050 se a emissões de gases do efeito estufa não diminuírem em breve.
Problemas na cadeia alimentar dos oceanos será uma preocupação direta para centenas de milhões de pessoas que dependem de frutos do mar para o seu sustento, medicamentos e renda. A perda dos recifes de coral também poderá agravar a erosão costeira devido ao seu papel na proteção de linhas costeiras contra tempestades e ciclones.
Nagelkerken aponta que somente com a diminuição da poluição será possível dar uma chance para que as espécies se adaptem e possam se desenvolver novamente. Caso isso não ocorra em breve, os oceanos caminham para um grande colapso.

Estudo revela o que pode impedir o Brasil de atingir as metas do clima

Pelo site Pensamentoverde


Embora o país tenha conseguido avanços na redução de emissão de carbono na agricultura, florestas e solo, são as cidades que impedem resultados mais eficientes




A pesquisa demonstra que, se ações efetivas não forem feitas com foco nas cidades, as emissões de carbono podem aumentar entre 2020 e 2030.
A cientista Suzana Kahn, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), desenvolveu uma pesquisa a pedido da fundação americana Bloomberg Philanthropies para avaliar métodos de redução de emissões de gases nas áreas urbanas do Brasil.
Kahn contou com a parceria da pesquisadora Isabel Brandão e o trabalho das duas mostra que três áreas principais precisam de investimentos para que as cidades tenham gestões mais sustentáveis. Essas áreas são esgoto e lixo (resíduos), transporte e energia.
O Brasil é extremamente urbano, com 84% da população vivendo em cidades. Esse número tende a aumentar ainda mais nos próximos anos, o que pode gerar grandes colapsos nas cidades que já sofrem com infraestrutura e planejamento em meio ambiente defeituosos.
O resultado da pesquisa demonstra que se ações efetivas não forem feitas com foco nas cidades, as emissões de carbono do país podem voltar a aumentar entre 2020 e 2030. A presidente Dilma Rousseff irá apresentar na Conferência do Clima em Paris, que começa agora em dezembro, metas de redução de 43% das emissões até 2030. Essas metas dificilmente serão atingidas sem o suporte às cidades e nelas não constam propostas direcionadas especificamente às regiões urbanas.

Áreas problemáticas

O Brasil ainda possui menos de 50% de sua rede de esgoto coletado e, deste tanto, apenas 40% é tratado. Ele se encontra em 112º do mundo entre 200 países no Índice de Desenvolvimento Sanitário, da Organização Mundial da Saúde. Trata-se de um dado alarmante, já que coleta e tratamento de esgoto é um item básico ao desenvolvimento de qualquer cidade e causa impacto não somente no meio ambiente como também na saúde humana.
O consumo de eletricidade por residências e edifícios comerciais em áreas urbanas responde por 50% do consumo no país e também deixa de cumprir padrões modernos de uso dos recursos. Caso novos padrões de eficiência energética fossem cumpridos, cerca de 25.000 GWh poderiam ser economizados por ano, isso equivale a quase um mês de consumo de todo o Brasil.
O transporte é o setor que mais pode contribuir com as reduções e o que mais infla os altos índices de poluição. Já existe na Política Nacional de Mobilidade Urbana a autorização para que municípios restrinjam a circulação de veículos. Essa medida, caso aplicada com ainda mais rigor, pode reduzir 19,5 milhões de toneladas de CO2 até 2020, marca que corresponderia a anular quase que por completo as emissões numa cidade do porte do Rio de Janeiro durante um ano.
A cultura do uso do carro pessoal deve ser modificada e o investimento em transporte público de qualidade é um fator que pode contribuir com essas mudanças de comportamento, assim como a imposição de regras mais rígidas como os pedágios urbanos, já muito comuns em cidades da Europa, por exemplo.

Fitoenergética: a cura a partir das plantas

Pelo site Pensamentoverde


Especialista fala sobre o poder curativo das plantas e sua relação com as emoções das pessoas



As plantas possuem poderes curativos que poucas pessoas conhecem.
Quando se fala no poder de cura das plantas, automaticamente o conceito de medicina alternativa vem à cabeça, associado a incontáveis receitas de chá, remédios e até pratos culinários. Mas uma área que muita gente desconhece e de certa forma é pouco explorada por especialistas é a fitoenergética, ou fitoenergia, que aborda justamente a capacidade natural das plantas em transmitir equilíbrio, por meio de sua energia.
Cercados por uma rotina agitada, regrada por momentos de grandes emoções, as pessoas não fazem ideia dos benefícios que a própria natureza pode trazer para si mesmas, através da troca de boas sensações e seu poder curativo.
Em entrevista para a Rádio Nacional da Amazônia, a terapeuta Patrícia Cândido, responsável por dirigir estudos sobre a cura a partir das plantas, conversou com Mara Régia sobre o assunto, além de contar um pouco mais sobre sua participação em um encontro que reuniu mais de 300 pessoas sobre Fitoenergética à distância e seus benefícios.
Para abordar o tema, a especialista define as plantas como ‘termômetros do ambiente’, capazes de absorver sentimentos, sejam eles bons ou ruins, e até transmiti-los para as pessoas. “Muitas vezes uma pessoa vai à sua casa e uma planta murcha depois dessa visita. Não significa que é uma pessoa invejosa, ou que ela colocou mau olhado na planta, mas significa que a pessoa está em desequilíbrio”, exemplifica Patrícia.
A terapeuta explica que a fitoenergética é um sistema de cura natural que se caracteriza pela percepção das plantas sobre as emoções presentes no indivíduo, e de como isso pode ser alterado pela própria natureza. “Nós vivemos hoje num mundo muito agitado, com emoções conturbadas e conflitantes, e nós perdemos muita energia no dia a dia”, conta a pesquisadora.
Para desenvolvê-la, Patrícia cita algumas dicas pontuais sobre fitoenergia:
- Uso do Cravo da índia para estimular a energia mental, o raciocínio, a concentração e limpa a mente das preocupações. Para absorver seus benefícios, receitas de chá ou adição de saches em algumas refeições podem ser úteis.
- Para acalmar as emoções, a Camomila é a indicada, auxiliando o indivíduo a manter seu equilíbrio emocional. Em uma receita combinada com o Cravo da Índia, os efeitos fitoenergéticos podem ser potencializados.

Com cômodos giratórios, casa se adapta às estações do ano

Pelo site Ciclovivo


A Sharifi-Ha House foi projetada no Teerã, capital do Irã.


Em um país tropical, como o Brasil, as estações do ano não têm variações de clima tão significativas como em outros países, mas ainda assim diversas construções residenciais são inadequadas, deixando o ambiente ora muito quente ora muito frio. Uma solução talvez seja uma casa projetada no Teerã, capital do Irã, que pode se adaptar às mudanças de temperatura.
Batizada de Sharifi-Ha House, a construção possui módulos giratórios que mudam de posição com o simples toque de um botão. A estrutura pode girar em até 90º, quem decide é morador, de acordo com sua vontade ou necessidade.
A residência faz uso inteligente do espaço, de modo que, para os momentos de calor, é possível ampliar os ambientes, deixando o cômodo com mais entrada de luz e ventilação. Já nos dias frios, a casa pode ficar mais compacta, inclusive com aberturas mínimas para a parte externa.
O projeto do escritório Nextoffice também levou em consideração às necessidades dos moradores. O quarto de hóspedes, por exemplo, pode ser transformado em outro cômodo, caso não esteja em uso. Ambientes mais formais, como escritório, também podem mudar a “aparência”, adaptando-se a diversas ocasiões. Segundo o ArchDaily, o método para a criação dos módulos é o mesmo utilizado para a transformação das cenas teatrais.