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terça-feira, 3 de abril de 2018

5 formas rápidas e fáceis de reduzir seus rastros na internet

Pela BBC - Brasil
Logo do FacebookDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionEscândalo de Facebook e Cambridge Analytica levou usuários a refletirem sobre dados pessoais nas redes
Quer saber como proteger seus dados, reduzindo seus rastros na internet? O escândalo do Facebook e a consultoria Cambridge Analytica levou a uma reflexão sobre dados pessoais na rede. Usuários estão verificando como eles estão sendo armazenados e se estão sendo usados sem consentimento.
A empresa de análise de dados usou informações pessoais de mais de 50 milhões de perfis no Facebook, sem permissão, para construir um sistema que miraria eleitores americanos com anúncios políticos personalizados, baseados em seu perfil psicológico.
Talvez você soubesse que o Facebook e o Google guardam seus dados. Mas você sabe quantas informações têm sobre você?
Membros do coletivo Tactical Tech, um grupo sem fins lucrativos especialista em segurança digital, explicam como encontrar que informações sobre você estão armazenadas e como protegê-las.

1. Limpe seu perfil no Facebook

O Facebook dá a opção de fazer o download de todas as suas informações. Isso inclui suas publicações e compartilhamentos, fotos e todas as mensagens que você já mandou ou recebeu, entre outras coisas.
Para receber uma cópia, vá para "configurações", opção no canto esquerdo superior da página do Facebook. A última opção disponível diz "baixar uma cópia dos seus dados no Facebook". Você vai precisar digitar sua senha. Depois que solicitar o download, o resultado será enviado para você por e-mail.
De volta às configurações, na coluna da esquerda, uma das últimas opções é "aplicativos". Nessa opção, você pode remover todos os aplicativos que estão armazenando informações sobre você. Se lembra do teste que você fez há tempos? Ele provavelmente armazenou muitos dados seus.
Clique, então, em "aplicativos". Na página que surge, você pode ver quais têm acesso a certos dados seus. O Facebook informa que eles têm acesso à sua lista de amigos, por exemplo.
Na opção "aplicativos, sites e plug-ins", é possível "editar". Clique nessa opção e em seguida em "desativar plataforma" - essa opção excluirá todas as conexões entre o Facebook e aplicativos de fora, como jogos, de música (como o Spotify), paquera (Tinder, por exemplo), entre outros. Você também pode deletar apenas os aplicativos que não deseja manter conectados ao Facebook.
Depois, em "aplicativos que outras pessoas usam", é possível retirar a seleção de informações disponíveis para aplicativos usados por amigos. Sua biografia, data de nascimento, informações sobre educação e trabalho, por exemplo, são alguns dos dados acessados por esses aplicativos. Para evitar que essas informações sigam sendo compartilhadas, desmarque-as e clique em "salvar".
Tela de computador mostrando o GoogleDireito de imagemGETTY IMGAES
Image captionGoogle armazena seu histórico de busca, atividade em aplicativos, histórico de localização, entre outros

2. Google, quanto você sabe a meu respeito?

É bem provável que você utilize algum produto do Google todos os dias. A empresa conhece você mais do que qualquer pessoa.
Entre no Google e faça o login na sua conta, no canto direito superior. Depois, clique na sua foto ou no logo do Google, também no canto direito superior, e selecione "Minha conta".
Acesse a coluna central, "informações pessoais e privacidade". Em "minha atividade" - ou diretamente no link https://myactivity.google.com/myactivity - você poderá ver tudo o que o Google armazena sobre você.
São informações como: todos os sites que você acessou, caso utilize o navegador Chrome, as pesquisas que você fez no Google, anúncios e buscas no Google Maps.
Agora, clique em "excluir atividade por". Nessa opção, você poderá deletar o histórico das suas atividades que foi armazenado pelo Google.
Mas ainda é preciso impedir que a empresa siga coletando seus dados. Por isso, clique em "controles de atividade" - https://myaccount.google.com/activitycontrols. Nessa página, você pode "pausar" todos os dados que são salvos diariamente, como sua atividade em aplicativos, histórico de localização, informações de dispositivo, atividade de voz e áudio e histórico de pesquisa e exibição no YouTube.
Assim como no Facebook, você pode fazer o download de todas as informações que o Google tem sobre você.
Acesse a página google.com/takeout. O resultado costuma ser um arquivo enorme com antigos históricos de busca, dados de calendário, páginas favoritas, vídeos do YouTube que você viu, enfim, uma infinidade de coisas.
Mapa em um celularDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionSeu celular também armazena onde você esteve e quando

3. Vamos aos seus históricos de localização

Se você usa um smartphone, há grandes chances de que tenha cedido a aplicativos detalhes de quem você é, onde vive e aonde vai.
Para verificar como seu telefone armazena seus passos, siga estes:
- Android: Abra o Google Maps, acesse o "menu" e clique na sua "Linha do tempo".
- Iphone: Vá em "Ajustes", depois "Privacidade" e "Serviços de localização". No fim do menu, clique em "Serviços do Sistema". Ali, pode verificar item por item para ver como é o armazenamento de dados da sua localização.
No computador, vá para a página: https://www.google.com/maps/timeline. Clique em "gerenciar histórico de localização".
Se quiser negar o acesso dos aplicativos à sua localização:
- Android: Vá para "Configurações", "Aplicativos", "Permissões de aplicativos", "Localização"
- Iphone: "Ajustes", "Privacidade", "Serviços de localização" e gerencie um por um o acesso dos aplicativos
Navegador em um laptopDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNavegadores estão automaticamente configurados para armazenar alguns dados de usuários

4. Use um navegador anônimo

Já reparou que depois de navegar por um site de compras, os produtos que você havia pesquisado aparecem em outras páginas que você visita?
Isso acontece por causa de rastreadores colocados nos sites. Eles ficam coletando dados por trás dos panos, incluindo suas buscas, sites que você visita e seu endereço IP (número de registro de computadores).
A má notícia é que nenhuma configuração de navegar é naturalmente privada. A maioria armazena "cookies", arquivos de internet que guardam temporariamente o que o internauta está visitando na rede. Também guardam o seu histórico de navegação, gravam conteúdo de formulários preenchidos e outras informações, que podem ser compartilhadas.
Mas o Chrome, do Google, Firefox e o Safari oferecem um modo de navegação "anônimo" que automaticamente deleta seu histórico de navegação, cookies e arquivos temporários toda vez que você fecha a página.
Tente você mesmo: abra seu navegador (Firefox, Chrome ou Safari) e vá para o menu. Depois, escolha "nova janela de navegação anônima".
Nas preferências de navegação do Firefox e do Safari, você pode escolher navegar de forma anônima permanentemente.
Celular com aplicativos na telaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionEspecialistas recomendam deletar do celular aplicativos que você não usa

5. Você precisa mesmo de todos seus aplicativos?

Você sabe quantos aplicativos tem no seu celular? Tente adivinhar e depois pegue seu celular e conte quantos são.
Mais do que você imaginava? Delete alguns. Essas perguntas podem te ajudar a decidir de quais você pode abrir mão:
- Você realmente precisa desse aplicativo?
- Quando que você usou o aplicativo pela última vez?
- Que dados ele pode armazenar?
- Que empresa está por trás do aplicativo?
- Você confia na empresa?
- Você conhece seus termos de privacidade?
- Que benefício você está ganhando em troca da cessão dos seus dados?

A enorme fenda que pode separar o Chifre da África do resto do continente

Pela BBC - Brasil


Cratera no QuêniaDireito de imagemREUTERS
Image captionA estrada que liga as cidades quenianas de Narok e Nairobi foi atravessada pela fenda que se abriu no mês passado no sudoeste do país

Em Mai Mahiu, um pequeno vilarejo rural no sudoeste do Quênia, a 50 km da capital, Nairobi, ocorrem há algumas semanas chuvas intensas, inundações e tremores. Mas, em 18 de março, algo estranho aconteceu: a terra começou a se abrir.
"Minha mulher começou a gritar para os vizinhos, pedindo ajuda para tirar nossos pertences de casa", contou Eliud Njoroge à agência de notícias Reuters.
Desde então, a fenda no piso de cimento de sua casa não parou de crescer, fazendo com que a família de Njoroge e muitas outras fosse
"As fendas correm quase em linha reta, então, dá para projetar para onde vão. Se você vê uma vindo em sua direção, você sai dali correndo", disse o geólogo David Adede à Reuters.
A enorme fissura já tem quilômetros de comprimento e alguns metros de largura. Ela está ligada a uma falha tectônica conhecida como Vale do Rift, ou Vale da Grande Fenda, na África Ocidental.
Segundo os geólogos, esse é um sinal de que, daqui a dezenas de milhões de anos, a África pode ser separada em duas.

Pessoas olham a fenda no QuêniaDireito de imagemREUTERS
Image captionA fissura já levou a evacuações de zonas rurais no sudoeste do Quênia e seguirá se expandindo pelo continente

África sem o Chifre

Assim como ocorreu com a América do Sul, separada da África há 138 milhões de anos, os geólogos estimam que chegará um momento em que o Chifre da África também se desprenderá do continente.
O Vale da Grande Fenda se estende por mais de 3 mil km, "desde o Golfo de Adén, no norte, até o Zimbábue, no sul, dividindo a placa africana em duas partes iguais", afirma a geóloga Lucía Pérez Díaz na revista científica The Conversation.
A pesquisadora do Grupo de Investigação de Falhas Dinâmicas da universidade Royal Holloway defende que "a atividade ao longo da parte oriental do Vale da Grande Fenda, que corre ao longo da Etiópia, Quênia e Tanzânia, tornou-se evidente quado a grande fissura apareceu repentinamente no sudoeste do Quênia".
Para Pérez Díaz, a fenda é única no planeta, porque permite observar as diferentes etapas de seu processo de fissura ao vivo.

Mapa no QuêniaDireito de imagemISTOCK
Image captionMapa no Quênia mostra como a fenda pode, daqui a milhões de anos, separar uma parte do continente

A fratura mais interessante, escreve, começou na região de Afar, no norte da Etiópia, há cerca de 30 milhões de anos. Desde então, está se propagando rumo ao sul, na direção do Zimbábue, a uma média de 2,5 a 5 centímetros por ano.
Atualmente em Afar, a camada exterior sólida da Terra, chamada de litosfera, tem sido reduzida a ponto de a ruptura ser quase completa.
Quando a quebra estiver completa, detalha Pérez Díaz, um novo oceano começará a se formar e, "em um período de dezenas de milhões de anos, o leito marinho avançará ao longo de toda a fenda".
"O oceano inundará e, como resultado, o continente africano ficará menor, e haverá uma grande ilha no Oceano Índico composta por partes da Etiópia, Somália, incluindo o Chifre da África", afirma.

Como é o 'Satan 2', o míssil intercontinental 'invencível' testado pela Rússia

Pela BBC - Brasil

Samart o Satan 2Direito de imagemEPA
Image captionSarmat, ou 'Satan 2', foi anunciado pela Rússia como uma arma "invencível"
O governo da Rússia afirma ser uma de suas mais poderosas armas. E a qualifica como "invencível", "indetectável" e "sem limitação de alcance", capaz de cruzar os polos e de provocar o mesmo impacto tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.
A confirmação de que os russos estavam construindo um supermíssil veio no ano passado, mas foi somente no início deste mês que o presidente Vladimir Putin garantiu que os testes desse novo sistema haviam "entrado em uma fase ativa".
O Ministério da Defesa da Rússia anunciou na sexta-feira que aprovou com êxito seu novo míssil balístico intercontinental, o RS-28 Sarmat, que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) chama de "Satan 2".
Os russos publicaram um vídeo de seu lançamento e, de acordo com a agência estatal Sputnik, o míssil foi disparado a partir da base Plesetsk, em Arkhangelsk, perto do Circulo Polar Ártico. Foi o segundo teste de que se tem notícia, desde dezembro passado.
Segundo o comunicado, o Sarmat é "capaz de atacar alvos através do Polo Norte e do Polo Sul" e pode chegar a pontos tão distantes como os EUA e a Europa.
Depois do lançamento, o porta-voz do Pentágono, Johnny Michael, assegurou que os EUA não receberam nenhum aviso de Moscou sobre o teste. "Deixo para o Ministério da Defesa da Rússia explicar onde um teste de ejeção se enquadra nos estágios iniciais do desenvolvimento de um programa de mísseis intercontinentais e até onde o objeto em questão viajou", disse Michael.
misilDireito de imagemEPA
Image captionO míssil foi lançado a partir de Plesetsk, próximo ao Círculo Polar Ártico
Até o momento, não se sabe o alcance real do míssil testado na sexta tampouco a trajetória que ele percorreu.
Segundo a Estrela Vermelha, publicação do Ministério de Defesa russo, o exercício realizado na sexta foi um pré-lançamento e representa a continuidade da primeira etapa das fases de voo.
A agência Sputnik, por sua vez, estima que o míssil estará em funcionamento a partir de 2021 e que a produção em série vai começar em 2020.

'Satan 2'

O míssil está entre o arsenal de novas armas nucleares "invencíveis" que Putin apresentou há um mês - que inclui um míssil de cruzeiro nuclear e um míssil intercontinental hipersônico.
De acordo com o repórter da BBC Richard Galpin, o Sarmat é apresentado com um substituto para os mísseis Voyevoda (chamados de Satan 1), da era soviética, ainda que tenha capacidade bem maior que a versão do passado.
Acredita-se que o sistema esteja sendo desenvolvido pelo menos desde 2011 e que tenha um peso de aproximadamente 200 toneladas.
Vladimir PutinDireito de imagemAFP
Image captionPutin apresentou um conjunto de armas que classificou como "invencíveis" no dia 1 de março
Segundo a apresentação de Putin, o Sarmat tem um alcance maior que o do Satan 1, o que o permitiria voar sobre os polos e atacar objetos em qualquer parte do planeta.
Ele teria uma fase de voo ativa curta - por isso seria mais difícil de ser interceptado por sistemas de defesa antimísseis -, seu alcance seria mais longo e teria ogivas mais poderosas.
A agência de notícia estatal russa TASS já havia antecipado em 2016 que o míssil teria um alcance que iria além de 11 mil quilômetros (quase o diâmetro da Terra, que tem 12.742 quilômetros) e suas ogivas pesariam mais de 100 toneladas.
No entanto, muitos especialistas duvidaram dos dados divulgados, questionando se eram informações reais ou se faziam parte do sistema de propaganda russo.
Cena de vídeo mostrado por Putin com cinco ogivas sendo lançadasDireito de imagemEPA
Image captionO Sarmat, ou 'Satan 2', seria capaz de lançar ogivas em diferentes alvos, segundo Putin
Estimativas feitas por outros especialistas, a partir dos dados fornecidos pelo governo russo, consideram que o míssil poderia transportar até 10 cargas atômicas.
Uma das principais inovações, segundo Putin, é a capacidade de levar uma grande quantidade de ogivas guiadas, o que significa que poderia fazer lançamentos individuais sobre alvos distintos.
"Estará equipado com uma ampla gama de ogivas nucleares de alto rendimento, incluída as hipersônicas e os sistemas mais modernos de penetração de defesa antimíssil", explicou Putin no início de março.
Além disso, ele afirmou que "o novo sistema praticamente não tem limites de alcance" e que era "indetectável".
armasDireito de imagemEPA
Image captionO míssil estaria sendo desenvolvido pelo menos desde 2011, mas somente no ano passado veio a confirmação oficial
"Devido a suas características, nenhum sistema de defesa antimíssil, nem mesmo os futuros, é um obstáculo. Ele é invencível", completou o presidente russo.
Mas muitos especialistas consideraram exageradas as afirmações de Putin, em especial porque não levar em conta os possíveis avanços de tecnologia antimíssil. Outros ponderam, contudo, que o já existente Voyevoda há anos facilmente superaram mecanismos de defesa antimísseis dos Estados Unidos.
O anúncio da Rússia aumenta a receio de que uma nova corrida nuclear possa estar por acontecer. Outras potências, como a China, também trabalham suas próprias armas de nova geração e o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu recentemente que se aumente o arsenal nuclear do país.

O que são os telômeros, a chave do envelhecimento estudada pelos cientistas

Pela BBC - Brasil
Ilustração do encurtamento dos telômerosDireito de imagemISTOCK
Image captionA longitude dos telômeros é um marcador biológico do envelhecimento
O nome vem do grego - significa "parte final", exatamente o que são os telômeros: as extremidades dos cromossomos, como aquelas pontas de plástico dos cadarços do tênis. Eles são partes do DNA muito repetitivas e não codificantes - sua função principal é proteger o material genético que o cromossomo transporta.
Na medida em que nossas células se dividem para se multiplicar e para regenerar os tecidos e órgãos do nosso corpo, a longitude dos telômeros vai se reduzindo e, por isso, com o passar do tempo, eles vão ficando mais curtos.
Quando finalmente os telômeros ficam tão pequenos que já não são mais capazes de proteger o DNA, as células param de se reproduzir: alcançam um estado de "velhice".
Por isso, a longitude dos telômeros é considerada um "biomarcador de envelhecimento chave" no nível molecular, embora não seja o único. Nos últimos anos, esse aspecto tem chamado a atenção de diversos pesquisadores.

Qual é o tamanho dos telômeros e em quanto tempo eles se deterioram?

Estrutura molecular do DNADireito de imagemBEHOLDINGEYE/ISTOCK
Image captionUm quilobase é uma unidade de medida da biologia molecular igual a mil pares de nucleotídeos, o que significaria 1 mil 'pedaços' na cadeia helicoidal de nosso material genético
A longitude dos telômeros é medida em "pares de base", que são os pares de nucleotídeos opostos e complementares que estão conectados por ligações de hidrogênio na cadeia do DNA. A longitude dos telômeros varia muito entre espécies distintas.
No caso dos humanos, a longitude dos telômeros se deteriora passando de uma média de 11 quilobases no nascimento para cerca de 4 quilobases na velhice.
Um quilobase é uma unidade de medida da biologia molecular igual a mil pares nucleotídeos - que formam DNA e RNA -, o que significaria mil 'pedaços' na cadeia helicoidal de nosso material genético.

É possível intervir nos telômeros?

Em 2009, três pesquisadores americanos obtiveram o prêmio Nobel de medicina por seu trabalho sobre o envelhecimento das células e sua relação com o câncer.
Elizabeth Blackburn, Carol Greider e Jack Szostak pesquisaram os telômeros e descobriram que a enzima telomerase pode proteger os cromossomos do envelhecimento - pode fazer com que eles regenerem os telômeros e, assim, prolongar a vida deles.
Essa enzima ajuda a impedir o encolhimento dos telômeros com a divisão celular, o que ajuda a manter a juventude biológica das células.
Grande parte das pesquisas sobre telômeros não tem a ver com uma aspiração estética de longevidade, mas sim com a potencial cura de doenças.
A espanhola María Blasco, que trabalhou nos Estados Unidos com Greider, agora é diretora do Grupo de Telômeros e Telomerasa do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas da Espanha.
Mulher idosa com óculos de sol sorrindoDireito de imagemGETTY
Image captionConter o envelhecimento das células não necessariamente leva a um efeito anti-idade 'estético'
Blasco liderou o desenvolvimento de uma nova técnica que bloqueia a capacidade do glioblastoma, um dos cânceres cerebrais mais agressivos, de se regenerar e reproduzir, atacando precisamente os telômeros das células cancerígenas.
Em testes com ratos, a equipe dela conseguiu reduzir o crescimento dos tumores e aumentar a sobrevivência dos animais, algo que poderia abrir as portas para alternativas potenciais de tratamento em humanos.
Mas Blasco e sua equipe continuam pesquisando também com estratégias invertidas, conforme explicou à BBC.
A intenção é ativar a telomerase de uma forma que seja possível curar pessoas que estão morrendo de doenças raras por mutações genéticas associadas a telômeros muito curtos.

Segredo da juventude?

Mas conter o envelhecimento de células não necessariamente tem como consequência um efeito anti-idade em todo o corpo.
Segundo a médica Carmen Martin-Ruiz, pesquisadora sobre envelhecimento do Instituto de Neurociência da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, o tamanho dos telômeros de uma pessoa pode determinar o quão "forte" ela é biologicamente.
"Quando uma pessoa tem os telômeros mais longos, é porque ela tem mecanismos metabólicos que o protegem", disse a especialista à BBC.
"É como se o seu corpo tivesse sistemas de defesa melhores", explicou.
Mas um dos problemas atuais das pesquisas científicas neste campo, segundo a especialista, é que não existe um método padrão e universal para medir os telômeros.
Homem idoso no parqueDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionGrande parte das pesquisas sobre os telômeros não tem como foco a estética, mas sim a intenção de encontrar potencial cura para doenças
Um estudo recente dos Estados Unidos concluiu que a maternidade encurtou mais os telômeros das mulheres do que o tabaco ou a obesidade, enquanto outra pesquisa feita entre mulheres maias - menor, porém com uma metodologia "mais complexa", segundo Martin-Ruiz - chegou à conclusão oposta: que a maternidade fazia as mulheres ficarem biologicamente mais jovens, já que suas células tinham telômeros mais longos.
Martin-Ruiz afirma que cada laboratório utiliza técnicas e metodologias diferentes, o que torna difícil comparar estudos e resultados, porque os cálculos podem ser interpretados de muitas formas diferentes.
De qualquer maneira, há um grande grupo de cientistas que está pesquisando aspectos distintos do envelhecimento humano, incluindo os telômeros, as mitocôndrias, a forma das proteínas e muitos outros aspectos desse processo.