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domingo, 1 de novembro de 2020

'Somos a espécie mais perigosa da história': cinco gráficos sobre o impacto da atividade humana na biodiversidade

Pela BBC Brasil


Membros do WWF chegam a um local de garimpo ilegal de ouro na Guiana Francesa.
Legenda da foto,

Os humanos estão causando a extinção de outras espécies através da caça, mineração, pesca predatória e derrubada de florestas.

A atividade humana está destruindo a natureza, causando uma aceleração alarmante na extinção de espécies da flora e fauna.

Alguns líderes mundiais têm prometido diversas ações para tentar resolver o problema. Mas elas vão ser suficientes?

O que é biodiversidade e por que ela é importante?

Biodiversidade é a variedade de seres vivos na Terra e os ecossistemas aos quais eles pertencem, que fornecem oxigênio, água, alimentos e inúmeros outros benefícios.

Recentemente, um conjunto de relatórios e estudos alertou sobre o atual estado da natureza. Veja-os em gráficos:

Gráfico

"Não temos tempo para esperar. A perda da biodiversidade, a perda da natureza, está em um nível sem precedentes na história da humanidade", diz Elizabeth Mrema, secretária-executiva da Convenção sobre Diversidade Biológica, da ONU. "Somos a espécie mais perigosa da história mundial."

Os humanos estão causando a extinção de outras espécies por meio da caça, pesca predatória e derrubada de florestas.

Somos quase inteiramente responsáveis ​​pela extinção de várias espécies de mamíferos nas últimas décadas, de acordo com um estudo recente publicado na revista especializada Science Advances.

E as previsões sugerem que outras 550 espécies de mamíferos serão perdidas neste século, se continuarmos no caminho atual.

Gráfico

Como podemos sair do caminho da destruição?

Abandonar o modelo devastador que adotamos exigirá grandes mudanças.

Na Cúpula da ONU sobre biodiversidade, realizada no dia 30 de setembro em Nova York, o secretário-geral da entidade, Antonio Guterres, afirmou que "a humanidade está travando uma guerra contra a natureza e precisamos reconstruir essa relação".

grafico

Qual é o plano para o futuro?

Os países estão sendo instados a assinar um acordo, que representaria para a biodiversidade o que o acordo climático de Paris foi para as mudanças climáticas.

Isso se enquadra no que se conhece como Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), tratado internacional firmado na chamada "Cúpula da Terra" realizada no Brasil em 1992.

Gráfico

Este acordo tem três objetivos: a conservação da diversidade biológica; o uso sustentável de seus componentes; e a repartição justa e equitativa dos benefícios derivados do uso dos recursos genéticos.

Os países tinham até este ano para atingir as metas estabelecidas há uma década, que vão desde conter a extinção até reduzir a poluição e preservar as florestas.

Gráfico

Apesar de alguns avanços, nenhum dos objetivos foi alcançado.

Agora, os líderes mundiais estão sendo chamados a assinar um pacto para salvar a biodiversidade do planeta por meio de um plano que prioriza a vida selvagem e o clima.

Segundo a comunidade científica, não é tarde para reverter o declínio da natureza, mas é preciso muito empenho e o real cumprimento de promessas.

Tsunamis no Ártico: a mais nova e perigosa ameaça das mudanças climáticas

BBC News Mundo 


Montanhas, geleira e água
Milhões de toneladas de rocha e gelo podem deslizar para o oceano, produzindo tsunamis, em partes do Alasca

Barry Arm é uma estreita entrada do mar na costa sul do Alasca. Esta pequena área, porém, representa hoje uma ameaça com potenciais catastróficos.

Geólogos acreditam que as mudanças climáticas podem produzir ali um deslizamento de gelo e pedras capaz de provocar um tsunami na região.

Este seria apenas um dos "possíveis efeitos devastadores" das mudanças climáticas no Alasca e em outras regiões do Ártico, segundo a pesquisadora Anna Liljedahl — e eles poderiam aparecer já nos próximos anos.

A geóloga diz à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, que a preocupação sobre o Barry Arm é muito grande porque ele poderia gerar um deslizamento muito maior do que todos os vistos no século 20.

"São fenômenos diferentes dos que conhecíamos antes. E o pior é que acreditamos que eles se tornarão cada vez mais frequentes", diz a geóloga, do Centro de Pesquisa Woods Hole, no Alasca.

Ela acrescenta que a energia de um deslizamento de terra como este poderia exceder a de um terremoto de magnitude 7.

"Esta é uma combinação muito perigosa e é apenas um dos exemplos dos perigos que temos no Alasca", diz ele.

Frente a esses alertas, a Divisão de Estudos Geológicos e Geofísicos do Alasca expressou cautela e afirmou que monitora permanentemente possíveis movimentos de terra e deslizamentos na área.

O órgão diz ainda que produz modelos para prever o tamanho que um tsunami poderia ter — e como se espalharia.

A preocupação

Montanhas nevadas no Alasca
Além de ameaçar vidas, catástrofes trazidas pelas mudanças climáticas no Alasca impactariam também atividades econômicas como pesca e turismo

O estreito de Barry Arm está localizado na Baía de Prince William Sound, no Golfo do Alasca.

É uma área com presença frequente de pescadores e que, antes da pandemia, também recebia turistas em navios de cruzeiro.

Um deslizamento de milhões de toneladas poderia acabar com essas atividades econômicas locais por tempo indeterminado, além de colocar centenas de vidas em risco.

Steve Masterman, diretor da Divisão de Estudos Geológicos e Geofísicos do Alasca, lembra que o maior tsunami da história aconteceu no Alasca, em 1958, produzindo uma onda de 520 metros.

Ele observa que as rochas liberadas naquela ocasião tinham apenas um décimo do tamanho de um deslizamento de terra hipotético em Barry Arm.

O paulatino degelo do permafrost, camada de solo congelado existente em regiões como Alasca, Nordeste do Canadá, Groenlândia (Dinamarca) ou Sibéria (Rússia), é apontado como um dos principais fatores de risco para tsunamis.

"O permafrost mantém a terra unida e, quando o gelo se transforma em água de repente, as condições mudam e o solo pode se mover", explica Liljedahl.

A geóloga ressalta que fazer uma previsão é complexo, pois é difícil fazer um diagnóstico do comportamento e condições dessa camada congelada, apesar das inúmeras simulações computacionais já feitas por pesquisadores.

"Precisamos realmente saber um pouco mais para determinar o quão perigoso seria o deslizamento. É por isso que acreditamos ser necessário produzir conhecimento sobre essa ameaça", diz ele.

Liljedahl, assim como Masterman e um grupo de cientistas, escreveram uma carta pública no meio do ano alertando sobre o risco deste deslizamento de terra e de um tsunami.

Outros perigos

Vista área mostra mar e faixas de terra no Ártico
O Ártico é uma das partes do mundo mais vulneráveis às mudanças climáticas

O Alasca não é a única região em perigo, explica a geólogo do Centro de Pesquisas Woods Hole.

British Columbia, uma província no noroeste do Canadá, e a Noruega também enfrentam a possibilidade de deslizamentos de terra e tsunamis devido às mudanças climáticas.

"À medida que o aquecimento global continua derretendo geleiras e o permafrost, tsunamis produzidos por deslizamentos de terra se apresentam como uma grande ameaça", explica ela.

No século passado, 10 dos 14 maiores tsunamis registrados ocorreram em áreas montanhosas glaciais — como na Baía de Lituya, Alasca, no tsunami de 1958.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Equação que estima vida alienígena é aplicada à pandemia de covid-19

Redação do Site Inovação Tecnológica


Equação de Drake é aplicada à pandemia de covid-19
Os parâmetros para estimar a existência de civilizações extraterrestres foram ajustados para prever o risco de transmissão da covid-19.
[Imagem: Marissa Lanterman/Johns Hopkins University]

Equação de Drake aplicada à pandemia

A Universidade Johns Hopkins, nos EUA, tornou-se referência mundial durante a pandemia ao compilar dados globais da covid-19, que são usados pela imprensa e pelas autoridades de saúde.

Mas uma equipe da Escola de Engenharia daquela mesma universidade acredita que é possível ir bem mais longe do que compilar dados do que já aconteceu.

Como tem-se mostrado extremamente difícil prever as ondas da pandemia e os efeitos das diversas medidas adotadas para tentar conter a disseminação da doença, Rajat Mittal e seus colegas foram buscar uma ferramenta que poucos pensariam em utilizar para questões de saúde pública.

A ferramenta é a famosa Equação de Drake, uma fórmula matemática de apenas sete variáveis que o astrônomo Frank Drake desenvolveu em 1961 para estimar a probabilidade de encontrar vida alienígena inteligente na Via Láctea.

Quanto aos ETs, diversas interpretações da equação já deram resultados indicando que existem 36 civilizações inteligentes na Via Láctea ou que, se você não acredita em ETs, está contra as probabilidades.

Mas Mital e seus colegas decidiram aplicar a metodologia para calcular as chances de uma pessoa ser contaminada pela covid-19 pelo ar.

"Ainda há muita confusão sobre as vias de transmissão da covid-19. Isso ocorre em parte porque não há uma 'linguagem' comum que facilite o entendimento dos fatores de risco envolvidos," disse Mittal. "O que realmente precisa acontecer para alguém se infectar? Se pudermos visualizar esse processo de forma mais clara e quantitativa, poderemos tomar melhores decisões sobre quais atividades retomar e quais evitar."

Equação de Drake é aplicada à pandemia de covid-19
Embora haja muitas incertezas, os resultados relativos permitem comparar medidas de proteção.
[Imagem: Rajat Mittal et al. - 10.1063/5.0025476]

Cálculo do risco de transmissão da covid-19

O que está claro é que a covid-19 é mais comumente transmitida de pessoa para pessoa pelo ar, através de pequenas gotículas respiratórias geradas por tosse, espirro, fala ou respiração.

Mas o risco de se infectar depende muito das circunstâncias. Por isso, o modelo da equipe ampliou a Equação de Drake de sete para 10 variáveis de transmissão, incluindo as taxas de respiração das pessoas infectadas e não infectadas, o número de gotas transportadoras do vírus expelidas, o ambiente circundante e o tempo de exposição.

Multiplicadas juntas, essas variáveis geram um cálculo da possibilidade de um indivíduo ser infectado com covid-19 que a equipe batizou de "desigualdade do Contágio por Transmissão Aérea" (CTA).

A equação não dá respostas diretas e fáceis: Dependendo do cenário, a previsão de risco da desigualdade CTA pode variar muito. Mas, dados os mesmos parâmetros, a comparação entre situações pode ser útil.

Considere o caso de uma academia, por exemplo. A imprensa tem falado exaustivamente que fazer exercícios em uma academia pode aumentar suas chances de pegar covid-19, mas quão arriscado é realmente? "Imagine duas pessoas em uma esteira na academia; ambas respiram com mais dificuldade do que o normal. A pessoa infectada está expelindo mais gotas e a pessoa não infectada está inalando mais gotas. Nesse espaço confinado, o risco de transmissão aumenta em 200 vezes," citou o pesquisador.

A equipe destaca que o modelo pode ser útil para quantificar o valor do uso de máscaras e do distanciamento social. Se ambas as pessoas - contaminada e não contaminada - estiverem usando máscaras N95, o risco de transmissão é reduzido por um fator de 400, ou seja, menos de 1% de chance de pegar o vírus. Mas mesmo uma máscara simples de tecido reduz significativamente a probabilidade de transmissão, de acordo com o modelo.

A equipe também descobriu que o distanciamento social tem uma correlação linear com o risco: Se você dobrar a distância, você dobra o fator de proteção, ou reduz o risco pela metade.

Equação de Drake é aplicada à pandemia de covid-19
A equipe concluiu que há mais variáveis envolvendo a transmissão de covid-19 pelo ar do que aquelas envolvendo ETs.
[Imagem: Rajat Mittal et al. - 10.1063/5.0025476]

Ajuste dos parâmetros

Como acontece com a previsão da existência de civilizações alienígenas e com a maioria dos modelos de covid-19, algumas variáveis são conhecidas e outras ainda são um mistério. Por exemplo, ainda não sabemos quantas partículas do vírus SARS-CoV-2 inaladas são necessárias para desencadear uma infecção. Variáveis ambientais, como vento ou sistemas de ar-condicionado também são difíceis de especificar com precisão.

"Com mais informações, é possível calcular um risco bem específico. De maneira mais geral, nosso objetivo é apresentar como todas essas variáveis interagem no processo de transmissão," disse Mittal. "Acreditamos que nosso modelo pode servir como base para estudos futuros que irão preencher essas lacunas em nosso entendimento sobre a covid-19 e fornecer uma melhor quantificação de todas as variáveis envolvidas em nosso modelo."

Bibliografia:

Artigo: A mathematical framework for estimating risk of airborne transmission of COVID-19 with application to face mask use and social distancing
Autores: Rajat Mittal, Charles Meneveau, Wen Wu
Revista: Physics of Fluids
Vol.: 32, 101903
DOI: 10.1063/5.0025476

Estudantes de Pernambuco criam repelente com canela e hortelã para combater Aedes aegypti

Pelo site CicloVivo


Solução é mais eficiente do que repelentes industrializados e não usa produtos químicos perigosos para saúde e meio ambiente 

repelente aedes canela hortelã
Foto: Divulgação

Cinco estudantes do 1º ano do Ensino Médio de uma escola em Ipojuca, em Pernambuco, desenvolveram aromatizante e larvicida à base de canela e hortelã com capacidade de combate ao mosquito Aedes aegypti com mais eficácia do que repelentes industrializados.

O projeto é finalista do Prêmio Respostas para o Amanhã, iniciativa global da Samsung que desafia alunos e professores da rede pública de ensino de todo o país a desenvolverem soluções para problemas locais com experimentação científica e/ou tecnológica por meio da abordagem STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

A ideia teve como motivação um grande aumento em Pernambuco, em 2019, do número de casos de dengue, zika e chikungunya, doenças que, assim como a febre amarela, são transmitidas pelo Aedes aegypti.

O grupo de iniciação cientifica da Escola de Referência em Ensino Médio de Ipojuca, cidade com cerca de 85 mil habitantes que compõe a Região Metropolitana do Recife, buscou uma maneira de barrar o desenvolvimento do mosquito em todos os seus estágios utilizando apenas substâncias orgânicas.

Plantas medicinais

“ESTUDAMOS PLANTAS MEDICINAIS DA REGIÃO QUE DEMONSTRASSEM EFICIÊNCIA SUFICIENTE PARA NÃO SER NECESSÁRIO O ACRÉSCIMO DE PRODUTOS QUÍMICOS E TÓXICOS QUE PODERIAM COMPROMETER O MEIO AMBIENTE E A SAÚDE HUMANA”.

“Conseguimos resultados muito promissores com a combinação dos óleos essenciais das plantas hortelã-pimenta e canela, eliminando larvas e mosquitos em 30 minutos, enquanto inseticidas industriais levam horas. Não encontramos registro científico desse resultado, é algo inovador a ser estudado pela comunidade científica”, contou Carlos José de Souza Júnior, professor de Matemática do 1º ano do Ensino Médio da Escola de Referência em Ensino Médio de Ipojuca.

Laboratório com materiais reciclados

Para a descoberta, foram necessárias adaptações para que fossem respeitadas as orientações de distanciamento social. Cada um dos cinco estudantes do projeto recebeu em casa um kit de laboratório reciclado, confeccionado com material de papelão, isopor e madeira MDF.

Para captar os óleos essenciais das plantas, também foi desenvolvido um destilador de araste a vapor sustentável para cada um dos participantes do projeto, utilizando tubos PVC 40, madeira e chapas de alumínio reaproveitada, garrafas PET, mangueiras de nível, motor DC 9V de impressora ou aparelhos de DVD, conectores e pilhas.

“O nosso maior desafio foi levar o ensino para a casa do aluno, mantendo nosso foco em sustentabilidade. Assim, também desenvolvemos uma utilização mais segura do biorrepelente, que não pode ser colocado na pele humana, devido ao risco de reações alérgicas. Nossa solução foi utilizá-lo em um aromatizador de ambiente capaz de repelir os mosquitos”, contou o professor Carlos José de Souza Júnior.

“Criamos um difusor elétrico sustentável, utilizando carregadores de celulares em desuso com uma tensão a partir de 5V e de 1,5A, latinhas de alumínio de refrigerantes ou desodorante aerossol, fio de níquel cromado para a resistência e estanho para soldagem e algodão”.

Desenvolvimento Sustentável

consumo consciente instituto akatu
Foto: iStock

“Com a proposta de combate ao Aedes aegypti utilizando produtos de fácil acesso em todas as etapas, o projeto vindo de Ipojuca atende importantes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) indicados pela Organização das Nações Unidas e que são incentivados pelo Prêmio Respostas para o Amanhã, promovendo educação de qualidade, oportunidade de aprendizagem, soluções sustentáveis e incentivo a uma vida saudável”, afirmou Isabel Costa, Gerente de Cidadania Corporativa da Samsung Brasil.

“Em um ano marcado pela adoção do ensino remoto, professores e estudantes se reinventaram e apresentaram uma série de projetos relevantes que conversam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para atender às demandas locais”, disse Anna Helena Altenfelder, Diretora Executiva e Presidente do Conselho de Administração do CENPEC Educação, instituição que faz a coordenação técnica do Prêmio Respostas para o Amanhã.

Prêmio Respostas para o Amanhã

O projeto desenvolvido em Ipojuca é um dos finalistas da edição atual do Prêmio Respostas para o Amanhã. Todos os 10 contemplados já recebem mentoria online desde setembro, quando foram definidos os 20 semifinalistas, e continuarão com esse apoio contínuo no desenvolvimento da proposta até o anúncio dos vencedores, em 19 de novembro.

Mesmo em um cenário atípico de distanciamento social, o programa atraiu 1749 estudantes, 997 professores e 303 escolas públicas diferentes somente nesta sétima edição brasileira. Ao todo, foram avaliados 521 projetos, sendo 202 (38,8%) da região Sudeste, 174 (33,4%) do Nordeste, 81 (15,5%) do Norte, 37 (7,1%) do Centro-Oeste e 27 (5,2%) do Sul.

Conservathon: conheça as melhores soluções para proteger a Mata Atlântica

Pelo site CicloVivo

mata atlântica

Foto: Pixabay

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e a Fundação Araucária anunciaram os vencedores do Conservathon, maratona de ideação que reuniu mais de mil pessoas com o objetivo de propor soluções inovadoras para o desenvolvimento e a conservação da Grande Reserva Mata Atlântica – o maior remanescente contínuo do bioma no Brasil, abrangendo três estados e 48 municípios.

As três ideias mais criativas foram:

Mistura

Modelo socioeconômico para auxiliar pescadores artesanais a reduzirem as perdas com a pesca acidental (quando a espécie pescada é diferente daquela pretendida pelo pescador e, por isso, acaba sendo descartada).

Smart Harpia

Sistema customizado de monitoramento ambiental remoto para facilitar a gestão de áreas naturais;

Avanti

Sistema de reconhecimento facial para o controle do fluxo de pessoas em unidades de conservação. Elas receberão, respectivamente, os prêmios de R$ 10 mil, R$ 5 mil e R$ 2 mil.

Maratona de ideias

Ao longo de três dias de evento, os participantes tiveram de criar ideias que contribuíssem para a implementação de unidades de conservação, gerassem alternativas para alavancar cadeias produtivas da sociobiodiversidade ou representassem soluções sustentáveis e eficientes para o transporte terrestre e marítimo na Grande Reserva.

“O Conservathon mostrou o interesse de centenas de pessoas de todo o Brasil em cocriar e contribuir com soluções inovadoras e criativas que aliem a conservação da natureza com o desenvolvimento socioeconômico da Mata Atlântica. A construção de uma economia sustentável, centrada no respeito ao meio ambiente, é o caminho do futuro”, diz a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes. O evento reuniu participantes de diferentes nacionalidades, de 276 cidades e 25 estados brasileiros.

Representante da Smart Harpia, o biólogo Leandro Angelo Pereira reconhece que iniciativas como o Consevrathon são importantes para mudar o modelo vigente de desenvolvimento socioeconômico. “Estou muito emocionado de colocar o litoral do Paraná no pódio. Ter essa oportunidade de apresentar nossas ideias para outras pessoas conhecerem um pouco mais do litoral é fundamental”, comenta.

Segunda etapa 

Além das três ideias melhores colocadas, foram selecionadas as 15 propostas que apresentaram maior potencial de execução. Essas ideias passarão por um processo de mentoria on-line e aceleração ao longo de 15 dias.

Entre os projetos classificados para a próxima etapa, estão:

  • Tiêtour, projeto de turismo virtual no qual os espectadores podem acompanhar lives e fazer trilhas virtuais enquanto guias passam informações sobre a fauna e flora;
  • Caiçara, e-commerce para divulgar produtos e serviços de comunidades caiçaras e que utiliza uma moeda digital para que as transações possam ser feitas com ou sem internet;
  • Smart-GRMA, aplicativo para ajudar gestores de unidades de conservação a armazenar e sistematizar dados de fiscalização e monitoramento de faunas, focando na melhoria das ações de proteção e manejo.

Confira as 15 propostas selecionadas:

https://youtu.be/fWVaP4n-LYg

Cientistas descobrem floresta no meio do deserto do Saara

 Com informações de Climate News Network


Pesquisadores descobriram uma floresta com quase 2 bilhões de árvores em uma região árida do continente africano

floresta deserto do saara

Foto: Adam Jones, Ph.D. | Wikimedia Commons

Com a ajuda de imagens de satélites de alta precisão e tecnologia de inteligência artificial, cientistas europeus localizaram uma área verde no deserto africano e estão contando quantas árvores cresceram neste lugar árido, onde não acreditavam encontrar áreas verdes.

Eles vasculharam mais de 1,3 milhão de quilômetros quadrados no deserto do Saara e as terras secas da região de Sahel e descobriram uma Floresta desconhecida até o momento.

A região é um mar de dunas e terras secas maior do que os territórios de Angola ou do Peri, por exemplo. Mas, bem ali, foram descobertas 1,8 bilhão de árvores e arbustos com coroas que medem maiores que 3 metros quadrados.

“Foi uma grande surpresa descobrir que algumas árvores são capazes de crescer no deserto do Saara, uma região onde a maioria das pessoas acreditava que isso não seria possível – até agora.”, conta Martin Brandt, geógrafo da Universidade de Copenhagen que liderou o estudo.

“Contamos milhões de árvores no meio de um deserto”

Foto: Dr. Martin Brandt

Martin e uma equipe de pesquisadores da Alemanha, França, Senegal, Bélgica e da Nasa contaram ao periódico científico Nature que eles usaram inteligência artificial e imagens de satélites tão precisas que, do espaço, as câmeras conseguiam identificar objetos com menos de meio metro de diâmetro para tentar entender a existência desta nova floresta no mundo.

“Árvores for a das áreas ocupadas por florestas não são comuns dentro dos modelos climáticos que usamos e sabemos muito pouco sobre a sua capacidade de estocar carbono. Elas são um elemento desconhecido no ciclo do carbono”, explica Martin.

Árvores fazem a diferença

As árvores são sempre importantes, independente da sua localização. Nas cidades, elas melhoram a qualidade de vida e valorizam propriedades. Nas florestas elas conservam e reciclam a água e são Abrigo para milhões de animais e outras espécies vegetais, além de absorverem carbono da atmosfera. Em pastagens elas ajudam a preservar o solo, são o habitat de outras espécies e essenciais para a alimentação e subsistência de pessoas e animais.

Mas as árvores que crescem fora de florestas ainda não são totalmente conhecidas quando pensamos nelas como uma peça no ciclo de carbono mundial e em possíveis soluções para a crise climática.

“ESTAS ÁRVORES SÃO UM PONTO A SER ENTENDIDO E UM ELEMENTO DESCONHECIDO NO CICLO GLOBAL DE CARBONO”, DIZ O DR. BRANDT.

O total de árvores contabilizadas nas regiões do Saara e Sahel é provavelmente subestimado já que o satélite não conseguiu separar e identificar árvores com uma copa menor do que 3 metros quadrados.

Novas possibilidades

Esta descoberta é mais uma surpresa que a natureza e as árvores oferecem à ciência. Nos últimos anos, cientistas fizeram um censo de quantas árvores existem no mundo e chegaram ao número aproximado de 3 trilhões. Também foram contabilizados os diferentes tipos de árvores e o número ultrapassou 60 mil. Na tentativa de descobrir a área de desertos e savanas cobertas por árvores, os cientistas chegaram a esta floresta escondida.

Pesquisadores calcularam ainda que uma campanha de plantio de árvores seria capaz de fazer uma grande diferença no cenário de mudanças climáticas. Mas, também descobriram que conservar as áreas verdes já existentes seria uma maneira mais simples e muito mais barata de manter o equilíbrio ambiental do planeta – o valor dos serviços ambientais que elas garantem aos seres humanos é praticamente incalculável.

Foto: iStock by GettyImages

A nova perspectiva – que combina inteligência artificial e satélites de ultima geração – pode ajudar a identificar não apenas a quantidade de árvores, mas as diferentes espécies. Apesar de ser dificil precisar o número de troncos, e consequentemente o número exato de árvores, por conta das copas que se sobrepõe à esta imagem, os cientistas garantem que esta tecnologia estabelece um novo ponto de partida para muitas pesquisas.

“Sem esta tecnologia, não poderíamos ter descoberto e mensurado o tamanho desta floresta”, afirma o Dr Brandt. “Acredito que este pode ser o início de uma nova era nas pesquisas científicas”.