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quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Como era o universo antes do Big Bang?

 Pela BBC Brasil - Alastair Wilson


Ilustração do Big Bang

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O Big Bang é a nossa visão tradicional da origem do universo


"A última estrela irá esfriar lentamente e desaparecer. Com isso, o universo se tornará mais uma vez um vazio, sem luz, vida ou significado." Assim alertou o físico Brian Cox na recente série Universe, da BBC.

O desaparecimento da última estrela será apenas o início de uma época infinitamente longa e escura. Toda a matéria será eventualmente consumida por buracos negros monstruosos, que por sua vez irão evaporar nos mais tênues lampejos de luz.

O espaço se expandirá cada vez mais para fora até que mesmo aquela luz fraca se torne muito espalhada para interagir. A atividade cessará.

Ou não? Estranhamente, alguns cosmólogos acreditam que um universo anterior, frio, escuro e vazio, como aquele que está em nosso futuro distante, poderia ter sido a fonte de nosso próprio Big Bang.

A primeira matéria

Mas antes de chegarmos a isso, vamos dar uma olhada em como "material" - matéria física - surgiu pela primeira vez.

Se pretendemos explicar as origens da matéria estável feita de átomos ou moléculas, certamente não havia nada disso por volta do Big Bang - nem por centenas de milhares de anos depois. Na verdade, temos uma compreensão bastante detalhada de como os primeiros átomos se formaram a partir de partículas mais simples, uma vez que as condições esfriaram o suficiente para que a matéria complexa se tornasse estável, e como esses átomos foram posteriormente fundidos em elementos mais pesados ​​dentro das estrelas. Mas esse entendimento não aborda a questão de saber se algo veio do nada.

Então, vamos pensar um pouco mais para trás. As primeiras partículas de matéria de vida longa de qualquer tipo foram prótons e nêutrons, que juntos formam o núcleo atômico. Eles surgiram por volta de um décimo de milésimo de segundo após o Big Bang.

Antes desse ponto, não havia realmente nenhum material em qualquer sentido familiar da palavra. Mas a física nos permite seguir rastreando a linha do tempo para trás - para processos físicos que antecedem qualquer matéria estável.

Universo

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As primeiras partículas de matéria de vida longa de qualquer tipo foram prótons e nêutrons, que juntos formam o núcleo atômico

Isso nos leva à chamada "era da grande unificação". Agora, estamos bem no reino da física especulativa, pois não podemos produzir energia suficiente em nossos experimentos para sondar o tipo de processo que estava acontecendo na época.

Mas uma hipótese plausível é que o mundo físico era feito de uma sopa de partículas elementares de vida curta - incluindo quarks, os blocos de construção de prótons e nêutrons.

Havia matéria e "antimatéria" em quantidades aproximadamente iguais: cada tipo de partícula de matéria, como o quark, tem um companheiro "imagem espelhada" de antimatéria, que é quase idêntico a si mesmo, diferindo apenas em um aspecto.

No entanto, matéria e antimatéria se aniquilam em um lampejo de energia quando se encontram, o que significa que essas partículas foram constantemente criadas e destruídas.

Mas como essas partículas passaram a existir em primeiro lugar? A teoria quântica de campos nos diz que mesmo um vácuo, supostamente correspondendo ao espaço-tempo vazio, está cheio de atividade física na forma de flutuações de energia.

Essas flutuações podem dar origem ao surgimento de partículas, que desaparecem logo em seguida. Isso pode soar mais como uma peculiaridade matemática do que como física real, mas tais partículas foram detectadas em incontáveis ​​experimentos.

O estado de vácuo do espaço-tempo está fervilhando com partículas sendo constantemente criadas e destruídas, aparentemente "do nada". Mas talvez tudo isso realmente nos diga que o vácuo quântico é (apesar do nome) alguma coisa em vez de nada.

O filósofo David Albert criticou de forma memorável os relatos do Big Bang que prometem obter algo do nada dessa forma.

Suponha que perguntemos: de onde surgiu o próprio espaço-tempo? Então, podemos continuar girando o relógio ainda mais para trás, na verdadeiramente antiga "Era de Planck" - um período tão antigo na história do universo que nossas melhores teorias da física entram em colapso.

Essa era ocorreu apenas um décimo milionésimo de um trilionésimo de um trilionésimo de um trilionésimo de segundo após o Big Bang. Nesse ponto, o próprio espaço e o tempo ficaram sujeitos às flutuações quânticas.

Os físicos normalmente trabalham separadamente com a mecânica quântica, que rege o micromundo das partículas, e com a relatividade geral, que se aplica a grandes escalas cósmicas. Mas para compreender verdadeiramente a Era de Planck, precisamos de uma teoria completa da gravidade quântica, fundindo as duas.

Ainda não temos uma teoria perfeita da gravidade quântica, mas existem tentativas - como a teoria das cordas e a gravidade quântica em loop. Nessas tentativas, o espaço e o tempo comuns são tipicamente vistos como emergentes, como as ondas na superfície de um oceano profundo.

O que experimentamos como espaço e tempo é o produto de processos quânticos operando em um nível microscópico mais profundo - processos que não fazem muito sentido para nós como criaturas enraizadas no mundo macroscópico.

Ilustração do espaço-tempo

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De onde surgiu o próprio espaço-tempo?

Na Era de Planck, nosso entendimento comum de espaço e tempo se desintegra, então não podemos mais confiar em nosso entendimento comum de causa e efeito também. Apesar disso, todas as candidatas a teoria da gravidade quântica descrevem algo físico que estava acontecendo na Era de Planck - algum precursor quântico do espaço e tempo. Mas de onde veio isso?

Mesmo que a causalidade não se aplique mais de forma comum, ainda pode ser possível explicar um componente do universo da Era de Planck em termos de outro. Infelizmente, até agora mesmo nossa melhor física falha completamente em fornecer respostas.

Enquanto não progredirmos em direção a uma "teoria de tudo", não seremos capazes de dar uma resposta definitiva. O máximo que podemos dizer com segurança neste estágio é que a física até agora não encontrou exemplos confirmados de algo surgindo do nada.

Ciclos de quase nada

Para responder verdadeiramente à questão de como algo pode surgir do nada, precisaríamos explicar o estado quântico de todo o universo no início da Era de Planck. Todas as tentativas de fazer isso permanecem altamente especulativas.

Alguns deles apelam a forças sobrenaturais como um designer. Mas outras explicações candidatas permanecem dentro do reino da física - como um multiverso, que contém um número infinito de universos paralelos, ou modelos cíclicos do universo, nascendo e renascendo novamente.

O físico Roger Penrose, ganhador do Prêmio Nobel de 2020, propôs um modelo intrigante, mas controverso, para um universo cíclico denominado "cosmologia cíclica conformada".

Penrose foi inspirado por uma conexão matemática interessante entre um estado muito quente, denso e pequeno do universo - como era no Big Bang - e um estado extremamente frio, vazio e expandido do universo - como será em um futuro distante.

Sua teoria radical para explicar essa correspondência é que esses estados se tornam matematicamente idênticos quando levados aos seus limites. Por mais paradoxal que pareça, uma ausência total de matéria pode ter conseguido dar origem a toda a matéria que vemos ao nosso redor em nosso universo.

Nessa visão, o Big Bang surge de um quase nada. É o que sobrou quando toda a matéria em um universo foi consumida em buracos negros, que por sua vez se transformaram em fótons - perdidos em um vazio.

Todo o universo, portanto, surge de algo que - visto de outra perspectiva física - é o mais próximo que se pode chegar de nada. Mas esse nada ainda é um tipo de coisa. Ainda é um universo físico, embora vazio.

Como pode o mesmo estado ser um universo frio e vazio de uma perspectiva e um universo quente e denso de outra? A resposta está em um procedimento matemático complexo denominado "reescalonamento conformado", uma transformação geométrica que na verdade altera o tamanho de um objeto, mas deixa sua forma inalterada.

Penrose mostrou como o estado denso frio e o estado denso quente podem ser relacionados por tal reescalonamento, de modo que eles correspondam com respeito às formas de seus espaços-tempos - embora não com seus tamanhos.

É, reconhecidamente, difícil entender como dois objetos podem ser idênticos desta forma quando têm tamanhos diferentes - mas Penrose argumenta que o tamanho é um conceito que deixa de fazer sentido em tais ambientes físicos extremos.

Na cosmologia cíclica conformada, a direção da explicação vai do velho e frio para o jovem e quente: o estado quente denso existe por causa do estado frio e vazio. Mas esse "por causa" não é o familiar - de uma causa seguida no tempo por seu efeito. Não é apenas o tamanho que deixa de ser relevante nesses estados extremos: o tempo também.

O estado denso frio e o estado denso quente estão, na verdade, localizados em linhas do tempo diferentes. O estado frio e vazio continuaria para sempre da perspectiva de um observador em sua própria geometria temporal, mas o estado quente denso que dá origem efetivamente habita uma nova linha do tempo própria.

Infinito

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Nos limites do nosso conhecimento, a física e a filosofia tornam-se difíceis de separar

Pode ajudar a entender o estado quente denso como produzido a partir do estado frio e vazio de alguma forma não causal. Talvez devêssemos dizer que o estado quente denso emerge do estado frio, ou está alicerçado nele, ou é realizado pelo estado vazio e frio.

Essas são ideias distintamente metafísicas que foram exploradas extensivamente pelos filósofos da ciência, especialmente no contexto da gravidade quântica, onde a causa e o efeito comuns parecem se desfazer. Nos limites do nosso conhecimento, a física e a filosofia tornam-se difíceis de separar.

Evidência experimental?

A cosmologia cíclica conformada oferece algumas respostas detalhadas, embora especulativas, à questão de onde veio nosso Big Bang. Mas mesmo que a visão de Penrose seja justificada pelo futuro progresso da cosmologia, podemos pensar que ainda não teríamos respondido a uma questão filosófica mais profunda - uma questão sobre de onde veio a própria realidade física.

Como surgiu todo o sistema de ciclos? Então, finalmente terminamos com a pura questão de por que existe algo em vez de nada - uma das maiores questões da metafísica.

Mas nosso foco aqui está nas explicações que permanecem dentro do reino da física. Existem três opções amplas para a questão mais profunda de como os ciclos começaram. Poderia não ter explicação física alguma.

Ou pode haver ciclos que se repetem infinitamente, cada um sendo um universo por si só, com o estado quântico inicial de cada universo explicado por alguma característica do universo anterior. Ou pode haver um único ciclo e um único universo repetido, com o início desse ciclo explicado por alguma característica de seu próprio fim.

As duas últimas abordagens evitam a necessidade de quaisquer eventos não causados ​​- e isso lhes dá um apelo distinto. Nada seria deixado sem explicação pela física.

Para Penrose, cada ciclo envolve eventos quânticos aleatórios que ocorrem de uma maneira diferente - o que significa que cada ciclo será diferente dos anteriores e posteriores. Na verdade, essa é uma boa notícia para os físicos experimentais, porque pode nos permitir vislumbrar o antigo universo que deu origem ao nosso através de traços tênues, ou anomalias, na radiação residual do Big Bang vista pelo satélite Planck.

Penrose e seus colaboradores acreditam que já podem ter detectado esses traços, atribuindo padrões nos dados do Planck à radiação de buracos negros supermassivos no universo anterior. No entanto, suas alegadas observações foram contestadas por outros físicos e o júri permanece fora.

Novos ciclos infinitos são a chave para a própria visão de Penrose. Mas existe uma maneira natural de converter a cosmologia cíclica conformada de um ciclo múltiplo para um ciclo único. Então a realidade física consiste em um único ciclo a partir do Big Bang até um estado máximo de vazio no futuro distante - e então retorna novamente até o mesmo Big Bang, dando origem ao mesmo universo novamente.

Roger Penrose

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Roger Penrose recebeu o Prêmio Nobel de Física por seu trabalho sobre singularidades

Esta última possibilidade é consistente com outra interpretação da mecânica quântica, apelidada de interpretação de muitos mundos.

A interpretação de muitos mundos nos diz que cada vez que medimos um sistema que está em superposição, essa medição não seleciona um estado aleatoriamente. Em vez disso, o resultado da medição que vemos é apenas uma possibilidade - aquela que ocorre em nosso próprio universo.

Todos os outros resultados de medição atuam em outros universos em um multiverso, efetivamente separados do nosso. Portanto, não importa quão pequena seja a chance de algo ocorrer, se tiver uma chance diferente de zero, então ocorre em algum mundo quântico paralelo.

Existem pessoas como você em outros mundos que ganharam na loteria, ou foram arrastadas para as nuvens por um tufão anormal, ou se incendiaram espontaneamente, ou fizeram as três coisas ao mesmo tempo.

Algumas pessoas acreditam que esses universos paralelos também podem ser observáveis ​​em dados cosmológicos, como impressões causadas por outro universo colidindo com o nosso.

A teoria quântica de muitos mundos oferece uma nova reviravolta na cosmologia cíclica conformada, embora Penrose não concorde com ela. Nosso Big Bang pode ser o renascimento de um único multiverso quântico, contendo infinitos universos diferentes, todos ocorrendo juntos. Tudo o que é possível acontece - então, acontece de novo, de novo e de novo.

Universo

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Para Penrose, cada ciclo envolve eventos quânticos aleatórios que ocorrem de uma maneira diferente

Um mito antigo

Para um filósofo da ciência, a visão de Penrose é fascinante. Ele abre novas possibilidades para explicar o Big Bang, levando nossas explicações além de causa e efeito comuns. É, portanto, um grande caso de teste para explorar as diferentes maneiras pelas quais a física pode explicar nosso mundo. Ele merece mais atenção dos filósofos.

Para um amante de mitos, a visão de Penrose é bela. Na forma multi-ciclo preferida de Penrose, ele promete novos mundos infinitos nascidos das cinzas de seus ancestrais. Em sua forma de um ciclo, é uma notável re-invocação moderna da antiga ideia do ouroboros, ou serpente-do-mundo.

Na mitologia nórdica, a serpente Jörmungandr é filha de Loki, um malandro astuto, e do gigante Angrboda. Jörmungandr consome sua própria cauda, ​​e o círculo criado sustenta o equilíbrio do mundo. Mas o mito do ouroboros foi documentado em todo o mundo - inclusive desde o antigo Egito.

O ouroboros de um universo cíclico é realmente majestoso. Ele contém dentro de sua barriga nosso próprio universo, bem como cada um dos estranhos e maravilhosos universos alternativos possíveis permitidos pela física quântica - e no ponto onde sua cabeça encontra sua cauda, ​​está completamente vazio, mas também fluindo com energia em temperaturas de cem mil milhões de bilhões de trilhões de graus Celsius. Até Loki, o metamorfo, ficaria impressionado.

*Alastair Wilson é professor de Filosofia na Universidade de Birmingham (Reino Unido)

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Revestimentos adaptativos esfriam ou esquentam tetos e janelas

Redação do Site Inovação Tecnológica


Revestimentos adaptativos esfriam ou esquentam tetos e janelas
Amostras do revestimento radiativo adaptável à temperatura. O material parece fita adesiva e pode ser afixado sobre o telhado.
[Imagem: Thor Swift/Berkeley Lab]

Ar-condicionado e aquecimento sem energia

A refrigeração passiva - ou resfriamento radiativo - já permite que você mesmo construa uma geladeira que esfria sem gastar energia, mas as novidades não param por aí.

Duas equipes, trabalhando de forma independente e usando abordagens diferentes, apresentaram progressos na área que prometem revestimentos para o telhado e para as janelas para todas as estações.

O objetivo é manter as casas aquecidas durante o inverno e frescas durante o verão - sem consumir eletricidade ou qualquer outro combustível.

A equipe do professor Junqiao Wu, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, nos EUA, se baseou em um avanço que eles mesmos fizeram em 2017, quando descobriram que um metal exótico transporta eletricidade e retém o calor. "Este comportamento contrasta com a maioria dos outros metais, nos quais os elétrons conduzem calor e eletricidade proporcionalmente," disse o pesquisador.

Agora eles usaram esse metal, o dióxido de vanádio (VO2), para criar o que eles chamam de TARC, sigla em inglês para "revestimento radiativo adaptável à temperatura", que resolve talvez a grande deficiência dos revestimentos de resfriamento radiativo: O fato de que eles continuam irradiando calor no inverno, aumentando a necessidade de gastos com aquecimento.

"Nosso revestimento de telhado para todas as estações muda automaticamente de mantê-lo fresco para aquecido, dependendo da temperatura do ar externo. Este é o ar-condicionado e aquecedor sem energia e sem emissões, tudo em um único dispositivo," disse Wu.

De acordo com os experimentos e simulações, o TARC supera os revestimentos de telhado existentes para economia de energia em 12 das 15 zonas climáticas estudadas, particularmente em regiões com grandes variações de temperatura entre o dia e a noite.

De acordo com as medições da equipe, o TARC reflete cerca de 75% da luz solar o ano todo, mas sua emitância térmica é alta (cerca de 90%) quando a temperatura ambiente é quente (acima de 25 graus Celsius), promovendo perda de calor para o espaço. Em climas mais frios, a emitância térmica muda automaticamente para baixa (cerca de 20%), ajudando a reter o calor da absorção solar e do aquecimento interno.

Revestimentos adaptativos esfriam ou esquentam tetos e janelas
Aqui o revestimento já vai incluído no vidro das janelas.
[Imagem: NTU Singapore]

Janelas à prova de temperatura

Shancheng Wang e seus colegas de Cingapura e da China desenvolveram um material de resfriamento radiativo ainda mais versátil e mais próximo do uso prático.

A base do revestimento é o mesmo dióxido de vanádio (VO2), só que a equipe usou-o para criar um vidro autoadaptativo à temperatura, formando uma estrutura única que pode ser usada em coberturas, janelas e até em painéis solares.

As janelas são um dos componentes principais no projetos dos edifícios, mas também são a parte menos eficiente em termos de energia e a mais complicada de se lidar.

"Embora inovações com foco no resfriamento radiativo tenham sido usadas em paredes e tetos, essa função se torna indesejável durante o inverno. Nossa equipe demonstrou pela primeira vez um vidro que pode responder favoravelmente a ambos os comprimentos de onda, o que significa que ele pode se autoajustar continuamente para reagir a mudanças de temperatura em todas as estações," disse o professor Long Yi, da Universidade Tecnológica de Nanyang.

É por isso que a equipe acredita que sua inovação é mais conveniente para conservar energia em edifícios, uma vez que o vidro radiativo não depende de nenhum componente móvel, conexão elétrica ou qualquer mecanismo - além de não bloquear a visão da janela.

Bibliografia:

Artigo: Temperature-adaptive radiative coating for all-season household thermal regulation
Autores: Kechao Tang, Kaichen Dong, Jiachen Li, Madeleine P. Gordon, Finnegan G. Reichertz, Hyungjin Kim, Yoonsoo Rho, Qingjun Wang, Chang-Yu Lin, Costas P. Grigoropoulos, Ali Javey, Jeffrey J. Urban, Jie Yao, Ronnen Levinson, Junqiao Wu
Revista: Science
Vol.: 374, Issue 6574 - pp. 1504-1509
DOI: 10.1126/science.abf7136

Artigo: Scalable thermochromic smart windows with passive radiative cooling regulation
Autores: Shancheng Wang, Tengyao Jiang, Yun Meng, Ronggui Yang, Gang Tan, Yi Long
Revista: Science
Vol.: 374, Issue 6574 - pp. 1501-1504
DOI: 10.1126/science.abg0291

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Turbinas usam vento produzido por veículos para gerar energia

 Pelo site CicloVivo

Equipamentos são projetados para instalação em postes de iluminação e serão testados na Inglaterra

turbinas postes
Turbinas serão testadas em postes de estradas na Inglaterra. Foto: SWNS

Turbinas que geram energia estão sendo instaladas em postes de autoestradas na Inglaterra. A grande inovação é o design do equipamento, que aproveita o vento produzido pela movimentação dos veículos para fazer as pás rodarem e produzirem eletricidade – sem a dependência de vento natural.

Barry Thompson, é o CEO da Alpha 311, empresa que desenvolveu o projeto. Ele garante que a solução é inédita e pode ser uma resposta para gerar grande quantidade de energia renovável. Segundo a fabricante, as turbina acopladas a postes em um rodovia poderiam gerar, em conjunto, cerca de pode 6MW – o suficiente para abastecer uma pequena comunidade.

A casa de Barry Thompson é abastecida com eletricidade de protótipos da turbina. “Quando você está ao lado de uma rodovia e passa um caminhão, dá para sentir o ar que ele movimenta. Nós captamos a energia deste vento”, explica ele.

Como exemplo, o CEO cita a Thanet Way, estrada com menos de 30 quilômetros de extensão que tem 1.114 postes de iluminação.  As turbinas poderiam ser instaladas na parte central da rodovia e aproveitar o vento Gerado pelos carros que passam nas duas direções.

“A geração de energia usaria a infraestrutura que já existe no local”, explica Thompson. “Não estamos colocando turbinas enormes na paisagem, estamos aproveitando o que está disponível”.

Com apenas 2 metros de altura, cada turbina gera a mesma quantidade de eletricidade que 21 metros quadrados de painéis solares. A empresa afirma que o tamanho dos equipamentos pode ser reduzido com o desenvolvimento do projeto.

No vídeo abaixo (em inglês) você pode conferir como as turbinas funcionam.

https://youtu.be/lUNju4fdpUQ

Bateria de carbono-ar guarda energia limpa melhor que hidrogênio

Redação do Site Inovação Tecnológica


Bateria de carbono-ar usa carbono em vez de hidrogênio para guardar energia limpa
Esquema do sistema chamado bateria secundária de carbono-ar.
[Imagem: Tokyo Tech]

Trocar hidrogênio por carbono

Existem várias propostas para armazenar temporariamente a eletricidade gerada pelas fontes renováveis de energia, como solar e eólica, que são intermitentes, e então garantir o suprimento em um regime 24/7 (24 horas por dia, 7 dias por semana).

Uma alternativa promissora é o hidrogênio gerado a partir da energia solar, que tem como grande benefício o fato de ser totalmente limpo. Mas esses sistemas ainda estão se debatendo com dificuldades técnicas, como uma baixa eficiência.

Pesquisadores japoneses estão propondo agora trocar o hidrogênio por carbono, no que eles chamam de "combater o carbono com carbono".

Bateria de carbono-ar

Keisuke Kameda e seus colegas do Instituto de Tecnologia de Tóquio projetaram um sistema alternativo de armazenamento de energia elétrica chamado "bateria secundária de carbono-ar".

O sistema, que é bem mais do que uma simples bateria, consiste em uma célula de combustível de óxido sólido e uma célula de eletrólise, onde o carbono gerado por eletrólise do dióxido de carbono (CO2) retirado da atmosfera é oxidado com o oxigênio do ar ambiente para produzir energia.

Tanto a célula de combustível quanto a célula de eletrólise podem ser alimentadas com CO2 liquefeito por compressão para compor o sistema de armazenamento de energia.

"De modo semelhante a uma bateria, [o nosso sistema] é carregado usando a energia gerada pelas fontes renováveis para reduzir CO2 para C. Durante a fase de descarga subsequente, o C é oxidado para gerar energia," explicou o professor Manabu Ihara, coordenador da equipe.

Mais eficiente e menor

Nos testes, o sistema foi capaz de utilizar a maior parte do carbono depositado no eletrodo para geração de energia, demonstrando uma eficiência coulômbica de 84%, indicando que a maior parte da energia armazenada pode ser recuperada durante a fase de descarga - a eficiência coulômbica é a razão entre a descarga e a capacidade de carga.

Além disso, o sistema apresentou uma densidade de potência superior de 80 mW/cm2 e uma eficiência de carga-descarga de 38%, que se sustentou ao longo dos 10 ciclos de carga-descarga testados, indicando que não ocorreu degradação do eletrodo de combustível.

Como o carbono é armazenado em um espaço confinado nas duas células, a densidade de energia do sistema é limitada pela quantidade de carbono que elas podem conter. Apesar dessa limitação, a equipe calcula que o sistema tem uma densidade de energia volumétrica maior do que os sistemas de armazenamento de hidrogênio.

"Em comparação com os sistemas de armazenamento de hidrogênio, espera-se que o nosso sistema tenha tamanho menor e uma maior eficiência geral," disse o professor Ihara.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Horta em teto de shopping emprega pessoas em situação de rua

Pelo site CicloVivo 

Shopping Parque da Cidade, em SP, faz parceria com o projeto Horta Social Urbana.

Shopping Parque da Cidade

Pensado para ser um empreendimento sustentável, o Shopping Parque da Cidade, na capital paulista, tem investido, desde a sua criação, em tecnologias que promovam o bem-estar social e ambiental. Exemplo disso é a implementação de soluções como a compostagem, o reuso de água e o telhado verde. Assim, a fim de potencializar essas iniciativas e gerar impactos positivos não só ao meio ambiente, mas também no âmbito social, o shopping firmou uma parceria com a Associação de Resgate à Cidadania por Amor à Humanidade (ARCAH) para implantar uma horta social urbana no seu telhado.

Já é sabido que o telhado verde diminui a temperatura do empreendimento sem incidência de sol, ajudando a baixar a demanda térmica do ar-condicionado, que impacta diretamente no gasto de energia. Mas a iniciativa pode ir além e transformar a vida de centenas de pessoas que vivem em situação de rua em São Paulo. Segundo o Movimento Estadual da População em Situação de Rua, estima-se que, durante a pandemia, o número de pessoas que vivem nas ruas, apenas na cidade de São Paulo, chegou a 66 mil. Foi pensando em mudar esse cenário que o shopping iniciou a parceria com a ARCAH.

“Nós já tínhamos um telhado verde, que nos ajudava a reduzir os danos ao meio ambiente. Mas enxergamos no projeto uma oportunidade de irmos ainda mais longe, já que a Horta Social Urbana visa acolher, capacitar e transformar a realidade de pessoas que vivem nas ruas, os devolvendo dignidade através de um trabalho. Assim, além de apoiarmos a autonomia, geração de renda e reintegração na sociedade e no mercado de trabalho, também geramos alimentos saudáveis e de qualidade para várias outras”, comenta Stella Pinheiro, gerente de marketing do Shopping Parque da Cidade.

O contrato foi firmado no final de outubro e já no início de novembro iniciou-se o estudo do solo, definição de protocolos e o plantio. Até o momento, foram plantadas 1670 mudas de alface, mas a intenção é aumentar a produção e diversificar os tipos de hortaliças que, a fim de custear o projeto e ajudar a gerar renda para os trabalhadores contratados, são, posteriormente, destinadas a projetos da associação, como o restaurante Salada Orgânica Social, às cestas de orgânicos vendidas diretamente ao consumidor, e a comercialização de produtos para uma rede de supermercados.

O Projeto Horta Social Urbana foi criado em 2018 com o intuito de acolher, capacitar e gerar emprego para a população em situação de rua. De lá para cá, já foram reinseridos no mercado de trabalho, mais de 33% dos nossos alunos. Entre esses, está o senhor Delsin José (64 anos), que, até então, vivia em situação de rua, mas viu seu destino mudar, por meio do projeto e, atualmente, é o responsável pela horta do Parque da Cidade.

“Oferecemos às pessoas que vivem nas ruas, ferramentas práticas para que deixem essa trágica situação para trás, descubram suas paixões, desenvolvam sua autoestima e principalmente conquistem sua autonomia financeira. Muito além de dar o peixe, ensinamos a pescar” explica Filipe Sabará, fundador da ARCAH.

Mini robô autônomo percorre o deserto plantando sementes

Pelo site CicloVivo 

Com energia solar e sensores, ele seleciona os melhores locais para semear

robô sementes deserto
Foto: Mazyar Etehadi | Global Grad Show

Quando concluiu seu curso Instituto de Design e Inovação de Dubai,  Mazyar Etehadi decidiu usar o que aprendeu para encontrar soluções que pudessem ajudar a resolver um dos grandes problemas atuais, a desertificação. E sua ideia se transformou no A’seedbot, um pequeno robô capaz de plantar sementes pelo deserto de forma atônoma.

“A desertificação é um problema enorme em todo o mundo, causado por práticas agrícolas insustentáveis, mineração, mudanças climáticas e uso excessivo da terra em geral. Mas, assim como a própria mudança climática, a desertificação é uma questão ecológica complexa que é difícil de entender”, explicou o designer em um post no Instagram. 

robo sementes deserto
Foto: Mazyar Etehadi | Global Grad Show

Não à toa, a solução desenvolvida por Mazyar recebeu o nome de ‘robô semente’, tradução de seedbot, porque tem como objetivo semear o solo arenoso e inabitável do deserto até que ele seja convertido em uma paisagem verde.

O deserto expõe pessoas à condições perigosas e extremamente desgastantes, com temperaturas extremas. Seria muito difícil que alguém pudesse executar o trabalho de semear manualmente estas áreas. Mas, com painéis solares que garantem a energia necessária para o trabalho, o minúsculo robô armazena eletricidade durante o dia e percorre o terreno à noite, de forma autônoma.

Ao identificar áreas férteis, relata e planta sementes com base nos dados recebidos de seus sensores e sistema de navegação. A missão principal do A’seedbot é ajudar a cultivar a terra árida. 

“O ROBÔ ESTÁ EQUIPADO COM PAINÉIS SOLARES PARA CARREGAR DURANTE O DIA E NAVEGAR PELO TERRENO À NOITE, PARA IDENTIFICAR ÁREAS FÉRTEIS, REPORTÁ-LAS E PLANTAR SEMENTES A PARTIR DOS DADOS OBTIDOS DOS SEUS SENSORES E DO SEU SISTEMA DE NAVEGAÇÃO.”

Mazyar Etehadi
robô semente deserto
Foto: Mazyar Etehadi | Global Grad Show

Como funciona?

Mazyar explica que no A’seedbot a forma única está intimamente ligada às funções que o robô tem. O desenho longitudinal do robô pode ser dividido em três partes: “Ver”, “Navegar” e “Plantar”.

Dois sensores ultrassônicos na frente permitem que o robô avalie o terreno à sua frente, enquanto uma cabeça móvel permite olhar em várias direções para escolher o caminho correto.

Uma vez decidido, pernas em forma de pá ajudam o A’seedbot a se locomover e até mesmo a mudar de direção, em movimentos que se assemelham aos de uma foca.

Por último, a extremidade do robô fica apoiada no solo, empurrando rapidamente as sementes para a areia dos locais avaliados. As “pernas” de hélice possuem sensores que rastejam pela areia em busca dos níveis certos de umidade para plantar as sementes.

Sua unidade de processamento interna ajuda o robô a entender o terreno, decidir onde plantar as sementes e monitorá-las a cada poucos dias, enquanto os painéis solares no topo ajudam o robô a perceber a intensidade do sol.

Etehadi explica que o projeto se dirige a diferentes públicos, de entidades governamentais a agricultores, passando por pessoas e organizações que busquem soluções para combater mudanças climáticas.

domingo, 19 de dezembro de 2021

Água subterrânea pode ser alternativa para crise hídrica, dizem pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil

De acordo com Agência Brasil. 


Cidade Nova- Seca expõe ruínas de cidades inundadas para a construção da barragem de Sobradinho, no fim da década de 1970 (Marcello casal jr/Agência Brasil)

Pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) sugeriram o uso da água subterrânea como uma possível alternativa ao agravamento do risco hídrico nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Um levantamento sobre o tema divulgado hoje abrangeu as estações hidro meteorológicas operadas nas bacias dos rios Grande, Paranaíba e Tocantins, que representam 80,86% da capacidade de armazenamento de energia do subsistema das duas regiões.

A previsão do SGB é que este ano hidrológico fique entre os anos mais secos da série histórica em diversas localidades em comparação com os anos hidrológicos anteriores, mas por causa da estiagem deste ano estar associada aos déficits dos anos anteriores é esperado um agravamento do risco hídrico.

O uso da água subterrânea, que os pesquisadores sugeriram como alternativa, demanda baixos investimentos e tem baixo impacto ambiental. A Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas (Rimas) tem 72 poços na Região Sudeste e 36 na Região Centro-Oeste, com 108 perfurações na área afetada pela crise hídrica.

“A disponibilidade em qualquer tempo, somada à geralmente boa qualidade natural, boa proteção à contaminação, baixo custo de produção e grande flexibilidade na implantação dos sistemas de captação, tornam essas águas subterrâneas um recurso estratégico”, disse Alice de Castilho, diretora de Hidrologia e Gestão Territorial do SGB.

Os depósitos de água subterrânea ocorrem em áreas de bacias sedimentares, como a do Rio Paraná, que abarca o Aquífero Guarani. As áreas afetadas pela crise hídrica têm 17 bacias sedimentares, mas a maioria dessas bacias não abrangem regiões metropolitanas. Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal não são ricos em águas subterrâneas, porque não têm área em bacias sedimentares, entretanto, metade da população de Brasília (DF) é abastecida dessa forma.

O SGB calculou a disponibilidade hídrica em cada um dos 2.533 municípios existentes nos estados afetados pela seca. Considerando um valor de 100 litros por habitante por dia, qualificado como elevado, os resultados foram animadores, de acordo com o pesquisador João Diniz.

Chuvas abaixo da média

Segundo o levantamento, o Rio Paraguai apresentou, os menores níveis de água na altura do município de Cáceres (MT), considerando toda sua série histórica de dados, que teve início em 1965.

Na bacia do Rio Tocantins, as vazões do mês de julho de 2021 ficaram abaixo da média histórica. As regiões mais críticas foram Travessão, no Rio Vermelho, no município de Matrinchã (GO), e Barreira da Cruz, no Rio Javaés, no município de Pium (TO).

Segundo o estudo, a precipitação no ano hidrológico atual, que vai de outubro a setembro, está acima da média apenas na área de drenagem da Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa, na Bacia do Alto Tocantins, em Goiás.

No Sudeste, nas bacias dos rios São Francisco, Jequitinhonha, Mucuri e São Mateus, Doce, Itapemirim, Itabapoana, Paraíba do Sul, Grande e Paranaíba, as vazões preocupam. Dos 51 pontos monitorados, 20 atingiram no mês de julho a vazão mínima de referência.

De acordo com o SGB, a estiagem deste ano vem gerando problemas de armazenamento nos reservatórios, geração de energia, navegação e ameaças ao abastecimento público de água.

As chuvas vêm ocorrendo em quantidade cerca de 7% inferior à média nas áreas de drenagem da Serra da Mesa e Emborcação, de acordo com o SGB. Na Usina Hidrelétrica Nova Ponte, no Rio Araguari, em Minas Gerais, a precipitação está mais de 20% inferior à média. “Por praticamente toda a extensão das bacias analisadas, o total acumulado de outubro a junho de 2021 foi menor do que a média histórica”, atesta o documento.

Em Goiás, em Tocantins e no leste de Mato Grosso, nos rios Manuel Alves, Araguaia, Caiapó, Claro, a precipitação acumulada é a mais baixa de toda a série.


Coreia do Sul dá sinal verde para protótipo de cidade flutuante autossustentável

 Pela CNN

Proposta é acomodar 10 mil pessoas em plataformas interconectadas e resistentes que se adequam ao nível do mar

Os telhados dos edifícios se espalham para fornecer terraços sombreados abaixo.

Os telhados dos edifícios se espalham para fornecer terraços sombreados abaixo.Reprodução / BIG

A cidade sul-coreana de Busan deu sinal verde para o planejamento de um ambicioso assentamento oceânico, com as obras do primeiro bairro programadas para começar no próximo ano.

Composta por uma série de plataformas interconectadas, a proposta da “cidade flutuante” poderá eventualmente acomodar 10 mil pessoas, de acordo com os projetistas, oferecendo às áreas costeiras uma solução drástica para a ameaça representada pela elevação do nível do mar.

O projeto Oceanix, uma colaboração entre designers, arquitetos e engenheiros, revelou os planos para uma cidade “à prova de inundações” em 2019 — desde então, os organizadores têm procurado um lugar para construir os protótipos

No mês passado, o grupo assinou um acordo com a cidade de Busan e a UN-Habitat, a agência de desenvolvimento urbano da Organização das Nações Unidas, para hospedar o primeiro de seus bairros flutuantes na costa da Coreia do Sul.

Pré-fabricadas e depois rebocadas na posição adequada, as plataformas propostas irão subir e descer conforme o mar.

Cada um dos bairros, com um tamanho de cinco acres (pouco mais de 20 mil metros quadrados) foi projetado para abrigar 300 pessoas em prédios de até sete andares.

Por fim, essas comunidades poderão ser organizadas em grandes redes, conectadas via passarelas e ciclovias.

De acordo com o escritório de arquitetura dinamarquês Bjarke Ingles Group (BIG), que gerencia o design, as vizinhanças poderão se agrupar ao redor de uma baía central para formar vilas de até 1650 pessoas.

Ilustração da cidade flutuante / Reprodução / BIG

Essas vilas poderão, em teoria, se juntar para formar uma metrópole de 10 mil habitantes – apelidada de Oceanix City (Cidade Oceanix) – completa, com espaços de trabalho compartilhado, restaurantes, fazendas urbanas e áreas de entretenimento.

A costa sul da Coreia do Sul, onde Busan se localiza, é considerada especialmente vulnerável ao impacto da elevação dos níveis dos oceano.

De acordo com reportagens locais, no ano passado, o Greenpeace coreano alertou que a famosa praia de Haeundae poderá desaparecer até 2030.

E o impacto já está sendo sentido – um estudo publicado na revista científica Sustainability descobriu que, até 2020, a cidade teria sofrido mais danos causados por enchentes do que qualquer outro local da Coreia do Sul nos últimos 10 anos.

Sistemas de circuito fechados

O assentamento proposto foi previsto como “autossustentável”, com residentes capazes de produzir sua própria comida e energia em um “circuito fechado de zero desperdício”.

O design dos bairros terá fazendas compartilhadas, instalações para a produção de alimento usando a técnica de aquaponia e jardins para compostagem. Ao mesmo tempo, fazendas de produção de frutos do mar poderão estar localizadas em torno deles.

Enquanto isso, plataformas não-habitadas poderão ter turbinas e painéis solares instalados, ou serem usadas para crescer bambu para a construção de novos edifícios.

O plano urbano proposto pela BIG leva também em conta a produção de água fresca, com instalações de tratamento de água e de coleta de chuva.

Cidade se adequará ao nível do mar/ Reprodução / BIG

Os arquitetos também preveem frotas de veículos elétricos – de táxis aquáticos e balsas movidas à energia solar – conectando os bairros com outras partes da cidade e também com o continente.

O co-fundador da Oceanix, Itai Madamombe disse por e-mail que o primeiro bairro-protótipo em Busan, será completado em 2025, e com pessoas morando nele.

Ela acrescentou que o projeto está atualmente em discussão com outros 10 governos para implantar a tecnologia desenvolvida em Busan.

Em um comunicado, o prefeito de Busan, Park Heong-joon, saudou o acordo, dizendo: “Com as complexas mudanças que as cidades costeiras enfrentam, precisamos de uma nova visão onde seja possível que as pessoas, a natureza e a tecnologia coexistam”.

O diretor do UN-Habitat, Maimunah Mohd Sharif, descreveu Busan como o local “ideal” para o protótipo.

“Cidades flutuantes sustentáveis são parte do arsenal de estratégias de adaptação climática disponíveis para nós”, disse em um comunicado à imprensa. “Em vez de lutar contra a água, aprendamos a viver em harmonia com ela”.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Fazenda Urbana vence prêmio nacional de design em inovação e bem-estar

Pelo site CicloVivo

O espaço em Curitiba é dedicado à educação para prática 

fazenda agricultura urbana

agrícola sustentável nas cidades.Foto: Daniel Castellano | SMCS 

Por Prefeitura de Curitiba

Com sua Fazenda Urbana, Curitiba conquistou o Design for a Better World Award (DFBW Award), premiação inédita lançada pelo Centro Brasil Design (CBD). O prêmio valoriza iniciativas que impactam de forma positiva a sociedade em busca de um mundo melhor e que são direcionadas para o bem-estar da população indo além do universo usual do design.

Inaugurada em junho de 2020, a Fazenda Urbana da Prefeitura é um inédito espaço no Brasil dedicado à educação para prática agrícola sustentável nas cidades. O local é administrado pela Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (SMSAN).

O Vale do Pinhão, ecossistema de inovação da capital, também foi finalista do DFBW Award pela contribuição com iniciativas relacionadas ao design e à criatividade que impactam o maior número de pessoas.

O prêmio teve inscritos de todo o país e, entre os finalistas, 15 foram contemplados com troféus em áreas como design, comunicação, arquitetura e construção, cidades e maker kids. Os vencedores foram anunciados em cerimônia transmitida pela internet.

agricultura urbana
Fotos: Daniel Castellano | SMCS

“A conquista do DFBW Award reforça minha convicção de que cidades inteligentes precisam resgatar o contato do homem com a terra, como fazemos na Fazenda Urbana e no apoio às mais de 100 hortas cultivadas pela comunidade. Nestes espaços, estamos proporcionando aos curitibanos uma experiência vivencial nas principais etapas do ciclo alimentar, desde o plantio da mudinha ao preparo do alimento para o consumo consciente e sustentável”, afirmou o prefeito Rafael Greca, ao comemorar o prêmio.

Um mundo melhor

Letícia Castro, diretora superintendente do Centro Brasil Design, lembrou que, desde 2018, o hub é signatário do Pacto Global da ONU e vem compartilhando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “Criamos uma iniciativa chamada Design for a Better World que vinha debatendo o papel do design por um mundo melhor e percebemos que havia uma oportunidade para lançar o prêmio que tem como objetivo dar visibilidade para essas iniciativas e soluções”, conta.

O DFBW Award é direcionado a pessoas, negócios, startups, organizações e iniciativas como a Fazenda Urbana e o Vale do Pinhão que contribuem com soluções para transformar o mundo, nas diversas áreas e nos mais variados usos e aplicações.

agricultura urbana em curitiba
Foto: Daniel Castellano | SMCS

O juri avaliou questões como economia circular, inclusão física e cultural, eficiência energética, redução de resíduos, redução do uso de água, redução da poluição, redução do consumo, materiais menos impactantes, melhoria do meio ambiente ou melhoria do bem-estar das pessoas, maior reciclabilidade, reutilização, reaproveitamento, viabilidade econômica, obsolescência, intercambialidade, design universal, manutenção mais fácil e durabilidade estendida em produtos, processos, serviços e projetos.

Pilares

Segundo Luiz Gusi, secretário municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, design, inovação e sustentabilidade são pilares da estrutura da Fazenda Urbana de Curitiba. Os canteiros das hortas são sustentados com troncos de madeira, canos de PVC ou garrafas PET. Também há hortas suspensas para que cadeirantes possam vivenciar o local plenamente e “jardins comestíveis”, que integram em uma mesma área o cultivo de plantas paisagísticas, hortaliças e frutas, além do uso de materiais reciclados. Já parte da energia para o funcionamento da estrutura vem de fontes renováveis, como a solar, instaladas de forma harmônica no complexo. Os cursos ofertados, por outro lado, orientam a população sobre aproveitamento integral de alimentos e até reaproveitamento da água das chuvas, aspecto importante para o desenvolvimento das plantas.

agricultura urbana
Fotos: Daniel Castellano | SMCS

A Fazenda Urbana recebeu ainda o projeto Jardins de Mel, de criação de abelhas nativas sem ferrão. Os insetos ganharam cinco caixinhas, espalhadas pelo complexo, que vão ajudar, por meio da polinização, a aumentar a qualidade e a produção das hortaliças.

Saiba mais sobre a Fazenda Urbana.

Selo Unesco

Curitiba ainda integra a rede Cidade Criativa do Design da Unesco ao lado de cidades como Buenos Aires (Argentina), Nagoya (Japão), Shenzhen (China), Shangai (China), Bilbao (Espanha) e Graz (Áustria).