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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O 'Trem-Bala' e as Tecnologias para o transporte em massa

Extraído do site Obvious
Por: Alexandre Beluco


Uma tendência do nosso tempo é o desejo cada vez maior por mobilidade. Essa mobilidade pode ser traduzida por tudo que pode ser obtido, individualmente, com automóveis (apesar de uma irônica 'imobilidade' verificada em centros urbanos menos desenvolvidos), mas também é representada pelo que se obtém coletivamente com trens de alta velocidade e com aviões comerciais.


Os 'trens-bala', como ficaram conhecidos os trens de alta velocidade, consistem em veículos que se movimentam sobre trilhos e que conseguem desempenhar velocidades muitos superiores às velocidades típicas dos trens tradicionais. Essa modalidade de transporte coletivo costuma ser adotada em regiões de grande densidade populacional, permitindo que residentes de regiões mais distantes possam alcançar em pouco tempo as regiões mais centrais, que usualmente concentram as áreas comerciais e as melhores oportunidades de trabalho.
Eles se encaixam em um anseio moderno por mobilidade, surgido talvez com a independência proporcionada por uma montaria ou por uma motocicleta e certamente pelos automóveis. A vida deixou de ficar restrita ao local onde se vive e atualmente não é raro encontrar pessoas que residem a distâncias bastante grandes de seus locais de trabalho. Nesse cenário, é necessário disponibilizar alternativas para que as pessoas possam realizar esses deslocamentos em prazos que não inviabilizem suas tarefas cotidianas e suas vidas pessoais.
Ao redor do mundo, existem muitas linhas consideradas rápidas que trafegam a velocidades relativamente baixas, como 200 km/h ou 250 km/h, ou mesmo 160 km/h (como é o caso dos serviços de trens rápidos do Chile). As mais rápidas, entretanto, operam com velocidades entre 300 km/h e 450 km/h, e mesmo velocidades superiores, na Europa, na América do Norte e na Ásia, mostrando-se vantajosas em comparação com linhas aéreas para viagens com duração entre 1 hora e 4 horas, para distâncias de até alguns milhares de quilômetros.
O recorde atual de velocidade foi estabelecido em 2015 por uma composição japonesa movimentando-se por levitação magnética. Essa composição percorreu 42,8 km e atingiu a velocidade de 603 km/h. O recorde para uma composição movimentado-se ainda convencionalmente sobre rodas foi estabelecido em 2007 pelo TGV francês, em um trecho de 140 km, no qual atingiu a velocidade de 574,8 km/h. Apenas como comparação, o recorde de velocidade sobre trilhos por um veículo tripulado especial (impulsionado por foguete) é de 1.017 km/h e o recorde absoluto, por veículo especial não tripulado, é superior a 10.400 km/h.
As linhas férreas para altas velocidades vêm proliferando pelo mundo, tendo surgido no Japão no início dos anos 60. Essa primeira linha japonesa é que valeu o apelido de "trem-bala" para essas composições de alta velocidade. Atualmente, existem trens de alta velocidade nos principais países desenvolvidos e em desenvolvimento, explorados por empresas públicas e privadas e associados com diferentes tecnologias. Apenas na Europa existem trens de alta velocidade em linhas inter nacionais e é na China que existe a maior extensão de linhas desse tipo, com um total de 19.000 quilômetros (dois terços do total mundial). É... 19.000 km!
shinkansen-02.jpg O Shinkansen da "série 0" foi o primeiro trem de alta velocidade e ficou conhecido mundialmente como o "trem-bala".
As medidas necessárias para que uma composição ferroviária possa desenvolver altas velocidades ocorrem em duas frentes. De um lado, a linha férrea unindo duas estações a uma distância que não pode ser pequena deve se desenvolver com longos trechos retilíneos e com curvas bastante suavizadas. De outro lado, a composição deve ser projetada de modo a ter um alto desempenho aerodinâmico e de modo também a ser movida por um conjunto motor (usualmente elétrico e-ou a gás a diesel) com grande eficiência. Além disso, já estão sendo incorporadas tecnologias mais recentes, como a recuperação da energia consumida nas frenagens.
nozomi-01.jpg Um Shinkansen moderno, da série 500, que faz o trajeto entre Tóquio e Osaka em cerca de duas horas e meia e atinge aproximadamente 300 km/h.
Os Estados Unidos apresentam já há várias décadas uma infra estrutura para vôos domésticos bastante desenvolvida e competitiva. Isso fez com que a demanda e os esforços por trens de alta velocidade demorassem muito a surtir efeito. Existem linhas operacionais apenas na região nordeste do país, com previsão para novas linhas entrando em operação na Califórnia no início da próxima década.
Há iniciativas por linhas de alta velocidade em outros países do continente americano, mas o panorama atual de crise econômica deve adiar por vários anos a implementação desses projetos. No Brasil, existe um projeto para um trem de alta velocidade (pretendido para a Copa de 2016) ligando as cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, que também deve ser substancialmente adiado devido à crise.
mein-erstes-bild-tgv-duplex-569124.jpg O TGV é operado pela França em várias linhas de alta velocidade em linhas domésticas e em linhas internacionais.
Na Europa, os italianos operaram as primeiras linhas de alta velocidade, mas os franceses atualmente ostentam as linhas mais avançadas, com seus TGV operando em linhas nacionais e também fazendo conexões com países vizinhos. O trecho entre Paris e Estrasburgo opera com uma velocidade média de 320 km/h, e é o trecho no qual foi estabelecido o atual recorde mundial para composições tradicionais.
O futuro das ferrovias de alta velocidade reside na tecnologia que permite aos trens levitarem magneticamente sobre os trilhos ao invés de se movimentarem pelo emprego de rodas. É a levitação magnética que permitirá a implementação de linhas com velocidades médias e com velocidades máximas ainda maiores que as velocidades relativamente altas já praticadas atualmente.
A_maglev_train_coming_out,_Pudong_International_Airport,_Shanghai.jpg Algumas linhas de alta velocidade já operam trens de levitação magnética na China e no Japão. Esta linha atende ao aeroporto internacional de Shangai.
Os custos para este tipo de sistema ainda se mostram proibitivamente altos e apenas algumas linhas na China e no Japão encontram-se em operação. Existem projetos propostos em vários países, em diferentes estágios de desenvolvimento. Os grandes centros urbanos ao redor do mundo precisam encontrar soluções para se manterem viáveis e os trens de alta velocidade podem contribuir para a sustentabilidade do desenvolvimento econômico.
Este é um campo da tecnologia que vem apresentando rápida expansão!

Vidro deixa passar a luz e retém o calor

Redação do Site Inovação Tecnológica 



Vidro deixa passar a luz e retém o calor
O vidro revestido com o novo material é praticamente transparente, mas não deixa o calor passar. [Imagem: A*STAR]









Blindagem contra infravermelho
Ajustando a composição química de nanopartículas dos elementos estanho e antimônio, pesquisadores de Cingapura fabricaram um revestimento ideal para recobrir as janelas de vidro de casas e edifícios de países tropicais, como o Brasil.
O revestimento, que é flexível e pode ser aplicado a qualquer material transparente, bloqueia 90% do calor do Sol - luz infravermelha - e deixa passar praticamente toda a luz visível.
Assim, é possível economizar tanto com ar-condicionado, quanto com iluminação.
"Nosso revestimento contra infravermelho, com nanopartículas de 10 nanômetros de óxido de estanho dopadas com antimônio, bloqueia mais de 90% da radiação do infravermelho próximo, enquanto deixa passar mais de 80% da luz visível," confirma o professor Hui Huang, do Instituto A*Star.
"Em particular, o desempenho da blindagem contra infravermelho dos nossos pequenos nanocristais de estanho dopado com antimônio é duas vezes o apresentado pelas versões comerciais [baseadas no mesmo material]", completou.
Solvotermal
A equipe produziu as nanopartículas usando uma técnica de síntese conhecida como método solvotermal, no qual os materiais precursores são aquecidos sob pressão em um autoclave - uma espécie de panela de pressão -, o que permite o controle preciso do tamanho das nanopartículas geradas.
Huang anunciou que já está negociando o licenciamento da tecnologia para uma empresa fabricante de vidros de Cingapura.

Bibliografia:

Solvothermal synthesis of Sb:SnO2 nanoparticles and IR shielding coating for smart window
Hui Huang, Minghong Ng, Yongling Wu, Lingbing Kong
Materials & Design
Vol.: 88, Pages 384-389
DOI: 10.1016/j.matdes.2015.09.013

domingo, 28 de agosto de 2016

Piso gera eletricidade pela passagem de veículos e pedestres


Fábio Reynol - Agência Fapesp 




Piso gera eletricidade pela passagem de veículos ou pedestres
Pesquisadores da Unesp desenvolvem sistema de geração de energia piezoelétrica que funciona com a passagem de carros e pedestres.[Imagem: Ag.Fapesp]









Ao passar sobre uma placa cerâmica embutida no asfalto, os veículos estimulam o material a produzir energia elétrica. Esta energia, então, alimenta a iluminação de placas e dos semáforos da própria rua ou estrada.
Esta é apenas uma das possíveis aplicações de uma pesquisa feita na Universidade Estadual Paulista (Unesp) que visa ao desenvolvimento de um sistema para o aproveitamento da energia cinética dos carros para a geração de eletricidade.
Energia piezoelétrica
O trabalho começou com o professor Walter Katsumi Sakamoto, do Departamento de Física e Química da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira, que utilizou sua experiência na construção de sensores de radiação e de umidade de solo para elaborar dispositivos piezoelétricos, que geram energia quando são submetidos à pressão ou torção.
Essas tecnologias têm em comum a utilização de compósitos cerâmicos nanométricos em formato de filmes. O pesquisador costumava importar alguns desses materiais, como o polifluoreto de vinilideno (PVDF), o poliéter-éter-cetona (PEEK) e o titanato zirconato de chumbo (PZT).
No entanto, para desenvolver o sensor piezoelétrico, decidiu encontrar similares nacionais. Foi quando convidou a professora Maria Aparecida Zaghete Bertochi, do Departamento de Química Tecnológica da Unesp, em Araraquara, a participar do trabalho.
Fabricação de PZT
"O desafio foi desenvolver um material que apresentasse boa dispersão no polímero e, para isso, precisávamos encontrar o tamanho e a dispersão ideal das partículas", conta Maria Aparecida. Bons resultados forma obtidos pela produção de nanopartículas de titanato zirconato de chumbo (PZT) preparadas por processo químico.
A fim de obter o material, o grupo de Araraquara desenvolveu um novo método de síntese para a cerâmica. O convencional, chamado de mistura de óxidos, exige altas temperaturas, além da submissão do material a um processo de moagem.
Os pesquisadores conseguiram dispensar o tratamento térmico e a dispersão em meio aquoso e obtiveram o PZT a temperaturas de 180ºC. "Nosso método também promove menor contaminação ambiental por chumbo", disse a pesquisadora.
Já o compósito desenvolvido com a matriz PEEK suportou temperaturas de até 360º C e a nanocerâmica ficou bem dispersa, formando um filme compósito bastante homogêneo.
Energia por pressão
O filme não precisa ficar na superfície do solo o que torna o material apto a ser aplicado em condições severas. Os pesquisadores estimam que o dispositivo se manteria operante mesmo sob temperaturas inferiores a 0º C e sob água, como no caso de uma enchente, por exemplo.
Para gerar energia, o equipamento necessita de pressão intermitente, que seria exercida pela passagem dos pneus dos veículos. Essa força provoca uma deformação mecânica no material, que produz energia elétrica.
Sakamoto colocou o novo compósito entre duas placas de acrílico. O material gerou energia toda vez que uma das placas foi apertada manualmente, o que foi comprovado com o acendimento de um led (diodo emissor de luz) conectado ao dispositivo.
"Essa tecnologia poderá gerar energia em áreas movimentadas e não somente a partir da passagem de carros, mas também de pessoas a pé", explicou Sakamoto.
Segundo ele, shoppings centers poderiam utilizar pisos especiais que transformassem os passos dos frequentadores em energia para iluminar os corredores. Algumas estações de metrô no Japão já utilizam pisos do tipo.
Energia limpa
O advento recente das lâmpadas led, que consomem bem menos energia do que as fluorescentes e incandescentes, deverá, segundo Sakamoto, ajudar a impulsionar o uso da tecnologia piezoelétrica. "Sem contar o ganho ambiental por se produzir uma energia limpa", salientou.
"Dentro do próprio automóvel, poderíamos instalar geradores piezoelétricos que se alimentariam dos movimentos dos amortecedores, do giro dos pneus e de outras peças móveis", estima. A fonte alternativa pouparia o motor do carro, atualmente o responsável pela alimentação de seu sistema elétrico.
As aplicações são inúmeras. Um exemplo seria o no uso de compósitos em solas de sapatos, capazes de gerar energia suficiente para alimentar aparelhos celulares e outros eletrônicos portáteis enquanto seus usuários caminham.
Aplicações dos materiais piezoelétricos
Outro emprego da tecnologia piezoelétrica estaria na inspeção estrutural de materiais como, por exemplo, os usados na fuselagem de aeronaves. Sakamoto averiguou que o compósito foi bem-sucedido na detecção de microtrincas em placas de fibra de carbono presente nos aviões.
Ao colar o filme compósito na superfície da placa, a presença de trincas é detectada. Isso ocorre porque as fissuras emitem sinais conhecidos como ondas de Lamb. Nesse caso, o PZT percebe a interferência e gera um sinal que pode ser lido em um osciloscópio.
Entre outras possíveis aplicações desses sensores também estão a detecção de vazamentos de raios X em clínicas e hospitais e a produção de implantes capazes de estimular o crescimento ósseo guiado, o que seria muito útil em tratamentos ortopédicos e implantes dentário.
Supercapacitores
Entre os próximos desafios da pesquisa está o desenvolvimento de matrizes poliméricas mais moles, semelhantes à borracha. "Em teoria, quanto maior a deformação do compósito, maior é o sinal gerado", explicou o professor da Unesp.
Os pesquisadores procuram parceiros que se interessem em investigar novos capacitores que consigam armazenar uma quantidade maior de energia do que os modelos atuais. A nova geração desses dispositivos, apelidados de supercapacitores, é alvo das pesquisas desse tipo de energia.

Sakamoto aponta que a resposta para esse obstáculo estará mais uma vez na nanotecnologia. "O desafio será desenvolver outro nanomaterial com a propriedade primordial de acumular grande quantidade de energia em um tamanho reduzido", disse.

Revitalizar o Velho Chico é mudar as atividades produtivas, dizem pesquisadores

Agência Brasil


A continuidade do modelo econômico atual na Bacia do Rio São Francisco, com atividades que consomem muita água e provocam devastação dos biomas, e a falta de informações sobre a real necessidade por água podem atrapalhar ou mesmo inviabilizar a revitalização do manancial.
A opinião é compartilhada pelo engenheiro agrônomo João Suassuna, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), e pelo sociólogo Adriano Martins, que participou de uma peregrinação pelas cidades cortadas pelo rio na década de 1990.
Especialista em convivência com o semiárido, Suassuna se diz incrédulo com o plano Novo Chico, lançado pelo governo do presidente interino Michel Temer. Ele relata que o Rio São Francisco praticamente não tem mais mata ciliar, o que provoca assoreamento e, em consequência, a baixa reprodução de peixes. Além disso, ele cita que é urgente solucionar o problema dos esgotos que são lançados sem tratamento na calha do rio. O novo programa prevê ações para  proteção e recuperação das nascentes, controle de processos erosivos e recuperação de áreas degradadas. Na primeira fase, terão prioridade as obras de abastecimento de água e de esgotamento sanitário que estão em andamento, com investimento total de R$ 1,162 bilhão. 


Revitalizar o Rio São Francisco passa por mudar as atividades produtivas
Revitalizar o Rio São Francisco passa por mudar as atividades produtivas

O pesquisador conta que, no início do governo Lula (o primeiro mandato do ex-presidente foi de 2003 a 2006), houve uma preocupação e uma intenção de atacar esse problema. No entanto, com o advento do projeto da transposição, os recursos acabaram sendo redirecionados.
“O governo Temer chega agora com o plano Novo Chico e tenta acelerar essas questões da revitalização, mas estamos numa crise muito séria, com falta de recursos. Não acredito, em hipótese alguma, que esse plano vá para frente. Deveria haver prioridade na conclusão da transposição e deixar para mais tarde, depois que começar a resolver os problemas de abastecimento do povo, o investimento na revitalização do rio.”
Suassuna aponta que é necessário realizar um trabalho intenso comandado por hidrólogos para saber qual a oferta e a demanda por água do São Francisco. Ele relata, por exemplo, que existe um uso exacerbado da água dos aquíferos (águas subterrâneas), principalmente pela agricultura irrigada.
“O que se sabe hoje é que o São Francisco está correndo com pouca água, há a perspectiva de a represa de Sobradinho chegar ao volume morto em novembro, numa situação em que o Nordeste está sedento. Se a transposição estivesse em funcionamento, o rio não teria condições de fornecer o volume suficiente para atender as necessidades dos nordestinos.”
Quase 25 anos atrás, as condições da bacia do rio São Francisco já chamavam a atenção de estudiosos e ambientalistas. Em 1992, quatro pessoas, entre elas o hoje bispo de Barra (BA), dom Luiz Cappio, e o sociólogo Adriano Martins, realizaram uma peregrinação por cidades da bacia desde a nascente até a foz, para dialogar com as populações ribeirinhas sobre a degradação do manancial e buscar soluções para os problemas.
À época, segundo Martins, a situação mais visível era o desmatamento das matas ciliares, das regiões de nascentes e das encostas, o que gerava o carreamento de terra para o leito do rio. Os impactos dos grandes barramentos, a exemplo da represa de Sobradinho, também foram notados pelos peregrinos. De acordo com o sociólogo, as obras alteraram o ciclo de vazão e cheia, fazendo com que as águas cheguem à foz sem força e provocando o avanço do mar rio adentro.
A falta de gestão do uso das águas também foi verificada na década de 1990 e, de acordo com Martins, o problema persiste e se agrava a partir do avanço do agronegócio. “Há uma busca maior da água para fins produtivos. Existe um esforço do comitê de bacias [Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco] para mediar esses conflitos, minorá-los, mas na hora da disputa, quem tem mais peso político e mais poder econômico acaba levando vantagem.”
Furo na água
Segundo a Agência Nacional das Águas (ANA), 68% da água retirada do rio São Francisco são destinadas à irrigação.
O sociólogo defende que a revitalização do rio São Francisco requer uma reorientação da proposta de desenvolvimento da região, revendo, por exemplo atividades como o plantio de eucalipto para produção de celulose e monoculturas para exportação, que são altamente degradantes. Para ele, há atividades lucrativas que causam pouco impacto na região da bacia, como a caprinocultura e a ovinocultura.
“Pensar revitalização sem pensar a reorientação do desenvolvimento da região é como fazer furo na água. É possível evitar danos maiores, mas não revitaliza de fato.”

Cerrado recebe projeto para conservação da biodiversidade


Agência Brasil



O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) lançou nesta sexta-feira (26), em Brasília, o Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) do Cerrado, um projeto para conservação deste bioma. Com duração prevista de cinco anos, o programa tem o objetivo de preservar o bioma, sua fauna e sua flora. A iniciativa, que recebeu recursos de US$ 7 milhões, deve ir até julho de 2021.
Segundo o IEB, o fundo é administrado pela Conservação Internacional, que tem como parceiros a Agência Francesa de Desenvolvimento, o Banco Mundial, a Fundação John D. e Catherine T. MacArthur, o Fundo Mundial para o Meio Ambiente, o governo do Japão e a União Europeia.



A capivara, um dos animais que aparecem na região do Cerrado brasileiro
A capivara, um dos animais que aparecem na região do Cerrado brasileiro

De acordo com o instituto, o Cerrado cobre mais de 2 milhões de quilômetros quadrados (km²) do território brasileiro e é rico em diversidade de plantas, contando com cerca de 12 mil espécies nativas. Foram catalogadas 250 espécies de mamíferos e registradas mais 856 espécies de aves. No Cerrado, encontram-se ainda 800 espécies de peixes, 262 de répteis e 204 de anfíbios.
O bioma é considerado extremamente importante para o sistema hídrico do país. As três maiores bacias hidrográficas do país (Amazonas/Tocantins, São Francisco e Prata) nascem na região do Cerrado.
De acordo com o IEB, o Cerrado vem sendo ameaçado pelo avanço da atividade agrícola, que provocou a destruição de metade do bioma.
O projeto lançado hoje cria projetos estratégicos de conservação das reservas de biodiversidade, promovendo a gestão das áreas protegidas, o fortalecimento das cadeias produtivas associadas aos recursos naturais, protegendo as espécies em extinção e fortalecendo as sociedades civis para promover a gestão dos recursos naturais.

Após 30 anos de pesquisas, Fiocruz anuncia fase final de vacina contra esquistossomose

Extraído do site Jornal do Brasil



A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou uma nova fase de estudos clínicos da vacina brasileira, chamada de Sm14, para o combate a esquistossomose, doença que atinge atualmente cerca de 200 milhões de pessoas em várias partes do mundo. Segundo o Instituto, os estudos começarão ainda neste ano no Brasil. 
A doença é transmitida pelo parasita Schistosoma e atinge principalmente países pobres que não possuem condições adequadas de saneamento básico. No Brasil, 19 estados, principalmente da região Nordeste do país, apresentam casos de esquistossomose. 
Após 30 anos para ser produzida, esta é a primeira vez que uma vacina nacional parasitária chega até a fase final de testes no Brasil. 
De acordo com a Pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, Miriam Tendler, o desenvolvimento da SM 14 é uma das prioridades da Organização Mundial da Saúde para garantir o acesso de países pobres a tecnologias de última geração contra a doença.
"É crescente a preocupação da Organização Mundial da Saúde, com o contraste que existe entre os países ricos e pobres no acesso a tecnologias modernas, de ponta, certamente mais seguras e mais eficazes." 
O desenvolvimento da vacina faz parte de uma parceria público privada (PPP) entre a Fiocruz e a empresa Orygen Biotecnologia S.A.  
A  vacina vai ser feita a partir de um antígeno, que é uma substância que estimula a produção de anticorpos, evitando que o parasita causador da doença se instale no organismo ou que lhe cause danos. 
Miriam Tendler destacou ainda a importância do Brasil na liderança desse tipo de pesquisa, já que o país é referência mundial na fabricação de vacinas. Doenças como coqueluche, difteria, tétano, hepatite B e febre amarela estão atualmente controladas devido a tecnologia brasileira. 
"Um produto feito por um país como o Brasil do Hemisfério Sul para uma doença que é importante para o Hemisfério Sul. É a inauguração de uma estratégia, de uma outra lógica, mostrando que somos capazes de fazer isso e que abre caminho para geração de novas tecnologias e produtos semelhantes." 
A previsão é a de que os testes tenham início já a partir deste mês e siga até dezembro de 2016, período em que se registra mais casos da doença em território africano. 
A Sm14 será administrada em três doses, com intervalos de um mês entre cada uma. A conclusão e os resultados dos estudos estão previstos para 2017.

sábado, 27 de agosto de 2016

Conheça 4 edifícios inteligentes ao redor do mundo

Extraído da revista Exame

                                                                                                                              iStockphoto 
Taipei 101, na capital de Taiwan: detectores de presença humana para economizar energia.

Na década de 1980, quando a automatização de sistemas hidráulicos, de iluminação e de ar- condicionado se tornou mais acessível, o conceito de edifícios inteligentes ganhou força. A popularização do termo coincidiu com o aumento da preocupação com o meio ambiente. “Um edifício inteligente tem a vantagem de ser flexível e de acompanhar as demandas de mercados em transformação”, diz José Luiz De Martini, dono da Engenharia Gerencial, que presta assessoria para a implantação de sistemas elétricos.   
Segundo De Martini, o avanço da automação permite que as construções atuais consumam menos da metade da energia utilizada em prédios feitos há 40 anos. Existem instituições que certificam edifícios construídos segundo rigorosos padrões de qualidade e eficiência. Uma delas é a U.S. Green Building Council, que emite o certificado Leadership in Energy and Environmental Design (Leed). Criada em 1998 nos Estados Unidos, a certificação vem sendo aplicada em vários países e é reconhecida como um indicador de qualidade.
Conheça quatro edifícios ao redor do mundo que possuem o selo Leed e entenda por que eles são considerados prédios inteligentes. 
1) Taipei 101 (Taipei, Taiwan)
Os 101 andares do Taipei Financial Center, nome completo do edifício da capital taiwanesa retratado na imagem acima, comportam mais de 3 400 dispositivos de controle capazes de desligar imediatamente o ar-condicionado quando detectam que o ambiente está desocupado. 
Estima-se que a economia de energia, se comparada a de um edifício convencional do mesmo porte, seja próxima a 700 000 dólares anuais. 
O Taipei 101 foi concluído em 2004 e só comporta escritórios. O prédio possui 508 metros de altura e é considerado o quarto maior do mundo pelo ranking da organização americana Council on Tall Buildings and Urban Habitat. Trata-se do maior edifício com a certificação Leed. 
Gafisa
Eldorado Business Tower, em São Paulo: fachada projetada para aproveitar a luz natural
2)  Eldorado Business Tower (São Paulo, Brasil)
Concluído em 2007, o edifício possui uma fachada de vidro especial que permite aproveitar 70% da luz natural, retendo apenas 28% do calor, o que gera economia em iluminação e ar-condicionado. 
Seus elevadores possuem um dínamo que, a cada chegada e partida, regenera e reaproveita a energia. Isso gera uma economia de 50% em relação ao que é consumido por um elevador comum. 
O Eldorado Business Tower foi o primeiro edifício a receber o certificado Platinum, o mais alto da categoria na América Latina.  A torre destinada a escritórios tem 32 andares, centro de convenções e heliponto para até dois helicópteros de dez toneladas cada.
iStockphoto
Aeroporto O’Hare, em Chicago (Estados Unidos): jardim que ajuda a manter a temperatura
3) Aeroporto Internacional O’Hare (Chicago, Estados Unidos)
Famoso por sua arquitetura, o aeroporto mais importante de Chicago possui uma plataforma de gestão que faz a integração de todos os seus sistemas de consumo de energia, de segurança e de automação. 
O aeroporto possui uma área verde que ocupa 104 000 metros quadrados, distribuídos pelos telhados das torres. Chamado jardim aeropônico, ele permite o cultivo de plantas suspensas, sem o uso de terra. O jardim minimiza o efeito conhecido como ilha de calor – a concentração de altas temperaturas em áreas desmatadas – e demanda um uso menor de ar-condicionado.
A estrutura do aeroporto é composta por cinco terminais conectados por um trem gratuito usado para o transporte de passageiros. 
Construído no final da Segunda Guerra Mundial, o O’Hare foi o sétimo aeroporto mais movimentado do mundo em 2014, segundo a organização Airports Council International. Por lá passaram 69,9 milhões de passageiros no ano passado. 
4) Sello Shopping Center (Espoo, Finlândia)
Shopping centers são conhecidos por demandar bastante energia, mas esse empreendimento finlandês, inaugurado em 2003, é um exemplo de eficiência. O Sello foi o primeiro shopping europeu a obter a certificação Leed Gold. 
Em 2010, foi inaugurado um centro operacional no edifício com sistemas de monitoramento de energia que permitem ajustar o gasto energético em ambientes menos frequentados. Desde então, o consumo de eletricidade caiu 27%. O uso de energia termoelétrica, gerada a partir da queima de combustíveis, caiu 15%.
O sistema também permite controlar a emissão de dióxido de carbono. Graças ao monitoramento, 630 toneladas de carbono deixaram de ser emitidas anualmente. 
O Sello fica na cidade de Espoo, que compõe a região metropolitana de Helsinque. O espaço possui cerca de 170 lojas, além de abrigar uma biblioteca e uma sala de concertos.


Conheça o bioconcreto, material que fecha as próprias rachaduras

Pela BBC - Brasil

Pedreiro misturando concretoImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionO concreto é o material mais consumido do mundo, atrás apenas da água, segundo o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável
A ideia soa tão atraente quanto a ficção científica: edifícios que fecham suas próprias rachaduras, como seres vivos curando suas feridas.
Para o cientista holandês Henk Jonkers, não se trata de um projeto fantástico, mas uma realidade muito concreta - literalmente.
Pesquisadores da Universidade Técnica de Delft, na Holanda, desenvolveram o que chamaram de bioconcreto, um material literalmente vivo e capaz de regenerar construções desgastadas.
"Nosso concreto vai revolucionar a maneira como construímos, pois nos inspiramos na natureza", disse Jonkers, por ocasião de receber o prêmio de melhor europeu inventor em 2015 .
Casas destruídas por terremotoImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionPesquisadores acreditam que o bioconcreto possa fortalecer estruturas e assim reduzir o potencial de estrago causado por terremotos
Mais do que inspirado na natureza, o bioconcreto é feito dela. É que as propriedades extraordinárias do material se devem à presença de bactérias.

Duras de matar

Para preparar o bioconcreto, os cientistas misturam concreto tradicional com colônias da bactéria Bacillus pseudofirmus, que em seu estado natural pode habitar ambientes tão hostis quando crateras de vulcões ativos.
"O surpreendente é que essas bactérias formam esporos e podem sobreviver por mais de 200 anos nos edifícios", diz Jonkers.
A essa mistura acrescenta-se lactato de cálcio - alimento das bactérias - e o material está pronto.
BactériasImage copyrightSCIENCE PHOTO LIBRARY
Image captionSem oxigênio e em estado latente, as bactérias que compõem o bioconcreto podem permanecer vivas por séculos, dizem cientistas
Quando aparecem fissuras nos edifícios construídos de bioconcreto, as bactérias que aí habitam ficam expostas aos elementos físicos, principalmente água.
A umidade que penetra nas fissuras "acorda" os microorganismos, que começam a consumir lactato de cálcio e, como produto final da digestão, produzem calcário.
O calcário repara as rachaduras no bioconcreto em apenas três semanas.

Economia de custo

"Não há limite para a extensão da rachadura que o nosso material pode reparar. Pode ser de centímetros a quilômetros", diz Henk Jonkers.
Para a rachadura em si, no entanto, há um limite: a fissura não pode ser mais larga que 8 milímetros.
RachaduraImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionMaterial pode reparar rachaduras de qualquer extensão, desde que não tenham uma abertura maior que oito milímetros
Ainda assim, o bioconcreto pode economizar bilhões de dólares na manutenção de estruturas como paredes de edifícios, pontes ou barragens.
Segundo a HealCon, organização que pretende promover o uso de novo material, só na Europa são gastos anualmente US $ 6,8 bilhões (mais de R$ 22 bilhões) para reparar edifícios enfraquecidos.
"Apesar de ser mais caro que o concreto tradicional, o benefício econômico é perceptível, pois economiza em custos de manutenção", disse o cientista ao jornal britânico The Guardian
Henk Jonkers afirma que o material já foi empregado na construção de canais de irrigação no Equador, país altamente sísmico.
Ponte Yavuz Sultan Selim, sobre o estreito de Bósforo, na TurquiaImage copyrightREUTERS
Image captionMaterial pode ser usado em obras monumentais, como a terceira ponte sobre o estreito de Bósforo na Turquia - mas a que custo?
O material também seria uma esperança para prédios antigos e cheios de rachadura, susceptíveis a colapsar mesmo com tremores de terra leves.
A técnica forma a base de um spray, também desenvolvido pela Universidade Técnica de Delft, que usa os mesmos princípios e pode ser aplicado diretamente sobre pequenas rachaduras.

Teste do mercado

Mas apesar da visão tentadora de edifícios capazes de se autorreparar, o bioconcreto ainda precisa superar o teste mais duro de todos: do mercado.
Cidade do MéxicoImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionCidades grandes, como a Cidade do México, combinam construções novas com edifícios antigos e fragilizados
O custo do novo produto poderia elevar demasiadamente o valor de grandes projetos de infraestrutura .
Segundo o Guardian, enquanto o metro cúbico de concreto tradicional custa pouco menos de US$ 80 (R$ 260), o novo material passaria dos US$ 110 (R$ 360) - um acréscimo de quase 40%.
Para ser bem sucedido, essa conta é agora a principal lacuna que o bioconcreto deve fechar.