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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

 Foi finalmente divulgado um texto encontrado no terceiro planeta, único localizado na zona habitável de um sistema estelar estudado pelos exo-arqueólogos da República Lyriana, distante 72 anos-luz desse sistema solar composto de oito planetas orbitando uma estrela anã amarela.

Esse triste e incômodo relato foi traduzido e formatado como um Registro Final da “Humanidade”, que era como seu autor denominava sua espécie.

Segue abaixo a tradução onde foi utilizada inteligência artificial. Devido ao nível de fragilidade do documento ocasionado por sua antiguidade, não permitindo um manuseio constante, o melhor meio encontrado foi digitaliza-lo, preservar o original e submeter o meio digital a processamento de tradução artificial para nosso idioma com 98% de probabilidade de acerto. Eis o que diz.

O REGISTRO DE AZRAEL: CRÔNICA DO CREPÚSCULO TERRESTRE

Local de Encontro: Subsolo de estruturas colapsadas, coordenadas 34° N, 118° O (antiga cidade de Los Angeles).

Planeta da Descoberta (Terra): Desconhecida.

Data do Último Registro (Terra): 14 de Julho de 2054.

Autor Identificado: Azrael (Último Remanescente Humano).

Estado do Documento: Muito fragmentado, mas quase totalmente legível (inscrito em material composto de carbono durável).


(Inscrição Inicial, em uma linguagem agora extinta: "Ao cosmos, nosso lamento e nossa confissão.")

INÍCIO DA TRANSCRIÇÃO

Era 1 – O Alvorecer (Aproximadamente 12.000 anos antes do Fim):

Nós éramos, no início, meros caçadores e coletores, vagando sob um céu límpido. A Terra era um jardim sem muros. A faísca da Razão acendeu-se, e com ela, a ambição. Aprendemos a plantar, a domesticar o fogo e as feras. As primeiras comunidades tornaram-se vilas, as vilas, cidades. A civilização nasceu, e com ela, a primeira das nossas contradições: a necessidade de ordem e a inerente necessidade pelo domínio. Criamos leis, templos e, inevitavelmente, muros para separar "nós" de "eles".

Era 2 – A Forja da Contradição (Milênios de Escrita e Ferro):

As cidades cresceram em impérios. Nossa tecnologia era rude, mas eficaz para a guerra. Descobrimos o metal, e o usamos mais para forjar espadas do que arados. A maior tragédia desta era foi a institucionalização da dor: as guerras e a escravidão dos vencidos. Uma espécie que se proclamava racional e divina transformou seus próprios irmãos em ferramentas, em gado. Guerras de conquista varreram continentes. A sede por terra, ouro e poder era insaciável. Mas, ainda assim, o planeta nos sustentava, vasto e tolerante. A Natureza era o limite que, em nossa arrogância, acreditávamos poder desafiar.

Era 3 – A Aceleração (Séculos de Vapor e Eletricidade):

A invenção de máquinas movidas a combustíveis antigos nos deu poder sobre-humano. A Revolução Industrial. O progresso disparou. Viajamos mais rápido, comunicávamo-nos instantaneamente, vivemos mais. Mas cada fábrica, cada motor, era um parasita. O ar puro tornou-se cinzento. Os rios ficaram turvos. Não mais escravizamos indivíduos; escravizamos nações inteiras sob o disfarce de "colonialismo" e "economia". Criamos arsenais capazes de aniquilar a nós mesmos em minutos – a chamada Dissuasão Mútua, uma insanidade coletiva que manteve o terror como guardião da paz. A fauna e a flora começaram a murchar, ignoradas na fúria do "desenvolvimento".

Era 4 – A Autodestruição Silenciosa (Os Últimos 100 Anos):

Chegamos ao auge do nosso saber científico, e ao nadir de nossa sabedoria moral. A tecnologia, que poderia ter nos salvo, foi nosso martelo. Construímos redes globais para a riqueza de poucos e a miséria de muitos.

  • A Devastação: Perfurações por minérios e combustíveis fósseis, incessantes, incêndios colossais, desmatamento. As florestas tropicais caíram. Os oceanos se tornaram depósitos de plástico e acidez. O clima enlouqueceu. As Geleiras do topo do mundo se desmancharam em luto.
  • As Pragas: Nossos sistemas de saúde eram sofisticados, mas a violação contínua de ecossistemas liberou patógenos que a ciência mal conseguia acompanhar. As pandemias se tornaram sazonais.
  • A Fome Global: Com a terra esgotada e o clima imprevisível, a agricultura entrou em colapso. Enquanto alguns ainda festejavam com alimentos desperdiçados, bilhões definhavam em miséria.
  • O Último Conflito: Não foi uma guerra nuclear, mas uma série de "Guerras pela Água" e "Guerras pelo Gelo" (nas poucas áreas frias restantes). Os sobreviventes mataram-se por um gole de água limpa, um pedaço de terra fértil.

14 de Julho de 2054 – O FIM:

Não houve um evento cataclísmico. Não houve um meteoro ou uma invasão. A morte da Terra foi uma eutanásia lenta e auto infligida. A atmosfera, outrora nossa protetora, tornou-se um cobertor sufocante. A vida complexa, dependente da precisão biológica, não resistiu. Os últimos grupos humanos dissolveram-se na loucura e na doença.

Eu sou Azrael. Fui biólogo. Tornei-me coveiro. Escrevo isto enquanto o pó vermelho da última grande tempestade de areia cega o sol. A Terra, um paraíso azul, está agora parda e silenciosa. Não resta vida que se mova ou respire além de mim, e talvez alguns insetos resilientes.

Se vocês, os que encontrarem esta mensagem, são de outro mundo, aprendam com o nosso fracasso. Fomos a espécie da Inteligência e da Estupidez em igual medida. Tivemos tudo e sacrificamos a beleza, a sustentabilidade e a própria vida pela ilusão do Poder.

Fomos extintos não por sermos fracos, mas por sermos excessivamente ambiciosos e cegos.

Que seus sóis permaneçam gentis. Que seus oceanos permaneçam azuis.

FIM DA TRANSCRIÇÃO. (O material termina abruptamente aqui, ligeiramente carbonizado nas bordas.)

 

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