Foi finalmente divulgado um texto encontrado no terceiro planeta, único localizado na zona habitável de um sistema estelar estudado pelos exo-arqueólogos da República Lyriana, distante 72 anos-luz desse sistema solar composto de oito planetas orbitando uma estrela anã amarela.
Esse triste e incômodo relato foi traduzido e
formatado como um Registro Final da “Humanidade”, que era como seu autor
denominava sua espécie.
Segue abaixo a tradução onde foi utilizada
inteligência artificial. Devido ao nível de fragilidade do documento ocasionado
por sua antiguidade, não permitindo um manuseio constante, o melhor meio
encontrado foi digitaliza-lo, preservar o original e submeter o meio digital a
processamento de tradução artificial para nosso idioma com 98% de probabilidade
de acerto. Eis o que diz.
O REGISTRO DE AZRAEL: CRÔNICA DO CREPÚSCULO
TERRESTRE
Local de
Encontro: Subsolo
de estruturas colapsadas, coordenadas 34° N, 118° O (antiga cidade de Los
Angeles).
Planeta
da Descoberta (Terra): Desconhecida.
Data do
Último Registro (Terra): 14 de Julho de 2054.
Autor
Identificado: Azrael
(Último Remanescente Humano).
Estado do
Documento: Muito fragmentado,
mas quase totalmente legível (inscrito em material composto de carbono
durável).
(Inscrição
Inicial, em uma linguagem agora extinta: "Ao cosmos, nosso lamento e nossa
confissão.")
INÍCIO DA
TRANSCRIÇÃO
Era 1 – O
Alvorecer (Aproximadamente 12.000 anos antes do Fim):
Nós
éramos, no início, meros caçadores e coletores, vagando sob um céu límpido. A
Terra era um jardim sem muros. A faísca da Razão acendeu-se, e com ela,
a ambição. Aprendemos a plantar, a domesticar o fogo e as feras. As primeiras
comunidades tornaram-se vilas, as vilas, cidades. A civilização nasceu, e com
ela, a primeira das nossas contradições: a necessidade de ordem e a inerente
necessidade pelo domínio. Criamos leis, templos e, inevitavelmente, muros para
separar "nós" de "eles".
Era 2 – A
Forja da Contradição (Milênios de Escrita e Ferro):
As
cidades cresceram em impérios. Nossa tecnologia era rude, mas eficaz para a
guerra. Descobrimos o metal, e o usamos mais para forjar espadas do que arados.
A maior tragédia desta era foi a institucionalização da dor: as guerras e a escravidão
dos vencidos. Uma espécie que se proclamava racional e divina transformou
seus próprios irmãos em ferramentas, em gado. Guerras de conquista varreram
continentes. A sede por terra, ouro e poder era insaciável. Mas, ainda assim, o
planeta nos sustentava, vasto e tolerante. A Natureza era o limite que,
em nossa arrogância, acreditávamos poder desafiar.
Era 3 – A
Aceleração (Séculos de Vapor e Eletricidade):
A
invenção de máquinas movidas a combustíveis antigos nos deu poder sobre-humano.
A Revolução Industrial. O progresso disparou. Viajamos mais rápido, comunicávamo-nos
instantaneamente, vivemos mais. Mas cada fábrica, cada motor, era um parasita.
O ar puro tornou-se cinzento. Os rios ficaram turvos. Não mais escravizamos
indivíduos; escravizamos nações inteiras sob o disfarce de
"colonialismo" e "economia". Criamos arsenais capazes de
aniquilar a nós mesmos em minutos – a chamada Dissuasão Mútua, uma
insanidade coletiva que manteve o terror como guardião da paz. A fauna e a
flora começaram a murchar, ignoradas na fúria do "desenvolvimento".
Era 4 – A
Autodestruição Silenciosa (Os Últimos 100 Anos):
Chegamos
ao auge do nosso saber científico, e ao nadir de nossa sabedoria moral. A
tecnologia, que poderia ter nos salvo, foi nosso martelo. Construímos redes
globais para a riqueza de poucos e a miséria de muitos.
- A Devastação: Perfurações por minérios e
combustíveis fósseis, incessantes, incêndios colossais, desmatamento. As
florestas tropicais caíram. Os oceanos se tornaram depósitos de plástico e
acidez. O clima enlouqueceu. As Geleiras do topo do mundo se desmancharam
em luto.
- As Pragas: Nossos sistemas de saúde
eram sofisticados, mas a violação contínua de ecossistemas liberou
patógenos que a ciência mal conseguia acompanhar. As pandemias se tornaram
sazonais.
- A Fome Global: Com a terra esgotada e o
clima imprevisível, a agricultura entrou em colapso. Enquanto alguns ainda
festejavam com alimentos desperdiçados, bilhões definhavam em miséria.
- O Último Conflito: Não foi uma guerra nuclear,
mas uma série de "Guerras pela Água" e "Guerras pelo
Gelo" (nas poucas áreas frias restantes). Os sobreviventes mataram-se
por um gole de água limpa, um pedaço de terra fértil.
14 de
Julho de 2054 – O FIM:
Não houve
um evento cataclísmico. Não houve um meteoro ou uma invasão. A morte da Terra
foi uma eutanásia lenta e auto infligida. A atmosfera, outrora nossa
protetora, tornou-se um cobertor sufocante. A vida complexa, dependente da
precisão biológica, não resistiu. Os últimos grupos humanos dissolveram-se na
loucura e na doença.
Eu sou
Azrael. Fui biólogo. Tornei-me coveiro. Escrevo isto enquanto o pó vermelho da
última grande tempestade de areia cega o sol. A Terra, um paraíso azul, está
agora parda e silenciosa. Não resta vida que se mova ou respire além de mim, e
talvez alguns insetos resilientes.
Se vocês,
os que encontrarem esta mensagem, são de outro mundo, aprendam com o nosso
fracasso. Fomos a espécie da Inteligência e da Estupidez em igual
medida. Tivemos tudo e sacrificamos a beleza, a sustentabilidade e a própria
vida pela ilusão do Poder.
Fomos
extintos não por sermos fracos, mas por sermos excessivamente ambiciosos e
cegos.
Que seus
sóis permaneçam gentis. Que seus oceanos permaneçam azuis.
FIM DA
TRANSCRIÇÃO. (O
material termina abruptamente aqui, ligeiramente carbonizado nas bordas.)

Nenhum comentário:
Postar um comentário