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sábado, 7 de março de 2020

‘Somos cada vez menos felizes e produtivos porque estamos viciados na tecnologia’

Pela BBC News Mundo


Retrato de Marta Peirano em área ao ar livre e arborizadaDireito de imagem
Image captionDesde os anos 90, quando descobriu a cena dos hackers em Madri, a jornalista espanhola Marta Peirano estuda a tecnologia de forma crítica

"Há um usuário novo, uma notícia nova, um novo recurso. Alguém fez algo, publicou algo, enviou uma foto de algo, rotulou algo. Você tem cinco mensagens, vinte curtidas, doze comentários, oito retweets. (...) As pessoas que você segue seguem esta conta, estão falando sobre este tópico, lendo este livro, assistindo a este vídeo, usando este boné, comendo esta tigela de iogurte com mirtilos, bebendo este drinque, cantando esta música."
O cotidiano digital descrito pela jornalista espanhola Marta Peirano, autora do livro El enemigo conoce el sistema (O inimigo conhece o sistema, em tradução livre), esconde na verdade algo nada trivial: um sequestro rotineiro de nossos cérebros, energia, horas de sono e até da possibilidade de amar no que ela chama de "economia da atenção", movida por tecnologias como o celular.
Nesse ciclo, os poderosos do sistema enriquecem e contam com os melhores cérebros do mundo trabalhando para aumentar os lucros enquanto entregamos tudo a eles.
"O preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que você oferece em troca", diz a jornalista.
Desde os anos 90, quando descobriu a cena dos hackers em Madri, até hoje, ela não parou de enxergar a tecnologia com um olhar crítico e reflexivo. Seu livro narra desde o início libertário da revolução digital até seu caminho para uma "ditadura em potencial", que para ela avança aos trancos e barrancos, sem que percebamos muito.
Marta Peirano foi uma das participantes do evento Hay Festival Cartagena, um encontro de escritores e pensadores que aconteceu na cidade colombiana entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro. A seguir, leia a entrevista concedida à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
BBC News Mundo - Você diz que a 'economia da atenção' nos rouba horas de sono, descanso e vida social. Por quê?
Marta Peirano - A economia da atenção, ou o capitalismo de vigilância, ganha dinheiro chamando nossa atenção. É um modelo de negócios que depende que instalemos seus aplicativos, para que eles tenham um posto de vigilância de nossas vidas. Pode ser uma TV inteligente, um celular no bolso, uma caixinha de som de última geração, uma assinatura da Netflix ou da Apple.
E eles querem que você os use pelo maior tempo possível, porque é assim que você gera dados que os fazem ganhar dinheiro.
BBC News Mundo - Quais dados são gerados enquanto alguém assiste a uma série, por exemplo?
Peirano - A Netflix tem muitos recursos para garantir que, em vez de assistir a um capítulo por semana, como fazíamos antes, você veja toda a temporada em uma maratona. Seu próprio sistema de vigilância sabe quanto tempo passamos assistindo, quando paramos para ir ao banheiro ou jantar, a quantos episódios somos capazes de assistir antes de adormecer. Isso os ajuda a refinar sua interface.
Se chegarmos ao capítulo quatro e formos para a cama, eles sabem que esse é um ponto de desconexão. Então eles chamarão 50 gênios para resolver isso e, na próxima série, ficaremos até o capítulo sete.
BBC News Mundo - Os maiores cérebros do mundo trabalham para sugar nossa vida?
Peirano - Todos os aplicativos existentes são baseados no design mais viciante de que se tem notícia, uma espécie de caça-níquel que faz o sistema produzir o maior número possível de pequenos eventos inesperados no menor tempo possível. Na indústria de jogos, isso é chamado de frequência de eventos. Quanto maior a frequência, mais rápido você fica viciado, pois é uma sequência de dopamina.
Toda vez que há um evento, você recebe uma injeção de dopamina — quanto mais eventos encaixados em uma hora, mais você fica viciado.
BBC News Mundo - Todo tuíte que leio, todo post no Facebook que chama minha atenção, toda pessoa no Tinder de quem gosto é um 'evento'?
Peirano - São eventos. E na psicologia do condicionamento, há o condicionamento de intervalo variável, no qual você não sabe o que vai acontecer. Você abre o Twitter e não sabe se vai retuitar algo ou se vai se tornar a rainha da sua galera pelos próximos 20 minutos.
Não sabendo se receberá uma recompensa, uma punição ou nada, você fica viciado mais rapidamente.
A lógica deste mecanismo faz com que você continue tentando, para entender o padrão. E quanto menos padrão houver, mais seu cérebro ficará preso e continuará, como os ratinhos na caixa de [B.F.] Skinner, que inventou o condicionamento de intervalo variável. O rato ativa a alavanca obsessivamente, a comida saindo ou não.


Tela de celular com diversos aplicativosDireito de imagem
Image caption'Todos os aplicativos existentes são baseados no design mais viciante de que se tem notícia', diz Marta Peirano

BBC News Mundo - Os adultos podem entender isso, mas o que acontece com as crianças que apresentam sintomas de abstinência quando não estão conectadas ao Instagram, YouTube, Snapchat, Tik Tok por exemplo?
Peirano - As redes sociais são como máquinas caça-níqueis, quantificadas na forma de curtidas, corações, quantas pessoas viram seu post. E isso gera um vício especial, porque trata-se do que a sua comunidade diz — se o aceita, se o valoriza. Quando essa aceitação, que é completamente ilusória, entra em sua vida, você fica viciado, porque somos condicionados a querer ser parte do grupo.
Eles [as empresas] conseguiram quantificar essa avaliação e transformá-la em uma injeção de dopamina. As crianças ficam viciadas? Mais rápido do que qualquer um. E não é que elas não tenham força de vontade, é que elas nem entendem por que isso pode ser ruim.
Não deixamos nossos filhos beberem Coca-Cola e comer balas porque sabemos que o açúcar é prejudicial; mas damos a eles telas para serem entretidos, porque dessa forma não precisamos interagir com eles.
BBC News Mundo - E o que podemos fazer?
Peirano - Interagir com elas. Uma criança que não tem uma tela fica entediada. E uma criança entediada pode ser irritante, se você não estiver disposto a interagir com ela, porque talvez você prefira estar fazendo outras coisas.
BBC News Mundo - Olhando para sua própria tela, por exemplo?
Peirano - Vemos famílias inteiras ligadas ao celular e o que está acontecendo é que cada um está administrando seu próprio vício. Todo mundo sabe que os jogos de azar são ruins, que a heroína é ruim, mas o Twitter, o Facebook, não — porque eles também se tornaram ferramentas de produtividade.
Então, eu, que sou jornalista, quando entro no Twitter é porque preciso me informar; a cabeleireira no Instagram estará assistindo a um tutorial; há uma desculpa para todos.
O vício é o mesmo, mas cada um o administra de maneira diferente. E dizemos a nós mesmos que não é um vício, mas que estamos ficando atualizados e mais produtivos.
BBC News Mundo - Poderíamos nos caracterizar como viciados em tecnologia?
Peirano - Não somos viciados em tecnologia, somos viciados em injeções de dopamina que certas tecnologias incluíram em suas plataformas. Isso não é por acaso, é deliberado.
Há um homem ensinando em Stanford (universidade) àqueles que criam startups para gerar esse tipo de dependência.
Existem consultores no mundo que vão às empresas para explicar como provocá-la. A economia da atenção usa o vício para otimizar o tempo que gastamos na frente das telas.


Três homens em rua na China olhando para seus celularesDireito de image
Image captionPeirano diz que todos estamos viciados, mas cada um administra — e justifica — seu vício de uma maneira diferente

BBC News Mundo - Como você fala no livro, isso também acontece com a comida, certo? Somos manipulados por cheiros, ingredientes, e nos culpamos por falta de vontade e autocontrole (na dieta, por exemplo).
Peirano - É quase um ciclo de abuso, porque a empresa contrata 150 gênios para criar um produto que gera dependência instantânea.
Seu cérebro é manipulado para que a combinação exata de gordura, açúcar e sal gere uma sensação boa, mas como isso [a combinação] não nutre o corpo, a fome nunca passa, e você experimenta um tipo de curto-circuito: seu cérebro está pedindo mais, porque é gostoso, mas o resto do seu corpo diz que está com fome.
Como no anúncio da Pringles, "Once you pop, you can't stop" [depois que você abre, não consegue parar, em tradução livre]. O que é absolutamente verdade, porque abro um pote e até que eu o coma inteiro, não consigo pensar em outra coisa.
Então, dizem: 'bem, isso é porque você é um glutão'. O pecado da gula! Como você não sabe se controlar, vou vender um produto que você pode comer e comer e não fará você engordar, os iogurtes light, a Coca-Cola sem açúcar.
E a culpa faz parte desse processo. No momento, no Vale do Silício, muitas pessoas estão fazendo aplicativos para que você gaste menos tempo nos aplicativos. Esse é o iogurte.
BBC News Mundo - Essa conscientização, de entender como funciona, ajuda? É o primeiro passo?
Peirano - Acho que sim. Também percebo que o vício não tem nada a ver com o conteúdo dos aplicativos.
Você não é viciado em notícias, é viciado em Twitter; não é viciado em decoração de interiores, é viciado em Pinterest; não é viciado em seus amigos ou nos seus filhos maravilhosos cujas fotos são postadas, você é viciado em Instagram.
O vício é gerado pelo aplicativo e, quando você o entende, começa a vê-lo de maneira diferente. Não é falta de vontade: eles são projetados para oferecer cargas de dopamina, que dão satisfação imediata e afastam de qualquer outra coisa que não dá isso na mesma medida, como brincar com seu filho, passar tempo com seu parceiro, ir para a natureza ou terminar um trabalho — tudo isso exige uma dedicação, já que há satisfação, só que não imediata.
BBC News Mundo - De tudo o que você cita, manipulações, vigilância, vícios, o que mais a assusta?
Peirano - O que mais me preocupa é a facilidade com que as pessoas estão convencidas a renunciar aos seus direitos mais fundamentais e a dizer: quem se importa com meus dados? Quem se importa com onde eu estive?
Há 40 anos, pessoas morriam pelo direito de se encontrar com outras pessoas sem que o governo soubesse suas identidades; pelo direito de ter conversas privadas ou pelo direito de sua empresa não saber se há uma pessoa com câncer em sua família.
Custou-nos muito sangue para obtê-los (os direitos) e agora estamos abandonando-os com um desprendimento que não é natural — é implantado e alimentado por um ecossistema que se beneficia dessa leveza.
BBC News Mundo - Quando você envia um email, sabe que outros podem lê-lo, mas de fato pensamos: quem se importará com o que eu escrevo?
Peirano - Ninguém realmente se importa, até o momento que se importe, porque todo esse material é armazenado e, se estiver disponível para o governo, ele terá ferramentas para contar qualquer história sobre você. E você não poderá refutá-lo.
Se o governo quiser colocá-lo na cadeia porque você produz um material crítico, ele pode encontrar uma maneira de vinculá-lo a um terrorista. Bem, talvez seus filhos tenham estudado juntos por um tempo e possa ser mostrado que as placas dos seus carros coincidiram várias vezes na mesma estrada por três anos. Nesse sentido, seus dados são perigosos.


Mulher na rua olha sorrindo para celularDireito de
Image captionO vício em aplicativos não tem a ver diretamente com o conteúdo deles, mas com seu design, que desperta injeções de dopaminas

BBC News Mundo - Você diz no livro que "2,5 quintilhões de dados são gerados todos os dias", incluindo milhões de e-mails, tuítes, horas de Netflix e pesquisas no Google. O que acontece com tudo isso?
Peirano - Estamos obcecados com nossos dados pessoais, fotos, mensagens... Mas o valor de verdade é estatístico, porque suas mensagens, com as de outras bilhões de pessoas, informam a uma empresa ou a um governo quem somos coletivamente.
Eles os usam primeiro para os anunciantes. E depois para criar previsões, porque este é um mercado de futuros.
Eles sabem que quando, em um país com certas características, o preço da eletricidade sobe entre 12% e 15%, acontece X; mas, se sobe entre 17% e 30%, outra coisa Y acontece. As previsões são usadas para manipular e ajustar suas atividades — para saber, por exemplo, até onde você pode prejudicar a população com o preço das coisas antes ela se revolte contra você ou comece a se suicidar em massa.
BBC News Mundo - Como o que aconteceu no Chile, com manifestações motivadas inicialmente pelo aumento no preço da passagem do metrô..?
Peirano - Talvez o governo chileno não esteja processando dessa maneira, mas o Facebook está, o Google está — porque todas as pessoas na rua têm o celular no bolso. E elas o carregaram durante os últimos anos de sua vida.
O Facebook sabe em que bairros aconteceu o que e por quê; como as pessoas se reúnem e como se dispersam; quantos policiais precisam chegar para que a manifestação se dissolva sem mortes.
BBC News Mundo - Mas quem está disposto a ficar sem o celular, a internet? Qual é o caminho para o cidadão normal?
Peirano - O problema não é o celular, não é a internet. Todas as tecnologias das quais dependemos são ferramentas da vida contemporânea, voluntariamente as colocamos em nossos celulares. Mas elas não precisam da vigilância para funcionar, nem precisam monitorar você para prestar um serviço. Eles não precisam disso, o que acontece é que a economia de dados é muito gulosa.
BBC News Mundo - Os negócios são tão lucrativos que vão continuar a fazê-lo da mesma maneira ainda que tentemos impor limites?
Peirano - É muito difícil para um governo enfrentar tecnologias que facilitam esse controle populacional, que é interessante. Mas a ideia é exigir que isso aconteça.
Se, agora, você desativar todos os sistemas de geolocalização do seu celular, eles continuarão a geolocalizá-lo.
Assim como no Facebook ou no Twitter, em que você pode bloquear o que posta para algumas pessoas ou para todos — somente você... e o Facebook veem. O que acontece nos centros de dados deles, acontece para você e para eles. Você não pode bloquear o Facebook, porque você está no Facebook.


Cidade com vários prédios iluminados durante a noite e símbolos de localização ilustrados e sobrepostosDireito
Image caption'Se, agora, você desativar todos os sistemas de geolocalização do seu celular, eles continuarão a geolocalizá-lo', alerta jornalista espanhola

BBC News Mundo - Você está sugerindo que precisamos nos rebelar e exigir privacidade?
Peirano - Mas não contra empresas. É natural que elas se beneficiem de uma fonte de financiamento tão barata e gloriosamente eficaz.
O que não é natural é que um governo destinado a proteger os direitos de seus cidadãos o permita. E a questão é que cada vez mais governos chegam ao poder graças a essas ferramentas.
Então, o que deve ser feito? Precisamos começar a transformar essa questão fundamental em um debate política nos níveis local e mais amplo, ou seja, em ação coletiva, ação política.
BBC News Mundo - Esse debate está acontecendo em algum lugar do mundo?
Peirano - Nas primárias democratas da campanha presidencial dos EUA deste ano, essa é uma das questões cruciais. Está em debate se essas empresas devem ser gerenciadas de outra maneira ou serem fragmentadas, porque além de tudo também são um monopólio.
No entanto, na Europa e na América Latina, nos cansamos de falar sobre notícias falsas, seus efeitos, campanhas tóxicas... Na Espanha, houve três eleições gerais em três anos e nenhum político fala sobre isso.
BBC News Mundo - O sistema é nosso inimigo, então?
Peirano - Somos integrados a e dependemos de sistemas que não sabemos como funcionam ou o que querem de nós. Facebook, Google e outros dizem que querem que nossa vida seja mais fácil, que entremos em contato com nossos entes queridos, que sejamos mais eficientes e trabalhemos melhor, mas o objetivo deles não é esse, eles não foram projetados para isso, mas para sugar nossos dados, nos manipular e vender coisas.
Eles nos exploram e, além disso, somos cada vez menos felizes e menos produtivos, porque somos viciados [na tecnologia].

3 truques para se manter calmo mesmo sob pressão

Pela BBC - Brasil
Números 1, 2, 3
Image captionTrês dicas fundamentais para aprender a manter o controle mesmo sob pressão
Vai fazer alguma prova? Uma entrevista de trabalho? Falar em público? Diante de tanta pressão você costuma ficar uma pilha de nervos?
Justamente quando precisa manter a calma, o seu coração acelera, as mãos suam, a voz fica estranha e trêmula e dá o famoso "branco" em sua cabeça.
Com um pouco de ajuda da neurociência, existem três técnicas fáceis e confiáveis que podem ajudar a se manter sereno e enfrentar essas dificuldades.
Claro, existem outras coisas que também podem ajudar a lidar com essas situações. Mas essas três dicas são importantes para trazer a calma rapidamente.

1. Respirar

O primeiro exercício é relacionado à respiração.
Inspire profundamente pelo nariz durante cinco segundos, suspenda a respiração por um segundo e solte todo o ar pelo nariz, lentamente, contando até cinco.
Repita esse exercício várias vezes e se sentirá mais tranquilo.
Durante séculos, praticantes de ioga e budistas usaram técnicas de respiração controlada como essa para dominar seu sistema nervoso. Agora, a ciência começa a entender como funciona.
Pesquisas identificaram uma rede específica de neurônios no tronco cerebral, denominada complexo pré-Bötzinger, que regula a respiração e se comunica com outras partes do cérebro.
Desenho do cérebro mostrando o complexo pre-Bötzinger
Image captionO complexo pré-Bötzinger é indispensável para a geração e modulação do ritmo respiratório
Sob estresse, nosso corpo tem tendência a respirar muito rápido, enquanto se prepara para o perigo. Isso é útil se o que você precisa é fugir de uma situação de risco, mas não é o que deve acontecer quando você está, por exemplo, prestes a falar em público.
A boa notícia é que, respirando profunda e lentamente, você pode mudar a mensagem que seu cérebro recebe de "perigo" para "está tudo bem".
Então, na próxima vez em que o pânico o invadir, use uma respiração profunda pelo nariz para forçar o corpo a se acalmar.
E a melhor parte é que ninguém notará, nem mesmo seu público.
Agora você está pronto para o próximo passo.

2. Cantarolar

Sim. Cantarolando, cantarolando... com uma única nota da sua música favorita... tudo dará certo.
Por quê?
Os estudos sobre como regulamos a frequência cardíaca mostraram que o zumbido pode estimular uma das partes mais importantes do corpo, uma sobre a qual quase nunca falamos: o nervo vago.
Desenho mostrando o nervo vago
Image captionO nervo vago é responsável por conectar o cérebro com os principais órgãos vitais e controlar os atos involuntários do organismo
O nervo vago (em latim, nervus vagu) é assim chamado porque emerge do cérebro e serpenteia pelo corpo como uma via expressa de comunicação, conectando o cérebro a órgãos como coração, pulmões e estômago, caixa de voz e ouvidos.
Um estudo de 2013 com cantores mostrou que a música — cantarolar ou repetir notas musicais — ajuda a manter o ritmo do coração.
Então, na próxima vez em que sentir que seu coração está acelerado, cante uma música ou simplesmente cantarole um nota musical e deixe que seus nervos vagos restaurem a calma.
O conselho final é...

3. Se concentre

Quando você está ocupado, é tentador fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
Mas se quiser continuar calmo e realmente cumprir sua tarefa, não se distraia.
Estudos mostram que o cérebro só pode fazer uma coisa de cada vez.
Desenho mostrando cabeça focada em uma bola
Image captionFoque somente em uma coisa de cada vez
Quando fazemos muitas coisas ao mesmo tempo, o cérebro tem de fazer mudanças muito rápidas, ele se sobrecarrega e enche o seu corpo com hormônios do estresse.
Ao trabalhar de forma que seu cérebro esteja fazendo uma coisa de cada vez, você pode rapidamente passar de uma sensação de pressão para a calma.
Portanto, divida sua tarefa em pequenas partes ou etapas, marque o que você deve fazer a seguir e esqueça as outras tarefas até que chegue a hora.
Isso se chama "processo de pensamento" e é usado por treinadores esportivos para ajudar os atletas a se concentrarem.
Fazer uma coisa de cada vez com toda a atenção mantém a mente "aqui e agora" e é um costume que vale a pena desenvolver.
Agora, sim. A próxima vez que sentir que uma situação está desgastante, pare, respire, cantarole e se concentre.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Governo Federal quer fábrica da Tesla no Brasil

Pelo site Engenharia É



OGoverno Federal quer convencer a Tesla a abrir uma fábrica de veículos elétricos no Brasil. Há um planejamento sendo discutido entre o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, e o deputado federal por Santa Catarina, Daniel Freitas, que está mediando a iniciativa.
A informação é do portal  NSC Total, que entrevistou Freitas. No entanto o deputado não confirmou o nome da Tesla e preferiu dizer que a empresa analisada pelo governo é uma das mais montadoras valiosas do mundo e que pode abrir uma fábrica na América do Sul até 2023.
Apesar de Freitas não ter confirmado a Tesla, a agenda de Pontes indica que, na quarta-feira, dia 12 de fevereiro, ele teve uma videoconferência com o parlamentar e o engenheiro sênior de produção da Tesla, Anderson Pacheco. A conversa também teve a presença do secretário de Desenvolvimento Econômico de Criciúma, Santa Catarina, Claiton Pacheco Galdino.
O objetivo da reunião seria criar uma aproximação entre Governo e a montadora Tesla para apresentar as vantagens da instalação da fábrica ao Brasil. Por agora, a ideia é visitar a companhia em uma comitiva brasileira para formalizar o interesse de trazer uma fábrica de veículos elétricos para o Brasil.
Ainda ao portal, o deputado afirmou que, além de uma abertura de mercado, o país ganharia com a criação de empregos e o investimento em energia limpa. O deputado é autor do projeto de lei 4825/2019, que propõe incentivos fiscais para a produção de carros elétricos no país.
O projeto estabelece uma isenção de IPI, que é o Imposto sobre Produtos Industrializados e de Imposto sobre Importação para carros elétricos. Ele também cria uma isenção de IPI até 2029 para a produção local dos carros elétricos e também híbridos, além de suas baterias.

Amazon inaugura supermercado de 3.170 m², automatizado e sem caixas

Pelo site Engenharia É



Imagem: AP
Já faz 2 anos que a gigante norte-americana Amazon abriu sua primeira loja de conveniência automatizada, sem caixas e claro, sem filas. Desde então, as lojas Amazon Go se expandiram para 24 locais pelos Estados Unidos. Por agora, a companhia está tentando tornar as suas lojas sem caixas algo grandioso, com o lançamento oficial do seu primeiro supermercado, batizado de Go Grocery.
Mas o que tudo indica, parece que o tamanho da loja não era o principal desafio da Amazon ao construir o seu primeiro supermercado sem caixas, mas o número e principalmente a variedade de itens que estão disponíveis aos clientes.Situado em Seattle, o espaço de 3.170 m² – com 2.350 m² dedicados ao espaço de compras, o novo supermercado Amazon Go torna pequeno todas as outras lojas sem caixas da companhia, seus tamanhos eram de 120 m² a 610 m².
Ao contrário das lojas típicas da Amazon Go que atuam como lojas de conveniência ou pequenas mercearias e contam principalmente itens pré-embalados como batatas fritas e bebidas engarrafadas, o supermercado Amazon Go precisa rastrear com precisão a compra de comidas que são mais difíceis de localizar, como produtos frescos, não importando com quantos limões, tomates ou demais frutas que o cliente pegue e inspecione antes de colocar no carrinho de compras.
Assim como outras lojas da Amazon, o supermercado Go usa o mecanismo para que as pessoas sejam rastreadas por uma série de câmeras e sensores instalados nos tetos das lojas para fazer a leitura do que elas pegam. Entretanto, foram feitos alguns ajustes que permitem que os clientes peguem os melhores produtos e devolvam outros -muitas vezes em lugares diferente daquele em que foi pego originalmente – sem colocar erroneamente algo no carrinho.
A Amazon afirma que seu supermercado Go contém 5.000 itens únicos, entre de grandes marcas, produtos orgânicos e outros alimentos básicos, muitos vindos da subsidiária Whole Foods.
O vice-presidente da Amazon, Dilip Kumar, disse que a empresa quer garantir que os clientes fossem recebidos por “produtos dispostos de forma [tradicional]”, mas há algumas diferenças importantes entre a variante sem caixas da Amazon e um supermercado tradicional.
O fato de o Go Grocery não ter nenhum serviço de preparação de alimentos no local como um açougue ou padaria, por exemplo, alimentos como peixe fresco, carne e de confeitaria são embalados individualmente e entregues no local a cada dois dias.
Imagem: AP
O principal objetivo do supermercado Go é levar a experiência de compras mais rápidas da Amazon para as compras do dia a dia. A Amazon ainda planeja coisas maiores. Kumar disse que no processo de fazer o supermercado Go, a Amazon “aprendeu muito” e que não há “nenhum limite superior. [A loja] poderá ser cinco vezes maior. Podia ser 10 vezes maior.”

Estudo sugere que a Terra poderia ter sido um lugar coberto 100% por um oceano

Pelo site Engenharia É


(Chris Meredith/Getty Images)
Quando era muito jovem, o planeta Terra parecia bastante diferente daquele que conhecemos e amamos hoje. Por um lado, tinha supercontinentes – quando as massas terrestres em que vivemos atualmente estavam dispostas em várias configurações, à medida que eram empurradas por movimentos tectônicos.
As evidências encontradas no registro geológico sugerem que, cerca de 3,2 bilhões de anos atrás, nosso mundo atual, atualmente com 4,5 bilhões de anos, estava coberto por um oceano global.Mas pode ter havido um período em que havia muito pouca ou nenhuma massa de terra, e a Terra era um mundo aquático encharcado, segundo uma nova pesquisa.
Se confirmada, essa descoberta pode ajudar a resolver questões sobre como a vida surgiu há cerca de 3,5 bilhões de anos atrás; em particular, se começou em lagoas de água doce em massas de terra ou em mares salgados. Se não havia corpos de terra seca para hospedar água doce, a questão é discutida.
“A história da vida na Terra rastreia os nichos disponíveis”, explicou o geobiólogo Boswell Wing, da Universidade do Colorado Boulder. “Se você tem um mundo aquático, um mundo coberto pelo oceano, nichos secos simplesmente não estarão disponíveis”.
A equipe de pesquisa estava realmente tentando medir a temperatura inicial da Terra, uma questão que há muito se mostra difícil de resolver. Não está claro se o planeta estava muito mais quente ou mais frio (ou próximo das mesmas temperaturas de hoje) quando a vida estava surgindo.
Mas a proporção de dois isótopos de oxigênio – variações naturais do elemento – pode ser ligada à temperatura dos oceanos antigos por causa de seus diferentes pesos moleculares. A água em temperatura mais baixa contém uma quantidade maior de oxigênio-16 em comparação com o oxigênio-18 e vice-versa.
Ainda não há muita água do mar com 3,2 bilhões de anos para analisar. Mas há rochas daquela época que costumavam estar no chão daqueles oceanos antigos, como o Panorama District, na região de Pilbara, na Austrália Ocidental. Essas rochas mantêm a história química dos oceanos – incluindo um sistema primorosamente preservado de fontes hidrotermais.
Mas mesmo depois que os pesquisadores reconstruíram um perfil de temperatura da região 3,2 bilhões de anos atrás, havia apenas um pouco mais de oxigênio-18 do que eles esperariam – 3,3%. Isso é cerca de 4% a mais em comparação com a quantidade no oceano relativamente livre de gelo de hoje e muito maior do que as estimativas anteriores.
Um artigo de 2012 encontrou similarmente um enriquecimento de oxigênio-18 ligeiramente acima do esperado nos oceanos há 3,8 bilhões de anos – 0,8 a 3,8%.
Essas são apenas pequenas diferenças, mas também são muito sensíveis à massa terrestre. O solo em grandes áreas da terra – do tamanho de continentes – absorve desproporcionalmente isótopos mais pesados, como o oxigênio-18, da água.
De acordo com a modelagem, os pesquisadores descobriram agora que as proporções em suas amostras de rochas podem ser atribuídas à falta de continentes. Isso não significa que o planeta estivesse necessariamente totalmente úmido, como Encélado ou Europa estariam se estivessem mais perto do Sol; mas poderia ter sido muito, muito mais úmido do que a Terra agora.
“Não há nada no que fizemos que diga que você não pode ter pequenos continentes saindo dos oceanos”, disse Wing. “Nós simplesmente não pensamos que houvesse formação em escala global de solos continentais, como temos hoje”.
É claro que isso levanta a questão: quando exatamente os continentes emergiram, empurrados para fora do oceano por placas tectônicas que se misturavam? Esse é o próximo passo da pesquisa. A equipe planeja pesquisar formações rochosas mais jovens para tentar juntar essa linha do tempo.
A pesquisa foi publicada na revista Nature Geoscience.

Descoberta de biomateriais permite a impressão em 3D de estruturas vasculares semelhantes a tecidos

Pelo site Engenharia É


Uma equipe internacional de cientistas descobriu um novo material que pode ser impresso em 3D para criar estruturas vasculares semelhantes a tecidos.
O professor Mata disse: “Este trabalho oferece oportunidades em biofabricação, permitindo a bioprinting 3D de cima para baixo e a auto-montagem de baixo para cima de componentes sintéticos e biológicos de maneira ordenada a partir da nanoescala. Aqui, estamos capilares de micro-escala em biofabricação – com estruturas fluidas compatíveis com as células, exibindo propriedades fisiologicamente relevantes e com capacidade de suportar o fluxo, o que pode permitir a recriação de vasculatura em laboratório e ter implicações no desenvolvimento de medicamentos mais seguros e eficientes, o que significa que os tratamentos podem potencialmente alcance os pacientes muito mais rapidamente”.Em um novo estudo publicado na Nature Communications, liderado pelo professor Alvaro Mata da Universidade de Nottingham e da Universidade Queen Mary de Londres, os pesquisadores desenvolveram uma maneira de imprimir óxido de grafeno em 3D com uma proteína que pode se organizar em estruturas tubulares que replicam algumas propriedades do tecido vascular.
Material com propriedades notáveis
A auto-montagem é o processo pelo qual vários componentes podem se organizar em estruturas maiores e bem definidas. Os sistemas biológicos contam com esse processo para montar blocos moleculares controláveis em materiais complexos e funcionais, exibindo propriedades notáveis, como a capacidade de crescer, replicar e executar funções robustas.
O novo biomaterial é produzido pela auto-montagem de uma proteína com óxido de grafeno. O mecanismo de montagem permite que as regiões flexíveis (desordenadas) da proteína ordenem e se ajustem ao óxido de grafeno, gerando uma forte interação entre elas. Controlando a maneira como os dois componentes são misturados, é possível orientar sua montagem em várias escalas de tamanho na presença de células e em estruturas robustas complexas.
O material pode então ser usado como um bioink de impressão 3D para imprimir estruturas com geometrias complexas e resoluções de até 10um. A equipe de pesquisa demonstrou a capacidade de construir estruturas do tipo vascular na presença de células e exibindo propriedades químicas e mecânicas biologicamente relevantes.
Seção transversal de uma estrutura tubular bioprimida com células endoteliais (verde) e embutida na parede. Crédito: Professor Alvaro Mata
A Dra. Yuanhao Wu é a principal pesquisadora do projeto, ela disse: “Existe um grande interesse em desenvolver materiais e processos de fabricação que imitem os da natureza. No entanto, a capacidade de criar materiais e dispositivos funcionais robustos através da auto-montagem introduz um novo método para integrar proteínas com óxido de grafeno por auto-montagem de uma maneira que possa ser facilmente integrada à fabricação de aditivos para fabricar facilmente dispositivos biofluidos que nos permitem replicar partes importantes dos tecidos humanos e órgãos no laboratório”.

Elon Musk quer construir trem que fará viagem Rio-São Paulo em apenas 25 minutos

Pelo site Engenharia É



Cápsula do Hyperloop, que viaja a mais de 1.000 km/h (Hyperloop Transportation Technologies/Divulgação)
Aempresa Hyperloop Transportation Technologies se prepara para lançar trens comerciais que podem chegar a 1000 km/h através de levitação magnética. A ideia é baseada nos conceitos desenvolvidos por Elon Musk, CEO da Tesla. A empresa já iniciou projetos por países nos Emirados Árabes Unidos e o Brasil não ficou de fora.
A intenção é construir uma linha que permitiria ir de São Paulo ao Rio de Janeiro em apenas 25 minutos. Para comparação, uma viagem de avião entre as cidades leva 50 minutos.
“O Brasil deve figurar na segunda leva de investimentos, prevista para daqui a cinco anos”, estimou o fundador e CEO da HyperloopTT, Dirk Ahlborn.
Rumores apontam que um centro de pesquisas pode ser instalado em São Paulo, mas Ahlborn afirmou que teve dificuldades na negociação com o governo do estado de São Paulo. Depois, a empresa está de olho em Curitiba como novo ponto para seu laboratório.
De acordo com o CEO da empresa, a falta de regras e regulamentações em relação a construção de trens movidos a levitação magnética, torna o país um sonho distante para a HyperloopTT. Entretanto, seu projeto nos Emirados Árabes Unidos está em curso. O trem vai ligar Abu Dhabi, Al-Ain e Dubai, uma distância de 150 km, em apenas 15 minutos.
O projeto tem custo de aproximadamente R$ 180 milhões por quilômetro, totalizando R$ 27 bilhões. As primeiras viagens devem acontecer ainda em 2020, com previsão de 2023 para o início das viagens ao público.
Em 2018, a empresa também anunciou um acordo com a cidade chinesa Tongran, mas não há mais notícias sobre isso.
Ainda de acordo com o CEO da empresa, é possível usar estruturas já existentes, como as próprias rodovias, para a construção do trem. Além disso, diz que “o ideal é que o sistema não seja enterrado, para aproveitar para uso de energia solar”.
A tecnologia utiliza tubos com baixa pressão atmosférica, com um sistema magnético substituindo os trilhos. Assim, ao invés de deslizar, as cápsulas com capacidade para 30 pessoas flutuam.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Como eram as primeiras criaturas a habitar a Terra

Pela BBC - Brasil


Marcas dos períodos identificadas pelos cientistas
A Namíbia é um dos únicos lugares que registra a transição entre os períodos Ediacarano e Cambriano

Quando a vida complexa surgiu na Terra antiga, não se parecia com nada que conhecemos hoje.
No extremo sudeste de Terra Nova, no Canadá, falésias acidentadas se elevam de maneira imponente sobre o mar. As rochas escarpadas são conhecidas como Mistaken Point (Ponto Errado, em tradução livre), uma homenagem aos muitos navios que encontraram seu fim prematuro no local depois que os marinheiros os confundiram com outros lugares.
Agora, os penhascos selvagens e irregulares são famosos por outro motivo. Eles estão no centro de um debate sobre um dos maiores mistérios da Terra — exatamente como e quando a vida complexa evoluiu pela primeira vez.
"Se você andar pelas rochas, encontrará superfícies cobertas literalmente por milhares de fósseis", diz Frankie Dunn, paleobiologista da Universidade de Oxford.
Os fósseis foram preservados há cerca de 570 milhões de anos durante o período Ediacarano, quando uma série de erupções vulcânicas cobriu o fundo do mar de cinzas, proporcionando um "instante" de vida na época.
"A maneira como eu descreveria isso é como andar por Pompeia, você pode ver os fantasmas das criaturas que moravam ali enterrados sob cinzas vulcânicas; é realmente uma experiência incrível ", diz Dunn.
Ilustração feita por cientistas representa período há mais de meio bilhão de anosDireito de imagem
Image captionA vida tornou-se mais difundida e complexa após a 'Explosão Cambriana', há cerca de 540 milhões de anos
Os fósseis ediacaranos anunciam um momento divisor de águas na história da Terra — nos quatro bilhões de anos anteriores, os oceanos haviam sido preservados por micróbios unicelulares, mas de repente estavam repletos de uma nova vida complexa. E que vida estranha era essa. As criaturas não se parecem com as vistas hoje.
Algumas, como os rangeomorfos, se assemelhavam a samambaias gigantes. Outros tinham uma aparência de arbusto ou repolho. Muitos pareciam sacos sem forma, ou travesseiros finos e acolchoados, enquanto outros tinham uma semelhança com enormes canetas marinhas.
"A maioria dos ediacaranos é de corpo molenga, como o de uma lula", diz Simon Darroch, paleontologista da Universidade Vanderbilt, no Tennessee. "A capacidade de formar conchas ou esqueletos não evoluiu até o final do período ediacarano."
As formas bizarras e os planos corporais confundem há muito tempo os cientistas, que lutam para colocar as criaturas na árvore da vida.
"Em vários pontos da história, dissemos que eles são tudo isso ou tudo aquilo", diz Darroch.

"Em um ponto, todos eles eram águas-vivas e, em outro, todos foram um reino esquecido e perdido da vida animal que foi extinto. Nos últimos 20 anos, ficou claro que eles provavelmente representavam toda uma variedade de organismos e fauna, alguns dos quais eram animais."
O que está claro é que os animais surgiram pelo menos 40 milhões de anos antes da "explosão Cambriana", período de 541 milhões de anos atrás, que viu o súbito aparecimento no registro fóssil de animais exibindo partes do corpo reconhecíveis, como barbatanas, pernas, conchas e esqueletos. A maioria dos ancestrais dos animais modernos pode ser rastreada até esse ponto.
No entanto, o maior mistério em torno dos ediacaranos foi o que aconteceu com eles. Em um ponto, eles devem ter prosperado: fósseis de rangeomorfos e outros foram descobertos em todo o mundo. Da Rússia à Austrália e da Namíbia à China. No entanto, eles desapareceram repentinamente do registro fóssil aproximadamente 30 milhões de anos após a sua chegada.

Ascensão dos cambrianos

A chave para descobrir o que aconteceu pode estar em uma coleção de fósseis conhecida como "Grupo Nama", no sul da Namíbia. Cerca de 560 milhões de anos atrás, a Terra estava descongelando na Era Glacial, e essa área foi inundada com água glacial, formando um mar raso. Você pode caminhar centenas de quilômetros em qualquer direção e ver registros dos animais que ali viviam, dispostos na superfície das rochas.
A região é notável por ser um dos únicos lugares que registram a transição entre os períodos Ediacarano e Cambriano — um dos tempos mais biologicamente turbulentos da história da Terra.
Em 2013, Darroch encontrou vastos campos que pareciam tocas feitas no sedimento de Nama — sinais de que esses animais mais jovens estavam se alimentando e agitando o fundo do mar.
"A maioria dos ediacaranos eram animais bastante simples — eles não se moviam ou faziam muito, e tendiam a viver perto de sua fonte de alimento — como tapetes microbianos pegajosos encontrados no fundo do mar", diz Darroch.
Pesquisadora em campo de estudos na NamíbiaDireito de imagem
Image captionA paisagem da Namíbia oferece pistas de como era o meio ambiente há mais de 560 milhões de anos
"No entanto, na Namíbia, a partir de 540 milhões de anos atrás, há um aumento constante na intensidade e diversidade de diferentes comportamentos de escavação, sugerindo que os animais eram mais móveis e se tornavam mais espertos na maneira como procuravam comida."
Darroch argumenta que a chegada desses animais mais modernos, do estilo cambriano, pode ter mudado o ambiente de uma maneira que os ediacaranos simplesmente não gostaram, por exemplo, agitando sedimentos e perturbando tapetes microbianos, dificultando a alimentação dos ediacaranos.
Algumas das tocas do sedimento também se pareciam exatamente com as criadas pelas anêmonas do mar — um animal predador. Se predadores estivessem presentes, aquele certamente seria o ponto de morte para os ediacaranos, que seriam incapazes de escapar.
No entanto, outros cientistas são céticos sobre essa teoria.
"Essas formas coexistiram pacificamente por milhões de anos, e há evidências que sugerem que elas estavam vivendo em diferentes partes do mar, então eles podem não ter necessariamente interagido ecologicamente entre si", diz Rachel Wood, professora de Geociência Carbonática na Universidade de Edimburgo.

Evento catastrófico

Uma ideia alternativa que ganha maior adesão entre os cientistas é que uma queda nos níveis de oxigênio do oceano poderia ter causado a primeira extinção em massa da vida na Terra, comparável ao impacto de asteroides que arrasou os dinossauros.
Os geólogos são capazes de descobrir como eram os níveis de oxigênio no oceano milhões de anos atrás, medindo as quantidades relativas de diferentes tipos de urânio encontrados nas rochas sedimentares formadas na época. As rochas absorvem uma forma mais pesada de urânio quando cercadas por águas com pouco oxigênio, e uma forma mais leve quando os níveis de oxigênio estão altos.
Usando esse método, cientistas mostraram que os níveis de oxigênio no oceano flutuavam muito durante o período Ediacarano, com os níveis subindo pouco antes do aparecimento dos primeiros animais e diminuindo pouco antes do seu desaparecimento.
Pesquisadores em área de pesquisa na SibériaDireito de imagem
Image captionA Sibéria é outra região onde pesquisas meticulosas podem revelar cápsulas do tempo de um passado distante
Um estudo calculou que a porcentagem do fundo do oceano coberta por água com baixo oxigênio (anóxica) poderia ter subido para mais de 60% ou 70%. Em comparação, o valor dos oceanos modernos é de cerca de 0,1%.
"Temos evidências quantitativas de uma expansão global da anoxia no oceano, que está intimamente relacionada em termos de tempo ao desaparecimento dos animais ediacaranos", diz Xiao Shuhai, paleobiólogo e geobiólogo da Virginia Tech University, que participou desse estudo.
Como as águas pobres em oxigênio corriam sobre os mares rasos onde a primeira vida animal estava prosperando, algumas espécies teriam mais condições de lidar com as novas condições do que outras.
"Muitos animais ediacaranos eram sésseis, o que significa que não se mexiam", diz Shuhai. "Assim, se houvesse uma rápida mudança ambiental, eles não teriam sido capazes de se adaptar e, portanto, seriam mais suscetíveis à extinção."
"Se você é móvel, como muitos animais do estilo cambriano, tem uma chance maior de sobreviver, se mudar para um oásis de oxigênio, como pequenos bolsões de oxigênio ou refúgios de oxigênio em águas rasas."
O que quer que estivesse por trás de sua queda, o fim dos ediacaranos poderia realmente ter aberto o caminho para a explosão Cambriana da vida animal que se seguiu.
"Se você observar qualquer período de tempo geológico, verá frequentemente esses eventos de reviravolta, nos quais taxas elevadas de extinção são seguidas por taxas elevadas de especiação — parece que é assim que a vida progride", diz Rachel Wood.
"Uma vez que as coisas evoluam para um nicho, você precisa usar muita energia para se livrar delas; portanto, se algo aparecer e remover essas formas, significa que outras coisas poderão evoluir para ocupar esses nichos novamente."