Powered By Blogger

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Torre de bambu resfria 6°C sem gastar energia

Pelo site CicloVivo

Simples, de baixo custo e eficiente. Saiba como funciona este protótipo!

torre de bambu
Foto: Olivier Dauce

Em 20 de junho de 2020, a temperatura recorde de 38°C foi registrada no Ártico. Um estudo recém publicado aponta que crianças nascidas em 2020 passarão por uma média de sete vezes mais ondas de calor extremo em comparação com nascidos em 1960. No Vietnã, picos de energia são registrados todos os verões devido ao calor, o que exige o uso mais intenso das usinas a carvão e consequentemente a geração de mais poluição. Pensando em soluções locais para enfrentar este problema, o escritório de arquitetura AREP desenvolveu um protótipo simples, econômico e eficiente.

O primeiro passo da equipe foi adotar o princípio adiabático. “Durante séculos, as civilizações antigas resfriaram seus edifícios usando o frescor natural da água. O resfriamento adiabático é uma técnica sustentável que não requer nenhum gás refrigerante. Baseia-se em um princípio simples e natural: para evaporar, a água precisa de energia, que será ‘absorvida’ do calor do ar ambiente, gerando um efeito de resfriamento. Os únicos elementos necessários são ar quente e água”, afirma o escritório. 

Para entender o sistema basta lembrar da sensação de estar perto de um lago dentro do parque em um dia de muito calor. Quanto mais próximo da água, mais sente um ar fresco. Se era preciso apenas de calor e água, os profissionais tinham tudo em Hánoi, capital do Vietnã, onde o projeto foi criado. Assim eles apostaram no resfriamento urbano adiabático. 

O trabalho envolveu famílias locais, ligadas à arte e artesanato, para construir uma torre de bambu em escala real na cidade. Os próprios artesãos foram os responsáveis por construir a estrutura hiperbolóide de bambu. O formato hiperbolóide, inventado em 1896 pelo engenheiro e cientista russo Vladimir Shukhov, permite criar estruturas mais resistentes usando menos materiais.

O sistema é simples, mas fascinante: entre os pólos principais está instalado um meio no qual a água corre por gravidade. Em seu centro está instalado um soprador que pega o ar quente de cima e o empurra para baixo à altura de um homem. Ao cruzar a água duas vezes, o ar é resfriado naturalmente pelo princípio adiabático.

“Fomos capazes de criar um dispositivo funcional, provando a viabilidade de um dispositivo sustentável, low-tech e conceito de baixo custo para refrescar os espaços exteriores da nossa cidade”, entusiasma-se a firma de arquitetura que conseguiu baixar a temperatura externa de 30°C para 24°C com a torre de bambu.

A torre foi projetada no contexto da Bienal de Arquitetura e Urbanismo de Seul 2021 pensando no Vietnã, que figura em um ranking dos 20 países mais vulneráveis às mudanças climáticas. Além dos efeitos já sentidos, a previsão é que os fenômenos climáticos extremos aumentem em intensidade nos próximos anos. 

Fotos: Olivier Dauce

A ambição dos arquitetos agora é levar a solução para cidades ao redor da bacia do Mediterrâneo ou no Golfo. “Durante os verões quentes e secos, nosso conceito seria ideal para resfriar espaços ao ar livre, como praças públicas, ruas de pedestres ensolaradas ou até edifícios maiores como estações de trem”, garantem.

domingo, 5 de dezembro de 2021

Claraboia solar de dessalinização fornece iluminação gratuita e água potável

Pelo site Engenharia é


Henry Glogau, um designer que mora na Nova Zelândia, criou a Solar Desalination Skylight, um dispositivo que utiliza água do mar para gerar luz ambiente natural, água potável e energia a partir do sal marinho restante.

A Solar Desalination Skylight de Glogau é finalista do concurso Lexus Design Award 2021, dedicado a capacitar pessoas a criar coisas boas para o futuro da humanidade e do planeta. O sucesso e a premiação de projetos é determinado por seu impacto positivo na sociedade.

A nova Skylight está em perfeito alinhamento com os princípios de design e engenharia do prêmio para um futuro melhor. Os serviços básicos para os moradores de favelas podem ser muito benéficos.

A dessalinização por energia solar funciona evaporando a água do mar usando a energia livre e abundante do sol. A água do mar é canalizada para a claraboia em forma de tigela durante o dia, onde a energia do sol é usada para iluminar as casas à noite e destilar a água salgada do mar em água potável.

O morador da casa pode extrair água potável de uma torneira na base da Skylight. Durante a noite, a sobra de sal gera uma carga elétrica que alimenta uma luz difusa.

O projeto de Glogau é uma solução prática e de baixo custo que aproveita os recursos abundantes para tratar de questões básicas que as pessoas enfrentam.


Inspirado em cupinzeiros, designer cria vasos para combater desertificação

Pelo site CicloVivo

Estruturas produzidas com recursos locais, podem ajudar a reter umidade no solo e regular temperatura ambiente

vasos cupinzeiros deserto
Foto: Zihao Design

O designer Zihao Fang buscou inspiração na natureza para desenvolver o Aquastor, uma estrutura biodegradável projetada para combater a expansão dos desertos, produzida unicamente com os recursos locais disponíveis.

O projeto de Aquastor está baseado em uma pesquisa da Universidade de Princeton, que mostra que os cupinzeiros podem evitar que terras férteis transformem em deserto, armazenando umidade e nutrientes em seus túneis subterrâneos.

Muito parecido com um cupinzeiro, os vasos projetados por Zihao são fabricados a partir de uma mistura de materiais incluindo argila, areia, folhas secas e exoesqueletos. Sua construção oca retém água e tem uma estrutura que lembra dois cones empilhados, com o menor projetado para ser enterrado no solo. 

Dessa forma a umidade é canalizada para o solo, enquanto melhora a circulação do ar e reduz as temperaturas perto da superfície”, explica o designer. “Com o tempo, o vaso se quebrará completamente para fornecer nutrientes ao solo”.

O uso de um conjunto de vasos constitui um método local de baixo custo e baixa tecnologia para apoiar o crescimento da vida vegetal nas terras áridas do mundo, que já constituem 40% da superfície terrestre.

vasos cupinzeiro deserto
Foto: Zihao Design

Desertificação

A desertificação é uma ameaça cada vez maior, devido a uma combinação entre mudanças climáticas e atividades humanas, como desmatamento e práticas agrícolas insustentáveis.

“Embora a degradação da terra tenha ocorrido ao longo da história, o ritmo acelerou, atingindo 30 a 35 vezes a taxa histórica”, declarou o designer em uma entrevista.

“EU QUERIA USAR O MÉTODO DE MENOR CUSTO PARA RESOLVER OS PROBLEMAS DE TEMPERATURA E UMIDADE NO DESERTO.”

Zihao Fang, designer
vasos cupinzeiros deserto
Foto: Zihao Design

Aquastor

O aumento das temperaturas globais, combinado com sobrepastoreio, sobre-agricultura e eventos climáticos extremos, como secas, inundações e incêndios, podem fazer com que a vegetação em terras áridas se dilua e deixe a camada superior do solo rica em nutrientes vulnerável à erosão pelo vento e pela água. O solo degradado não é capaz de sustentar a vida vegetal ou animal e luta para reter água.

Mas, segundo Zihao, com a introdução do vaso Aquasto, muitos micro e macroporos do material podem armazenar água e canalizá-la para o solo antes que possa ela evapore ou seja desviada.

vasos cupinzeiro deserto
A estrutura porosa dos vasos permite coletar água e canalizá-la para o solo por meio de um orifício no fundo. Foto: Zihao Design

Isso é possível por meio de um orifício no fundo do vaso, enquanto outro orifício no topo permite que o ar mais frio do interior protegido do vaso flua para o exterior, regulando as temperaturas perto do solo e diminuindo a evaporação da água preciosa.

vasos cupinzeiros deserto
Com o tempo, o vaso se quebra e libera a matéria orgânica de sua estrutura no solo circundante para alimentar as plantas. Foto: Zihao Design

“O tempo real de degradação mudará em diferentes regiões, mas espera-se que o problema da desertificação na área melhore antes que o cinturão de proteção do Aquastor seja completamente degradado”, afirmou Fang.

Projeto adaptável

A primeira versão do Aquastor foi testada perto do deserto Takla Makan, no noroeste da China, usando materiais locais retirados do próprio deserto. Mas Fang garante que a a receita pode ser facilmente adaptada para diferentes contextos.

Alinhados em uma formação em zigue-zague, os vasos Aquastor podem atuar como “baluartes contra as mudanças climáticas”, explica Fang, tanto enriquecendo o solo quanto bloqueando fisicamente sua erosão pelos ventos do deserto.

vasos cupinzeiro deserto
Os vasos devem ser colocados em uma formação em zigue-zague. Foto: Zihao Design

Várias iniciativas, como o projeto Grande Muralha Verde, tentaram alcançar resultados semelhantes com o plantio de cinturões de árvores. Mas Fang argumenta que os vasos Aquastor também são uma alternativa, mais eficiente em termos de tempo e dinheiro.

“Em áreas desérticas onde os recursos são escassos, uma grande quantidade de dinheiro é necessária para manter a água e os nutrientes para que um grande número de árvores sobreviva”, argumentou. 

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Parque solar é instalado no telhado de empresa em São Paulo

Pelo site CicloVivo

Segundo a empresa, essa é a maior instalação de grande porte 

do Brasil dentro de um centro urbano.

Parque solar é instalado no telhado de empresa em São Paulo
Fotos: Divulgação

A Udiaço, empresa do segmento da construção civil, desenvolveu um parque de geração de energia solar instalado no telhado de sua sede em Carapicuíba, na região oeste da Grande São Paulo. São mais de 4.300 m2 de área com potência instalada de 725 kw, capaz de gerar mais de 75.000 kwh por mês.

O projeto foi implementado durante a pandemia e levou cerca de oito meses para ser concluído. “Nosso consumo médio de energia é de 85.887 kwh/mês. Com o telhado fotovoltaico, buscamos suprir quase 90% de nosso consumo”, disse Hugo Trevizan, diretor de planejamento da Udiaço. “A partir das esperadas variações mensais de geração, esse índice oscila, mas com a implantação do sistema, as expectativas iniciais estão sendo superadas”, completou.

Parque solar é instalado no telhado de empresa em São Paulo
Foto: Divulgação

Ao contrário do que muitos pensam, o sol forte e calor não são fatores decisivos para o volume de energia produzido. O que gera energia são os raios solares, não o calor, por isso, os meses de maior produção são os do verão, porque os dias são mais longos. “No mês de dezembro, por exemplo, a nossa produção chegou a mais de 98.000 kwh. Em junho, durante o inverno, caiu para cerca de 52.000”, explicou Abraão Algarve, diretor da Sunning, empresa responsável pela instalação do sistema.

“Quando o estudo nos foi apresentado, a estimativa de economia para o primeiro ano era de aproximadamente R$ 350.000,00. Mas, com os recentes aumentos de tarifas, bandeiras amarelas, vermelhas e outras, esse ganho será ainda maior”, conta Trevizan. 

O tempo médio de retorno do investimento na instalação de um sistema de energia solar é de três a seis anos, mas ele praticamente se paga sozinho, uma vez que a economia na conta de energia, que acontece desde que o sistema começa a operar, pode cobrir integralmente a parcela do financiamento. “Nossa expectativa de retorno de investimento é de quatro anos e oito meses, levando em conta que só teríamos bandeira verde tarifária no período. Ou seja, é um prazo conservador”, disse o diretor da Udiaço.

Parque solar em cobertura

Para a Sunning, esse projeto representou uma série de desafios. O maior foi uma instalação de um parque solar de grande porte, dentro de um centro urbano, envolvendo muitas pessoas e com a empresa em pleno funcionamento. “A usina fotovoltaica da Udiaço é a maior de São Paulo em potência instalada e tem a dimensão duas vezes superior à nossa maior obra até então. Eram muitos pontos a serem levados em conta e tivemos que buscar várias soluções técnicas inovadoras”, disse Abraão Algarve.

Mini turbina eólica pode gerar energia para casas

Pelo site CicloVivo

Equipamento desenvolvido por startup indiana custa o mesmo que um smartphone 

e pode durar mais do que 20 anos


mini turbina eólica

Um gerador de energia elétrica de baixo custo foi desenvolvido pela startup indiana Avant Garde Innovations e pode ser a solução para famílias que não têm acesso à rede elétrica ou para aqueles que não querem mais depender do fornecimento público de energia.

Nomeada de Avatar, esta pequena turbina eólica de cerca de 3 metros de diâmetro é ideal para residências, imóveis comerciais e para áreas rurais. O equipamento gera cerca de 5 kWh por dia e custa US$ 899 – preço inferior a alguns aparelhos de smartphones.

Existem outros modelos de turbinas eólicas comercializadas pela empresa: uma de 4,26m de diâmetro e 90kg, que produz 15kWh e custa US$ 2430 e a maior de 4,87m de diâmetro, pesando 100kg, que custa US$ 4045 e produz 25kWh. Sempre considerando a velocidade do vento de 5,5 m/s.

A inspiração dos irmãos Arun e Anoop George, que fundaram a empresa, veio das milhões de pessoas sem acesso à rede elétrica comercial na Índia e no mundo. A vida útil da turbina é de 20 anos, produzindo energia limpa a baixo custo.

Foto: Avant Garde Innovations

Vantagens e cuidados

O projeto piloto foi lançado pela startup em janeiro deste ano em uma igreja. O equipamento pesa 72kg e foi projetado para funcionar em diferentes condições climáticas e, segundo os fabricantes, pode gerar energia 365 dias por ano.

O posicionamento da turbina se adapta à direção da corrente de ar, o ruído gerado é de cerca de 10% do barulho produzido pelo próprio vento e a energia produzida a partir do vento é renovável – uma alternativa à outras fontes de energia, como a produzida a partir de combustíveis fósseis.

Foto: Avant Garde Innovations

A empresa, no entanto, alerta em seu site que para avaliar a viabilidade de geração de energia eólica é necessário levar em conta diversos fatores que vão desde a densidade do ar e força dos ventos, até temperatura e condições do solo. O valor de 5kWh por dia considera uma velocidade do vento de 5,5 m/s.

Veja abaixo o vídeo, em inglês, com mais informações a respeito da turbina:

https://youtu.be/Kh0kRgyNjrI

Usina de hidrogênio de 10 MW é inaugurada na Guiana Francesa

Pelo site Engenharia É


Hydrogene de France (HDF) Energy, um produtor de energia independente e fabricante de células de combustível, deu início à construção de uma das primeiras usinas de energia de hidrogênio do mundo. A empresa afirma que o projeto na Guiana Francesa, que está sendo “duplicado” em cerca de 20 países, fornecerá 128 MWh de armazenamento de hidrogênio verde.

O projeto Centrale Electrique de l’Ouest Guyanais (CEOG) de US$ 200 milhões da HDF Energy é baseado em sua usina renovável de energia elétrica. A usina compreenderá um parque solar fotovoltaico, uma plataforma de eletrólise de 16 MW, uma unidade de armazenamento de hidrogênio de longo prazo, dois sistemas de células a combustível de 1,5 MW, bem como uma unidade de armazenamento de bateria de íon-lítio de curto prazo. Quando comissionada conforme planejado em meados de 2023, a usina fornecerá uma capacidade de energia “fixa e garantida” de 10 MW entre 8h00 e 20h00 e 3 MW entre 20h00 e 8 da manhã.

A usina renovável é essencialmente projetada para produzir 860 toneladas de hidrogênio verde por ano por meio de uma plataforma de eletrólise de 16 MW usando energia solar. “A tecnologia consiste em separar o hidrogênio e o oxigênio de uma molécula de água (H20) por meio de uma corrente elétrica dentro de um eletrolisador. O hidrogênio obtido é pressurizado e armazenado em tanques adaptados. O hidrogênio é mais tarde reunido com o oxigênio (do ar) dentro de uma célula de combustível. Isso gera eletricidade e vapor apenas. A produção de energia elétrica, portanto, atende à demanda dos consumidores. Esses elementos (eletrolisador, armazenamento, célula de combustível) juntos constituem a cadeia de energia do hidrogênio”, disse a empresa.

Diagrama do projeto CEOG. Cortesia: CEOG

A HDF Energy, sediada em Bordeaux, França, recentemente alcançou o fechamento financeiro do projeto, apoiado por capital do fundo de infraestrutura Meridiam e da operadora de petróleo SARA, uma entidade do Rubis Group. O projeto será construído pela Siemens Energy sob um contrato de engenharia, aquisição e construção (EPC). A McPhy, uma empresa que projeta e produz eletrolisadores alcalinos de alta pressão, fornecerá a plataforma de eletrolisador de alta potência Augmented McLyzer de 16 MW. De acordo com McPhy, a “combinação única de eletrólise alcalina de alta pressão (30 bar) e eletrodos de alta densidade de corrente permitirá a produção de quase 860 toneladas de hidrogênio verde por ano”.

McPhy observou que o projeto também será a primeira vez que oferecerá uma versão externa de sua tecnologia de eletrólise alcalina. “Além de ser a solução mais adequada para uma área geográfica isolada, a conteinerização garante um alto índice de rentabilidade para o cliente. Com efeito, a redução dos custos de engenharia civil e a pré-montagem dos equipamentos diretamente nas fábricas da McPhy, permitem otimizar o tempo e os custos totais de instalação e montagem”, afirmou a empresa.

Uma vista ilustrativa de uma plataforma de eletrólise McPhy de 20 MW. Cortesia: McPhy

A HDF Energy fornecerá as duas células de combustível de hidrogênio com membrana de troca de prótons (PEM) de 1,5 MW, que são baseadas na tecnologia de pilha FCgen-LCS do núcleo de Ballard. De acordo com Rob Campbell, diretor comercial da Ballard, a tecnologia PEM é adequada para sistemas de energia elétrica como CEOG porque atende a confiabilidade comprovada, confiabilidade e desempenho operacional exigidos por esses projetos em aplicações pesadas. “Espera-se que nossas pilhas ofereçam escala econômica de armazenamento de energia e regeneração de eletricidade, sejam ideais para o ciclo diário de operações e, neste caso, tenham emissões totalmente zero devido ao uso de energia renovável upstream”, disse Campbell.

A HDF Energy disse que o CEOG está sendo duplicado em cerca de 20 países, como México, nações insulares do Caribe, África do Sul, Indonésia e Austrália. A HDF afirma que já identificou um pipeline de projetos de US$ 3 bilhões. “A parte mais madura desse pipeline representa US$ 1,5 bilhão de investimentos”, disse.

Na Guiana Francesa, um território francês na costa norte do Atlântico na América do Sul, a produção de energia do CEOG é apoiada por um contrato de compra de energia de 25 anos HDF Energy assinado com a concessionária francesa EDF em 29 de setembro. “É a primeira vez que uma fonte renovável O projeto de energia fornece uma rede por meio de um contrato de compra de energia com base na capacidade, geralmente usado para usinas termelétricas ”, observou a empresa. “Esse tipo de contrato de comercialização de energia garante a disponibilidade e estabilidade da energia produzida pela CEOG. Esta última característica é essencial para alimentar redes isoladas ou reduzir o congestionamento em grandes redes.”

“A solução Renewstable atende a um mercado muito grande, sendo todas as redes que atualmente são alimentadas por usinas de combustível fóssil”, explicou Damien Havard, CEO da HDF Energy. “Ao fornecer energia renovável não intermitente, o CEOG – que estamos trabalhando para replicar em todo o mundo – abre uma nova era para as energias renováveis.”

O foco da HDF Energy na Guiana Francesa responde ao déficit de fornecimento de energia do território, principalmente no oeste, que está registrando um rápido crescimento populacional. “Ao fornecer vários megawatts de eletricidade garantida e não poluente, o CEOG corresponde às necessidades expressas na Programação Plurianual de Energia (PPE) da Guiana”, disse a empresa.

O CEOG estará localizado em um terreno de 140 hectares “no topo de morros, evitando assim as florestas de várzea, que são ricas em biodiversidade”, disse a HDF Energy. 

Veja o vídeo.           https://youtu.be/QdKKAqSbiGA

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Fibras mais fortes que aço e Kevlar são produzidas por bactérias

Redação do Site Inovação Tecnológica


Bactérias produzem fibras mais fortes que aço e mais resistentes que Kevlar
Derivadas da seda de aranha, essas fibras superam alguns dos produtos mais resistentes feitos pelo homem.
[Imagem: Washington University in St. Louis/Jingyao Li]


Fibras amiloides úteis

As fibras amiloides, feitas de proteínas, não têm boa fama devido à sua vinculação com a neurodegeneração cerebral, como na Doença de Alzheimer, mas elas também podem se tornar um biomaterial de grande interesse industrial.

Foi o que demonstraram Jingyao Li e Fuzhong Zhang, da Universidade de Washington, nos EUA.

Eles criaram uma nova fibra, produzida por bactérias geneticamente engenheiradas, que é tão forte quanto o aço e com uma tenacidade superior à do conhecido Kevlar, o material mais usado em coletes à prova de balas.

E o material supera também as mais bem faladas fibras de seda de aranha, que várias equipes estão tentando reproduzir de maneira artificial usando técnicas da biologia sintética.

E este foi justamente o ponto de partida da equipe, que modificou a sequência de aminoácidos das proteínas da seda de aranha para introduzir novas propriedades nas fibras, sem perder seus atrativos.

Biologia sintética

Um problema associado à fibra da seda de aranha recombinante - sem modificação significativa da sequência da seda de aranha natural - é a necessidade de criar cristais em escala micro ou nano, um componente essencial da seda de aranha natural, que contribui para sua força.

"As aranhas descobriram como girar as fibras com uma quantidade desejável de nanocristais," detalhou Zhang. "Mas, quando os humanos usam processos de fiação artificiais, a quantidade de nanocristais em uma fibra de seda sintética costuma ser menor do que sua equivalente natural."

Para resolver este problema, a equipe redesenhou a sequência da seda introduzindo sequências amiloides - amiloides são essencialmente aglomerados de proteínas - que têm alta tendência a formar micro/nano-cristais.

As proteínas resultantes têm menos sequências de aminoácidos repetitivas do que a seda de aranha natural, tornando-as mais fáceis de serem produzidas por bactérias geneticamente modificadas. Por fim, as bactérias produziram uma proteína amiloide polimérica híbrida com 128 unidades repetidas.

Bactérias produzem fibras mais fortes que aço e mais resistentes que Kevlar
Micrografia da fibra polimérica amiloide feita por bactérias geneticamente modificadas.
[Imagem: Jingyao Li]

Supera aço e Kevlar

Quanto mais longa for a proteína, mais forte e resistente será a fibra resultante. As proteínas de 128 repetições resultaram em uma fibra com força na faixa dos gigapascal - uma medida de quanta força é necessária para quebrar uma fibra de diâmetro fixo - o que é mais forte do que o aço comum.

A resistência das fibras - uma medida de quanta energia é necessária para quebrar uma fibra - é maior que a do Kevlar e do que todas as fibras de seda recombinantes anteriores. Sua força e resistência são ainda maiores do que algumas fibras naturais de seda de aranha.

"Parece haver possibilidades ilimitadas na engenharia de materiais de alto desempenho usando nossa plataforma," disse Li. "É provável que você possa usar outras sequências, colocá-las em nosso projeto e também obter uma fibra de desempenho aprimorado."

Bibliografia:

Artigo: Microbially Synthesized Polymeric Amyloid Fiber Promotes B-Nanocrystal Formation and Displays Gigapascal Tensile Strength
Autores: Jingyao Li, Yaguang Zhu, Han Yu, Bin Dai, Young-Shin Jun, Fuzhong Zhang
Revista: ACS Nano
DOI: 10.1021/acsnano.1c02944

Processador para inteligência artificial funciona com energia solar

Redação do Site Inovação Tecnológica


Processador para inteligência artificial funciona com energia solar ou bateria
O sistema de inteligência artificial completo e totalmente funcional é alimentado por algumas poucas células solares (lado esquerdo do circuito).
[Imagem: CSEM]

Inteligência artificial portátil

Engenheiros suíços criaram um hardware para inteligência artificial que pode ser alimentado por células solares ou mesmo por uma bateria tipo botão.

É um feito impressionante porque uma das grandes desvantagens das tecnologias baseadas em inteligência artificial é que elas requerem muita energia, na maioria dos casos ligadas permanentemente à nuvem, na base da qual estão centrais de dados que consomem tanta eletricidade quanto cidades inteiras.

O chip funciona por meio de uma arquitetura de processamento inteiramente nova, projetada para minimizar a quantidade de energia necessária.

Ele consiste em um chip ASIC com processador RISC-V e dois aceleradores de aprendizado de máquina fortemente acoplados: Um para detecção facial ou de voz, por exemplo, e outro para classificação. É justamente nesses dois aceleradores que está o segredo para que o sistema gaste pouca energia.

Aceleradores

O primeiro acelerador é um mecanismo de árvore de decisão binária, capaz de realizar tarefas simples, mas incapaz de fazer operações de reconhecimento. É a parte que mais trabalha, mas com um consumo mínimo de energia.

"Quando nosso sistema é usado em aplicativos de reconhecimento facial, por exemplo, o primeiro acelerador responderá a perguntas preliminares como: Há pessoas nas imagens? E, se houver, seus rostos estão visíveis?" detalha o professor Stéphane Emery, do Centro Suíço para Eletrônica e Microtecnologia (CSEM). "Se nosso sistema for usado em reconhecimento de voz, o primeiro acelerador determinará se há ruído e se esse ruído corresponde a vozes humanas. Mas ele não consegue distinguir vozes ou palavras específicas - é aí que entra o segundo acelerador."

O segundo acelerador é um mecanismo de rede neural convolucional (CNN) que pode realizar essas tarefas mais complicadas, como reconhecer rostos individuais e detectar palavras específicas. Este segundo acelerador consome mais energia do que o primeiro, mas é muito menos usado.

Processador para inteligência artificial funciona com energia solar ou bateria
Demonstração do sistema em uma tarefa de reconhecimento facial, aqui alimentado por uma bateria de relógio.
[Imagem: CSEM]

IA com segurança

No balanço geral, a abordagem de processamento de dados em duas camadas reduziu drasticamente a necessidade de energia do sistema, já que, na maioria das vezes, apenas o primeiro acelerador está trabalhando.

Além de esse sistema permitir todo o processamento local, com ganhos de segurança, ele é totalmente modular, podendo ser adaptado para qualquer aplicação em que seja necessário tratar e processar sinais em tempo real, especialmente quando dados confidenciais estão envolvidos.

"Nosso sistema funciona basicamente da mesma maneira, independentemente do aplicativo," disse Emery." Só temos que reconfigurar as várias camadas de nosso motor neural convolucional."

Bibliografia:

Artigo: A Sub-mW Dual-Engine ML Inference System-on-Chip for Complete End-to-End Face-Analysis at the Edge
Autores: Erfan Azarkhish, Regis Cattenoz, Engin Türetken, Luca Benini, Stephane Emery
Revista: Proceedings of the 2021 Symposium on VLSI Circuits
DOI: 10.23919/VLSICircuits52068.2021.9492401.

Zerar emissões até 2050 é “tarde demais” para evitar desastre climático global

Pelo site CicloVivo
Alcançar emissões zero até 2050 não é mais suficiente para garantir um futuro seguro para a humanidade”




desastre climático
Imagem: Reprodução | Nasa

Em novo relatório divulgado nesta quarta-feira, 25 de agosto de 2021, o Conselho Consultivo de Crise Climática (em inglês, Climate Crisis Advisory Group) adverte que chegar a zero emissões de gases de efeito estufa até 2050 agora é “tarde demais” e não atingirá as metas de temperatura de longo prazo identificadas no Acordo de Paris para limitar o aquecimento global a 1,5 ° C até o final do século.

Com base nas descobertas publicadas recentemente pelo Sexto Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), os cientistas afirmam que as metas de emissões globais atuais são inadequadas e que estratégias de emissões negativas são necessárias.

O relatório sugere que mesmo que os países atinjam zero emissões de gases de efeito estufa em meados do século, isso não traz impactos para os gases de efeito estufa que já estão na atmosfera, com concentrações de gás carbônico que podem chegar até 540 partes por milhão.

Isso significa que há pouco ou nenhum espaço de manobra, com apenas 50% de chance de manter a linha de 1,5 ° C.
crise climática desastre climático
Imagem: Pixabay

Com 67 dias até a COP26, Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, o CCAG está pedindo aos líderes globais que mudem a ênfase para as metas de emissões negativas, única maneira viável de garantir que os níveis de gases de efeito estufa possam retornar aos níveis pré-industriais, em linha com o Acordo de Paris. Do contrário, é provável que as temperaturas globais ultrapassem 1,5 ° C já em 2030, levando o mundo a uma zona de perigosas mudanças climáticas.

“ALCANÇAR EMISSÕES ZERO ATÉ 2050 NÃO É MAIS SUFICIENTE PARA GARANTIR UM FUTURO SEGURO PARA A HUMANIDADE; DEVEMOS REVISAR AS METAS GLOBAIS E NOS COMPROMETERMOS COM ESTRATÉGIAS NEGATIVAS DE EMISSÃO DE GASES DE EFEITO ESTUFA URGENTEMENTE.”

David King, ex-conselheiro de ciência do Reino Unido que encabeça o CCAG.

Para Mercedes Bustamante, UnB, membro do CCAG, a ampliação das metas para incluir emissões negativas ressalta a importância do setor de mudanças de uso e cobertura da terra. A pesquisadora destaca o papel do Brasil como ator relevante neste cenário, se a governança ambiental for reconstruída com responsabilidade.

desastre climático
Foto: Unsplash

“A CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS NATURAIS, EM PARTICULAR NA REGIÃO TROPICAL, E O MANEJO ADEQUADO DOS SISTEMAS AGROPECUÁRIOS OFERECEM OPORTUNIDADES SIGNIFICATIVAS PARA CONTRIBUIR COM O ESFORÇO GLOBAL DE LIMITAR OS IMPACTOS DAS MUDANÇAS DO CLIMA.”