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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Guerra no espaço pode estar mais perto que nunca

Embora neguem, China, Rússia e Estados Unidos estão desenvolvendo e testando novas e controvertidas tecnologias para travar guerras espaciais


Lee Billings

                                                                  

O ponto crítico militar mais volátil e preocupante do mundo não está, indiscutivelmente, no Estreito de Taiwan, na Península da Coreia, no Irã, em Israel, na Caxemira ou na Ucrânia.

De fato, ele não pode ser localizado em qualquer mapa da Terra, embora seja muito fácil de encontrar.

Para vê-lo, basta olhar para cima, para um céu claro, para a “terra de ninguém” que é a órbita terrestre, onde está se desenrolando um conflito que é uma corrida armamentista em tudo, menos no nome.

Talvez a vastidão do espaço exterior seja o último lugar em que se esperaria ver militares competindo por território disputado, exceto pelo fato de que o espaço exterior já não está mais tão vazio.

Cerca de 1.300 satélites ativos circundam o globo em um congestionado traçado de órbitas, fornecendo meios de comunicação, navegação por GPS, previsão meteorológica e vigilância planetária.

Para forças armadas que dependem de alguns desses satélites em guerras modernas, o espaço tornou-se a quintessência do “terreno elevado”, com os EUA como o rei indiscutível “no topo da colina”.

Agora, à medida que China e Rússia procuram agressivamente desafiar a superioridade americana no espaço com ambiciosos programas espaciais militares próprios, a luta pelo poder corre o risco de precipitar um conflito que poderia prejudicar seriamente, se não paralisar, toda a infraestrutura espacial do planeta.

E embora possa começar no espaço, uma confrontação desse tipo poderia deflagrar  facilmente uma guerra total na Terra.

As tensões que vinham fervilhando há muito tempo agora estão se aproximando de um ponto de ebulição devido a vários acontecimentos, inclusive recentes e contínuos testes russos e chineses de possíveis armas antissatélites, assim como o fracasso, em julho, das conversações sob os auspícios das Nações Unidas para aliviar as tensões.

Em depoimento perante o Congresso no início do ano, James Clapper, diretor de Inteligência Nacional, ecoou as preocupações de muitas altas autoridades do governo sobre a crescente ameaça a satélites americanos, ao afirmar que tanto a China como a Rússia estão “desenvolvendo capacidades para negar acesso em um conflito”, como os que podem eclodir por causa das atividades militares de Pequim, no Mar da China meridional, ou de Moscou, na Ucrânia.

A China, em particular, ressaltou Clapper, demonstrou “a necessidade de interferir com, danificar e destruir” satélites americanos, referindo-se a uma série de testes de mísseis antissatélites, que começaram em 2007.

Há muitas maneiras de desativar ou destruir satélites além de explodi-los provocativamente com mísseis.

Uma nave espacial poderia simplesmente se aproximar de um satélite e lançar (borrifar) tinta em seus dispositivos ópticos, ou quebrar manualmente suas antenas de comunicação, ou ainda desestabilizar sua órbita.

Lasers podem ser usados para desativar temporariamente ou danificar de forma permanente os componentes de um satélite, particularmente seus delicados sensores, e ondas de rádio ou micro-ondas podem bloquear ou sequestrar transmissões para ou de controladores em terra.

Em resposta a essas possíveis ameaças, a administração Obama programou um orçamento de pelo menos US$ 5 bilhões a serem gastos nos próximos cinco anos para melhorar as capacidades defensivas e ofensivas do programa espacial militar do país.

Os EUA também estão tentando resolver o problema por meio da diplomacia, embora com sucesso irrisório; no final de julho, na ONU, discussões há muito esperadas sobre um código de conduta para nações que exploram o espaço, redigido tentativamente pela União Europeia, empacaram devido à oposição da Rússia, China e de vários outros países, inclusive Brasil, Índia, África do Sul e Irã.

O fracasso colocou soluções diplomáticas para a crescente ameaça em um limbo, conduzindo, provavelmente, a muitos anos mais de debates no âmbito da Assembleia Geral da ONU.

“O xis da questão é que os Estados Unidos não querem conflitos no espaço exterior”, resumiu Frank Rose, secretário-assistente de Estado para controle de armamentos, verificação e cumprimento das leis, que liderou os esforços diplomáticos americanos para impedir uma corrida armamentista espacial.

Os Estados Unidos, declarou Rose, estão dispostos a trabalhar com a Rússia e a China para manter o espaço seguro. “Mas quero deixar muito claro: nós defenderemos nossos bens espaciais se formos atacados”.



Teste

A perspectiva de guerra no espaço não é nova.

Temendo armas nucleares soviéticas lançadas da órbita terrestre, os EUA começaram a testar armamentos antissatélites no final da década de 50.

Os americanos chegaram até a testar bombas nucleares no espaço antes que armas orbitais de destruição em massa foram proibidas através do Tratado do Espaço Exterior da ONU, em 1967.

Após a proibição, a vigilância baseada no espaço tornou-se um componente crucial da Guerra Fria, com satélites servindo como uma parte importante de elaborados sistemas de alerta antecipado de prontidão para detectar o posicionamento ou lançamento de armas nucleares baseadas em terra.

Durante a maior parte da Guerra Fria, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) desenvolveu e testou “minas espaciais”, naves espaciais autodetonantes que podiam procurar e destruir satélites espiões dos EUA ao bombardeá-los com estilhaços.

Na década de 80, a militarização espacial culminou com a multibilionária Iniciativa de Defesa Estratégica do governo de Ronald Reagan, apelidada “Guerra nas Estrelas”, para desenvolver medidas retaliatórias orbitais contra mísseis balísticos intercontinentais soviéticos.

E, em 1985, a Força Aérea dos Estados Unidos fez uma clara demonstração de suas formidáveis capacidades, quando um caça F-15 lançou um míssil que destruiu um satélite falho americano na baixa órbita da Terra.

Durante tudo isso, não ocorreu uma corrida armamentista desenfreada e total, nem foram deflagrados conflitos diretos.

De acordo com Michael Krepon, perito em controle de armas e cofundador do think tank Centro Stimson, na capital Washington, isso se deveu ao fato de que tanto os EUA com a URSS perceberam o quanto seus satélites eram vulneráveis, especialmente os que encontravam em órbitas geossincrônicas (ou geoestacionárias), de aproximadamente 35 mil quilômetros ou mais.

Esses satélites efetivamente pairam acima de um ponto no planeta, tornando-os alvos muito fáceis.

Mas como qualquer ação hostil contra esses satélites poderia escalar facilmente para uma troca nuclear aberta na Terra, as duas superpotências recuaram.

“Nenhum de nós assinou um tratado sobre isso”, observa Krepon. “Simplesmente chegamos independentemente à conclusão de que nossa segurança estaria mais ameaçada se fossemos atrás desses satélites, porque se um de nós fizesse isso, então o outro também faria”.

Hoje, a situação é muito mais complicada.

Órbitas terrestres baixas e altas tornaram-se incubadoras de atividade científica e comercial, repletas de centenas e centenas de satélites de cerca de 60 nações diferentes.

Apesar de seus propósitos majoritariamente pacíficos, todos os satélites, sem exceção, estão em risco, em parte porque nem todos os membros do crescente clube de potências militares espaciais estão dispostos a agir de acordo com as mesmas regras, e nem precisam fazer isso, porque até agora elas ainda não foram escritas.



Lixo espacial

Satélites se deslocam pelo espaço a velocidades muito altas; portanto, o jeito mais rápido e sujo de “matar” um deles é simplesmente lançar alguma coisa ao espaço para obstruir seu caminho.

Até o impacto de um objeto tão pequeno e rudimentar quanto uma bolinha de gude pode desativar ou destruir inteiramente um satélite de um bilhão de dólares.

E se uma nação empregar um método “cinético” desses para destruir o satélite de um adversário, ela pode facilmente criar detritos ainda mais perigosos, potencialmente originando uma reação em cadeia que transformará a órbita terrestre em palco de uma absurda corrida de demolição.

Em 2007, os riscos de detritos aumentaram drasticamente quando a China lançou um míssil que destruiu um de seus próprios satélites meteorológicos na baixa órbita terrestre.

Aquele teste gerou um “enxame” de estilhaços de longa vida que constitui quase um sexto de todos os detritos rastreáveis por radar em órbita.

Os EUA responderam na mesma moeda em 2008, ao redirecionarem um míssil antibalístico lançado de um navio para abater um satélite militar avariado pouco antes de ele cair na atmosfera.

Essa medida também produziu lixo perigoso, embora em quantidades menores, e os detritos tiveram vida mais curta porque foram gerados a uma altitude muito mais baixa.

Mais recentemente, a China lançou o que muitos especialistas dizem ser testes adicionais de armas cinéticas antissatélites baseadas em terra.

Nenhum desses novos lançamentos destruiu satélites, mas Krepon e outros peritos afirmam que isso é porque os chineses agora só estão testando para errar o alvo, em vez de atingi-lo, com a mesma capacidade hostil como resultado final.

O último desses episódios aconteceu em 23 de julho do ano passado.

As autoridades chinesas insistem que a única finalidade dos ensaios é defesa antimíssil pacífica e experimentação científica.

Mas um teste, realizado em maio de 2013, lançou um projétil desses a uma altitude de 30 mil km acima da Terra, aproximando-se do “santuário” de satélites geossincrônicos estratégicos.

Aquilo foi um chamado de alerta, admite Brian Weeden, analista de segurança e ex-oficial da Força Aérea que estudou e ajudou a divulgar o teste chinês.

“Os Estados Unidos aceitaram há décadas o fato de que seus satélites de baixa órbita poderiam ser abatidos facilmente”, diz ele. “Mas quase atingir [a órbita geossincrôncica] fez as pessoas entenderem que, nossa!, alguém realmente poderia tentar ir atrás das coisas que temos lá em cima”.

Não foi coincidência que pouco depois de maio de 2013, os EUA liberaram a divulgação de detalhes de seu programa ultrassecreto Consciência Situacional do Espaço Geossincrônico (GSSAP), um planejado conjunto de quatro satélites capaz de monitorar as altas órbitas da Terra e até se encontrar com outros satélites para inspecioná-los de perto.

Os dois primeiros GSSAPs foram lançados à órbita em julho de 2014.

“Este costumava ser um [chamado] ‘programa preto’, algo que oficialmente nem existia”, explica Weeden. “Ele basicamente foi oficializado (liberado para divulgação) para enviar uma mensagem dizendo: ‘Ei, se você estiver fazendo algo suspeito dentro e ao redor do cinturão geossincrônico, nós veremos’”.

Um intruso na órbita geossincrônica não precisa ser um míssil com uma ogiva (ponta) cheia de explosivos para ser um risco de segurança, mesmo aproximar-se ou se encostar em satélites estratégicos de um adversário é considerado uma ameaça.

Esta é uma das razões por que potenciais adversários dos Estados Unidos podem estar alarmados com as capacidades de rendezvous (encontros) dos satélites GSSAP e dos aviões espaciais robóticos altamente manobráveis X-37B da Força Aérea americana.

A Rússia também está desenvolvendo sua própria capacidade de abordar, inspecionar e potencialmente sabotar ou destruir satélites em órbita.

Nos últimos dois anos, o país incluiu três misteriosas cargas em lançamentos de outra forma rotineiros de satélites comerciais, sendo que o último ocorreu em março deste ano.

Observações de radar feitas pela Força Aérea americana e por entusiastas amadores revelaram que depois que cada um desses satélites foi posicionado, um pequeno objeto adicional voava para bem longe do foguete arremessado, só para depois dar meia volta e voltar.

Os objetos, apelidados Kosmos-2491, K-2499 e K-2504, podem ser apenas parte de um programa inofensivo para o desenvolvimento de técnicas para fazer a manutenção e reabastecer satélites velhos, argumenta Weeden, embora também possam ser destinados a propósitos mais sinistros.



Tratados oferecem poucas garantias

Autoridades chinesas sustentam que suas atividades militares no espaço são simplesmente experimentos científicos pacíficos, enquanto as autoridades russas em geral têm se mantido em silêncio na maior parte do tempo.

As duas nações poderiam ser vistas como simplesmente respondendo ao que elas entendem como o desenvolvimento clandestino, pelos EUA, de potenciais armas espaciais.

De fato, os sistemas americanos de defesa de mísseis balísticos, seus aviões espaciais X-37B e até suas naves espaciais GSSAP, embora todos ostensivamente destinados a manter a paz, poderiam ser facilmente convertidos em armas de guerra espacial.

Durante anos, a Rússia e a China vêm pressionando para a ratificação de um tratado legalmente vinculativo das Nações Unidas para banir armas espaciais; um tratado que autoridades americanas e especialistas externos têm rejeitado repetidamente como uma inviabilidade cínica.

“O esboço do tratado sino-russo visa proibir justamente as coisas que eles mesmos estão procurando desenvolver tão ativamente”, reclama Krepon. “Ele serve perfeitamente aos seus interesses. Eles querem liberdade de ação, e estão encobrindo isso com essa proposta para proibir armas espaciais”.

Mesmo se o tratado estivesse sendo proposto de boa fé “ele estaria morto ao chegar” ao Congresso e não teria a menor chance de ser ratificado, salienta Krepon.

Afinal, os EUA também querem liberdade de ação no espaço, e no espaço nenhum outro país tem mais capacidade e, portanto, mais a perder.

De acordo com Rose, existem três problemas fundamentais com o tratado.

“Um, ele não é efetivamente verificável, o que os russos e chineses admitem”, argumenta. “Você não consegue detectar trapaça. Dois, ele é totalmente silencioso (omisso) sobre a questão das armas terrestres antissatélites, como as que a China testou em 2007 e novamente em julho de 2014. E, terceiro, ele não define o que é uma arma no espaço exterior”.

Como alternativa, os EUA apoiam uma iniciativa liderada pela Europa para estabelecer “normas” para uma conduta adequada através da criação de um Código Internacional de Conduta para o Espaço Exterior, voluntário.

Este seria um primeiro passo, a ser seguido por um acordo vinculativo.

Um esboço dessa proposta, que Rússia e China impediram de ser adotada nas discussões de julho na ONU, exige maior transparência e “construção de confiança” entre nações com capacidade espacial como um meio de promover a “exploração e o uso pacífico do espaço exterior”.

Espera-se que isso possa impedir a geração de mais detritos e o contínuo desenvolvimento de armas espaciais.

No entanto, como o tratado russo-chinês, esse código também não define exatamente o que constitui uma “arma espacial”.

Essa imprecisão representa problemas para altas autoridades da defesa, como o general John Hyten, chefe do Comando Espacial da Força Aérea dos EUA.

“Nosso sistema de vigilância baseado no espaço, que olha para os céus e monitora tudo na órbita geossincrônica, é um sistema de armas?”, pergunta ele. “Creio que todos no mundo olhariam para isso e diriam não. Mas ele é manobrável, viaja a mais de 27.350 km por hora, e tem um sensor a bordo. Não é uma arma, certo? Mas a linguagem [de um tratado] proibiria a nossa capacidade de realizar uma vigilância baseada no espaço? Eu espero que não!”



Guerra no espaço é inevitável?

Enquanto isso, mudanças na política dos EUA estão dando à China e à Rússia mais razões para novas suspeitas.

O Congresso tem pressionado a comunidade de segurança nacional dos EUA a voltar suas atenções para o papel das capacidades ofensivas, em vez das defensivas, chegando até a impor que a maior parte do financiamento do ano fiscal de 2015 para o Programa Segurança e Defesa Espacial, do Pentágono, seja destinada ao “desenvolvimento de estratégias e capacidades ofensivas de controle e defesa ativa do espaço”.

“Controle espacial ofensivo” é uma clara referência a armas.

“Defesa ativa” é uma expressão muito mais nebulosa e se refere a medidas indefinidas de retaliação ofensiva que poderiam ser tomadas contra um atacante, ampliando ainda mais os caminhos através dos quais o espaço pode se tornar um ambiente equipado com armas.

Se uma ameaça iminente for percebida, um satélite ou seus operadores poderiam desfechar um ataque por meios de lasers ofuscantes, micro-ondas de interferência, bombardeio cinético, ou diversos outros métodos possíveis.

“Espero nunca travar uma guerra no espaço”, diz Hyten. “Isso é ruim para o mundo. A cinética [armamentos antissatélites] é horrível para o mundo”, devido aos riscos existenciais que os detritos representam para todos os satélites.

“Mas se a guerra se estender ao espaço”, argumenta ele, “precisamos ter capacidades ofensivas e defensivas com que responder, e o Congresso nos pediu que explorássemos que capacidades seriam estas. E, para mim, o único fator limitante é ‘nada de detritos’. Não importa o que faça, não crie detritos”.

Uma tecnologia para bloquear ou interferir em transmissões, por exemplo, parece sustentar o Counter Communications System (CCS), o sistema de interferência ofensiva em comunicações da Força Aérea, a única capacidade ofensiva americana reconhecida contra satélites no espaço.

“Basicamente o CCS é uma grande antena sobre um trailer, e ninguém sabe como ele realmente funciona, o que de fato faz”, informa Weeden, salientando que, como a maior parte das atividades (trabalhos) espaciais, os detalhes do sistema são ultrassecretos.

“Tudo o que sabemos essencialmente é que eles poderiam usá-lo de para interferir ou bloquear de alguma forma satélites de um adversário ou talvez até enganar ou hackear os instrumentos”.

Para Krepon, os debates sobre as definições de armas espaciais e a agressiva exibição de poder militar entre Rússia China e Estados Unidos estão atrapalhando e eclipsando a questão mais premente dos detritos espaciais.

“Todo mundo está falando sobre objetos intencionais, feitos pelo homem, destinados a travar guerras no espaço, e é como se estivéssemos de volta na Guerra Fria”, compara.

“Enquanto isso, já há cerca de 20 mil armas lá em cima em forma de detritos. Eles não têm nenhum propósito, e não são guiados. Eles não estão procurando detectar satélites inimigos. Eles só estão zanzando por lá, fazendo o que fazem”.

O ambiente espacial, salienta, precisa ser protegido como um bem comum global, como os oceanos e a atmosfera da Terra.

Lixo espacial é muito fácil de ser produzido e muito difícil de ser eliminado; por essa razão, os esforços internacionais deveriam se concentrar na prevenção de sua criação.

Além da ameaça de destruição deliberada, o risco de colisões acidentais e impactos de detritos continuará aumentando à medida que mais nações lançam e operam mais satélites sem uma rigorosa responsabilização e supervisão internacional.

E, à medida que a chance de acidentes aumenta, o mesmo acontece com a possibilidade de eles serem mal interpretados como ações deliberadas e hostis na tensa intriga melodramática dessa intensa competição militar no espaço.

“Estamos no processo de sujar e estragar o espaço, e a maioria das pessoas não se dá conta disso porque não podemos vê-lo como vemos o abate de peixes marinhos, florações enormes de algas, ou os efeitos da chuva ácida”, adverte ele.

“Para evitar poluir e destruir a órbita terrestre, precisamos de um senso de urgência que atualmente ninguém tem. Talvez possamos senti-lo quando não conseguirmos usar nossa televisão por satélite ou nossas telecomunicações, ou acessar noticiários sobre o clima global e previsões de furacões. Quando formos catapultados de volta às condições da década de 50, talvez possamos adquiri-lo. Mas então será tarde demais”.

Sabrina Imbler contribuiu para a reportagem.

Publicado em Scientific American


Drones usados em missões militares protegem animais na Costa Rica

Fornecido por AFP


Drones utilizados em missões militares no Iraque e no Afeganistão hoje fazem parte do projeto de uma organização ambiental da Costa Rica, que busca proteger tartarugas e tubarões em risco de extinção no Pacífico


Em uma experiência piloto recente, o Programa de Restauração da Tartaruga Marinha (Pretoma) uniu um drone, um submergível de profundidade, sonares e outros recursos de alta tecnologia para estudar os padrões migratórios dos tubarões-martelo e das tartarugas marinhas que transitam pela Ilha do Coco, na Costa Rica, disse em entrevista à AFP o diretor da organização, Randall Arauz.
A esse esforço se uniram organizações não-governamentais e empresas privadas, que forneceram os recursos na esperança de proteger essas espécies, cujas populações diminuíram drasticamente.
A empresa americana Precision, que presta serviços especiais para o exército dos Estados Unidos em zonas de guerra, forneceu um drone para detectar a presença de barcos pesqueiros que operam de forma ilegal nessa área.
"O trabalho que a Pretoma faz é de grande importância. A Precision tem muita experiência em encontrar os 'bandidos' e queremos ajudar com nossas habilidades e recursos a melhorar o mundo de uma maneira diferente", disse à AFP a gerente do Projecto UAV (Unmanned Aerial Vehicle) da Precision, Charissa Moen.
A executiva disse que os drones podem voar sem serem vistos, detectar os pescadores ilegais e recolher as provas necessárias para que sejam condenados por tribunais.
A aeronave também está equipada de câmeras infravermelhas que seguem os movimentos de baleias e tubarões em águas superficiais, informação útil para os objetivos da investigação.
A organização Dalio Ocean Initiative forneceu um submarino e barcos infláveis para uma parte essencial do projeto: a localização das rotas seguidas pelas tartarugas e tubarões-martelo, dise Arauz.
"Observamos que os tubarões se movem entre a Ilha do Coco (a cerca de 500 km a sudoeste da Costa Rica) e as Ilhas Galápagos (no Equador), ao longo de uma cordilheira vulcânica submarina chamada Las Gemelas, com cerca de 600 km de comprimento", explicou o ambientalista.
Caso essa observação seja confirmada, ficaria demonstrado que entre a Ilha do Coco e Galápagos existe um corredor biológico utilizado por essas espécies, descoberta que segundo Arauz "teria grande importância para sua conservação".
O corredor da vida
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), entre 73 e 100 milhões de tubarões morrem anualmente pela sobrepesca, destinada a satisfazer a demanda de barbatanas do mercado asiático.
Essa exploração intensiva coloca em perigo de extinção várias espécies desse peixe, forma de vida com 400 anos de existência graças à sua grande capacidade de adaptação, mas que não está conseguindo acompanhar a voracidade humana.
Diversas pesquisas científicas revelam também uma diminuição da chegada de tartarugas-de-couro e outras espécies às praias de nidificação em todo o continente americano, em alguns casos de até 90%.
"Agora são feitos muitos esforços para proteger as tartarugas e o tubarão-martelo, mas é difícil protegê-los na imensidade do mar. Mas se confirmarmos que há corredores biológicos, podemos concentrar os esforços e conseguir resultados mais eficazes", explicou o ambientalista.
Recentemente, utilizando os submarinos da Dalio Ocean Initiative, a organização Pretoma instalou um receptor de ondas sonoras a 180 metros de profundidade acima da cordilheira submarina Las Gemelas, com o qual poderá seguir o rastro de uma centena e meia de tubarões e tartarugas que receberam implantes com dispositivos emissores dessas ondas.
O plano é completo com os sistemas de acompanhamento desenvolvidos por outras ONGs internacionais, como a Missão Tubarão, nas Ilhas Galápagos.
"Acreditamos que esta pesquisa nos dará argumentos para pressionar os governos da Costa Rica, Colômbia ou Equador pela proteção das espécies ameaçadas nesse corredor", disse Arauz.
Recursos: problema central
Os drones e submarinos não ficarão na Ilha do Coco de maneira permanente e também não é necessário que seja assim, disse Arauz, que considera que duas ou três visitas ao ano será suficiente.
As equipes e suas operadoras são assunto resolvido, pois tanto a Precision como a Dalio se comprometeram a trabalhar de forma gratuita, mas os custos de transportar as máquinas e o pessoal da Costa Rica até a ilha são muito elevados.
O governo "nos dá todo o apoio na gestão dos recursos necessários para a continuidade do projeto e estamos concentrados nisso", disse.
Com os recursos disponíveis poderia se transformar em um santuário natural uma das regiões mais ricas em biodiversidade marinha no mundo, onde existem não só muitas tartarugas e tubarões, mas centenas de espécies de peixes e outras formas de vida.

sábado, 22 de agosto de 2015

Japoneses desenvolvem ‘carro’ portátil que cabe na mochila



(Reprodução)
(Reprodução)

Engenheiros japoneses desenvolveram um meio de transporte que cabe em uma mochila e tem o tamanho de um caderno: o WalkCar, uma plataforma equipada com quatro rodas e sistema inteligente, pode ser o passo à frente dos já famosos diciclos SegWays, usados ao redor do mundo.
A ideia partiu do cientista Kuniako Sato, de somente 26 anos, e sua equipe, a Cocoa Motors. Feito de alumínio, a plataforma pesa entre dois e três quilos, tem o tamanho de um notebook e bateria de lítio. São duas versões – uma para ambientes fechados e outra para andar ao ar livre.

(Reprodução)
(Reprodução)

A principal novidade do WalkCar é a possibilidade de ajudar pessoas com deficiência ou em trabalhos manuais. No vídeo divulgado pela empresa, é possível ver como o aparelho tem força suficiente para empurrar mais do que uma pessoa. A capacidade total é de 120 kg e a velocidade média 10km/h.

(Reprodução)
(Reprodução)


De acordo com Sato, é muito simples de usar: logo que a pessoa pisa, o WalkCar é ativado. Seu freio também é bem inteligente, deixando poucos centímetros entre o carrinho e seu “motorista”. Para fazer curvas, basta inclinar para o lado. Quem sabe em breve não será possível ver esse skate moderno nas ruas de Tóquio?

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

7 coisas incríveis que a Impressão 3D já faz pela Arquitetura

Extraído do site www.bimbon.com.br

Por: Nadine Figueiredo





As impressoras 3D chegaram no mercado há pouco tempo e já são consideradas por muitos como a Terceira Revolução Industrial. A tecnologia - que já é utilizada para criar alimentos, órgãos do corpo humano e até veículos - também vem sendo aplicada em diversos setores da Arquitetura, Design e Engenharia, facilitando a vida de profissionais e clientes.
Se você está curioso para saber mais sobre a tecnologia, confira abaixo 7 coisas incríveis que as impressoras 3D podem fazer pelo trabalho de arquitetos e designers:
1. As impressoras 3D transformam sketches e desenhos digitais em modelos físicos realistas e tangíveis. Basta programar a impressora com o modelo projetado através do software - dependendo do tamanho e da complexidade, a impressão pode demorar de alguma horas até uma semana
2. Menos tempo gasto na hora da modelagem. Assim, o profissional possui mais tempo para pensar ou executar outras partes importantes de um projeto - ou até desenvolver outros conceitos para o modelo - enquanto a impressora 3D realizado todo o trabalho.
Além disso, as impressoras 3D também ajudam a aprimorar a produção de modelos arquitetônicos. Assim, estruturas mais detalhadas e complexas podem ser produzidas em pouco tempo - o que é quase impossível na indústria ou maquetagem tradicionais.
3. Problemas de design, equilíbrio e engenharia também são facilmente resolvidos e identificados através da impressão 3D. Assim, erros que poderiam custar caro são solucionados e aceleram o lançamento do produto no mercado sem imperfeições.
4. Arquitetos e escritórios que já utilizam as técnicas de impressão 3D também relatam que apresentar os projetos feitos através da impressora melhorou a comunicação com os clientes e até garantiu mais negócios - a rapidez na confecção de modelos detalhados dá mais confiança de que os projetos podem ser concretizados de acordo com o desejado. No escritório Eduardo Rodrigues Arquitetura, em Sorocaba - SP, todos as maquetes já são produzidas pela impressora 3D CubeX Duo.
5. Muitas vezes, a liberdade criativa de designers e arquitetos acaba sendo limitada por conta das limitações na hora de dar vida ao que foi projetado. Graças à tecnologia das impressoras 3D, qualquer tipo de detalhe, forma ou acabamento pode ser realizado, e o profissional não depende mais dos padrões da indústria para produzir linhas inteiras de produtos.
6. Até 2 anos atrás, era impossível comprar uma impressora 3D por menos de R$30 mil reais. Hoje, já existem modelos de qualidade à venda a partir R$6 mil reais - o preço varia de acordo com o tamanho, capacidade e materiais que podem ser utilizados para impressão.
7. Não são só as maquetes e pequenos produtos que podem ser impressos através da tecnologia. Na China, uma empresa criou uma impressora de 7 metros de altura capaz de construir uma casa inteira em apenas 24 horas. Além de mais rápido, o processo evita o desperdício de materiais e torna o processo de construção ainda mais rápido - a estrutura custa metade do preço da construção tradicional.

Método para classificação de países acaba com conceito de emergentes

Com informações da BBC 


A classificação que agrupa países como "desenvolvidos" e "emergentes" está ultrapassada? E quando um país finalmente deixa de ser emergente?
Desenvolvidos e a caminho
Para alguns economistas, esta avaliação não é só antiga como é simplista demais. Peter Marber, especialista em investimentos para "mercados emergentes", criou uma nova avaliação, que divide os países em 10 grupos diferentes após a análise de uma série de dados.
"Esta classificação [em desenvolvidos e emergentes] não está apenas desatualizada, mas é uma caracterização simplista. O mundo é muito mais segmentado do que preto e branco... Tem vários tons de cinza", disse ele.
Quanto mais perto do topo da classificação - o grupo 10 -, mais desenvolvido é o país. O Brasil está na categoria 6, junto com Rússia e África do Sul. Os três países integram o bloco Brics de países emergentes.
Curiosamente, Estados Unidos, China e Índia - os dois últimos também integrantes do Brics - ficam de fora da classificação, já que, segundo o economista, eles não podem ser comparados a nenhum outro país.
Classificação de países
Método para classificação de países acaba com conceito de emergentes
[Imagem: Loomis Sayles/BBC]
O método foi desenvolvido a partir da avaliação de 100 países. Cada um desses deles recebeu notas em nove itens, que avaliaram diversos indicadores em três áreas diferentes: fatores econômicos, financeiros e sociais.
Para mensurar o desenvolvimento financeiro, avaliaram-se dados referentes à nota de crédito do país, à moeda e ao tamanho do mercado acionário como proporção do Produto Interno Bruto (PIB).
Na questão econômica, levou-se em conta o tamanho da população, o PIB per capita e a competitividade, que incluiu avaliações sobre infraestrutura, mercado de trabalho e produtividade.
Em relação aos indicadores sociais, foram analisados o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que avalia educação, saúde e bem-estar de países; o Índice da Economia do Conhecimento (IEC) do Banco Mundial, e uma mistura de indicadores de liberdades civis e direitos políticos.
Países únicos
Foram analisados dados do final de 2003 e do final de 2013 para que o desempenho dos países fosse comparado, o que levou à divisão da amostra em 10 grupos.
Os países integrantes do grupo 1 foram aqueles que receberam as menores notas - ou seja, estão mais sujeitos a riscos ou são menos desenvolvidos. Já os do grupo 10 registraram as melhores avaliações.
Nos dados de 2013, o grupo 10 reuniu 17 países desenvolvidos, entre eles Austrália, França, Alemanha, Japão e Reino Unido. No grupo 1, foram incluídos Bangladesh, Nigéria e Paquistão.
O Brasil ocupou o grupo 6, com Colômbia, Indonésia, Malásia, México, Filipinas, Rússia, África do Sul, Tailândia e Turquia.
Estados Unidos, China, Índia, Hong Kong e Catar foram considerados "casos únicos", disse Marber, em seus próprios grupos, por ser impossível compará-los com os demais.

Por que isso? Os Estados Unidos, devido à grande população e riqueza, que não permite que o país seja comparado com nenhum outro, explicou Marber. A China, devido à grande população. A Índia, também pela grande população, mas, devido às diferenças com a China, os países não podem ser comparados.

Supercondutor quente detona recorde de temperatura

Redação do Site Inovação Tecnológica 



Supercondutor quente
O aparelho usado no experimento é incrivelmente simples: a pressão extrema é conseguida apertando-se os parafusos da bigorna, enquanto a amostra estudada fica comprimida entre dois diamantes superpolidos.[Imagem: Thomas Hartmann/MPIC]
Supercondutor quente
Em alguns campos, pesquisas exaustivas parecem se arrastar por anos sem que nada de muito significativo, ou realmente radical, apareça.
Até que, de repente, tudo parece acontecer ao mesmo tempo, com novidades a todo instante, pulando como pipocas da panela.
É o que está acontecendo agora no campo da supercondutividade.
Há poucos dias, uma equipe dos EUA e da China chegou muito próximo de demonstrar a supercondutividade a temperatura ambiente, graças à sintetização do estaneno, uma folha monoatômica de estanho.
Agora, uma equipe alemã, trabalhando em uma frente completamente diferente, descobriu como fazer que um material comum e malcheiroso fique supercondutor a apenas -70º C - alguns até poderiam argumentar que isto já é temperatura ambiente, ainda que na Antártica.
O recorde anterior para um "supercondutor de alta temperatura" era -110º C, mas sempre envolvendo cerâmicas complexas, difíceis de obter e caracterizar, o que tem feito com que muitos comecem a duvidar das atuais teorias que tentam explicar a supercondutividade. Para a "supercondutividade convencional", com materiais não complexos, o recorde de temperatura continuava na casa dos -234º C.
Gás vira metal, que vira supercondutor
Alexander Drozdov e Mikhail Eremets, do Instituto Max Planck de Química, na Alemanha, trabalharam com um material simples e muito comum, o sulfeto de hidrogênio (H2S), o gás responsável pelo mal cheiro dos ovos podres.
Eles comprimiram o gás em uma bigorna de diamante até 1,6 milhão de vezes a pressão atmosférica, o suficiente para vê-lo transformar-se em um metal, e viram sua resistência à passagem da corrente elétrica desaparecer a meros 203,5 kelvin, cerca de -70º C.
Supercondutor quente
Os químicos acreditam que a passagem do H2S para H3S é crucial para o surgimento da supercondutividade. [Imagem: Defang Duan et al. - 10.1038/srep06968]
Supercondutores a temperatura ambiente
O experimento gerou uma nova onda de entusiasmo na comunidade científica em busca da supercondutividade a temperatura ambiente, sobretudo porque, há menos de um ano, um grupo de físicos chineses desenvolveu um novo modelo teórico que previa que o H2S poderia se tornar supercondutor a até -69º C quando, sob alta pressão, ele sofre uma transição para H3S.
E, neste campo, novos entendimentos sobre qual seria o gatilho que dispara a supercondutividade podem levar à busca por outros compostos que possam apresentar o mesmo comportamento em temperaturas cada vez mais altas.
"Não há limite teórico para a temperatura de transição dos supercondutores convencionais, e nossos experimentos dão-nos razões para termos esperança de que a supercondutividade pode até mesmo ocorrer a temperatura ambiente," disse Eremets.
Enquanto os teóricos se debatem com os modelos e a interpretação dos novos dados, os experimentalistas vão continuar comprimindo outros materiais isolantes em busca de materiais que se livrem da resistência elétrica a temperaturas cada vez mais distantes da Antártica, rumo ao Equador, indicando que novas pipocas poderão pular da panela nos próximos meses.

Bibliografia:

Conventional superconductivity at 203 kelvin at high pressures in the sulfur hydride system
Alexander P. Drozdov, Mikhail I. Eremets, I. A. Troyan, V. Ksenofontov, S. I. Shylin
Nature Physics
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/nature14964

Pressure-induced metallization of dense (H2S)2H2 with high-Tc superconductivity
Defang Duan, Yunxian Liu, Fubo Tian, Da Li, Xiaoli Huang, Zhonglong Zhao, Hongyu Yu, Bingbing Liu, Wenjing Tian, Tian Cui
Nature Scientific Reports
Vol.: 4, Article number: 6968
DOI: 10.1038/srep06968

Elevador para a estratosfera cria atalho para o espaço

Com informações da BBC 



Elevador para a estratosfera cria atalho para o espaço
O projeto ainda esbarra na necessidade de materiais de alta resistência e na solução dos problemas de estabilidade. [Imagem: Thoth Technology Inc/Divulgação]

Elevador para a estratosfera
Ainda não é o tão esperado elevador espacial, mas é um elevador que pode mudar a feição dos voos espaciais.
Uma empresa do Canadá patenteou uma ideia que promete simplificar as viagens espaciais e aposentar os rústicos e limitados foguetes.
Trata-se de um elevador para a estratosfera, uma torre inflável de 20 quilômetros de altura, de onde seria possível dispensar os veículos de voo vertical para chegar ao espaço.
A ideia da Thoth Technology Inc. patenteada na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, poderia economizar até 30% do combustível usado em viagens espaciais, segundo a empresa.
"Astronautas subiriam 20 quilômetros de elevador elétrico. Do alto da torre, aviões espaciais poderiam ser postos em órbita em um estágio único, retornando para o alto da torre para reabastecer e voar novamente", afirmou o inventor do sistema, Brendan Quine.
A grande inovação do elevador espacial é a eficiência com que seria possível chegar ao espaço.
Com a torre, a maior parte do voo vertical necessário para uma viagem espacial seria eliminada. A partir dos 20 quilômetros de altitude, seria possível entrar em órbita voando praticamente na horizontal, o que permitiria o uso de veículos espaciais mais versáteis e mais leves do que os foguetes.
Elevador para a estratosfera cria atalho para o espaço
A ideia é fazer um espaçoporto na estratosfera, de onde aviões espaciais poderiam decolar e atingir a órbita com um consumo de combustível menor do que os foguetes. [Imagem: Thoth Technology Inc/Divulgação]
Aviões espaciais
Embora o conceito de usar torres e elevadores como atalho para o espaço não seja novo, ele sempre esbarrou na falta de materiais capazes de suportar o próprio peso em tamanha altitude - as fibras de nanotubos de carbono são o que mais se aproxima disso, embora possam não ser a solução definitiva.
O projeto de Quine é utilizar uma estrutura leve, inflável e pressurizada. Ela seria montada a partir da base e poderia, segundo a empresa, ser usada para geração de energia eólica e como torre de comunicações.
A presidente da Thoth Technology, Caroline Roberts, afirmou que a torre, aliada a novas tecnologias de foguetes em desenvolvimento por outras empresas, vão revolucionar o conceito de viagem espacial.
"Pousar em uma balsa no nível do mar é um grande feito, mas pousar 12 milhas [20 quilômetros] acima do nível do mar vai tornar viagens espaciais cada vez mais parecidas com viagens de avião," disse ela, referindo-se às tentativas da SpaceX de reutilizar foguetes fazendo-os pousar em uma barca no oceano.

Agora que a ideia está patenteada, a empresa deverá sair à caça de novos materiais que possam viabilizá-la, além de demonstrar como resolver os problemas de instabilidade de uma estrutura tão elevada.

Ensino de Máquina: inteligência artificial a serviço da educação

Redação do Site Inovação Tecnológica 



Ensino de Máquina: inteligência artificial a serviço da educação
O professor Jerry Zhu quer que programas de inteligência artificial projetem as aulas mais eficientes para que os estudantes aprendam o máximo, no menor tempo possível. [Imagem: Universidade Wisconsin-Madison]
Ensino de máquina
O aprendizado de máquina é um campo da inteligência artificial já bem estabelecido, com inúmeras utilidades, sobretudo na interpretação de grandes massas de dados.
Agora o interesse está se voltando para o "ensino de máquina", um campo que mistura ciência da computação e psicologia para tentar desenvolver lições que sejam mais facilmente aprendidas pelos humanos.
"Minha esperança é que o ensino de máquina tenha um impacto no mundo educacional. Ele é muito diferente da forma como as pessoas normalmente pensam sobre educação. Ele nos dará lições mais eficazes e personalizadas para estudantes humanos reais," prevê Jerry Zhu, da Universidade Wisconsin-Madison, nos EUA.
No ano passado, a Fundação XPrize lançou um prêmio milionário para o primeiro programa que consiga dar uma palestra para uma plateia humana. Mas Zhu e seus colegas querem desenvolver "palestras otimizadas", ou seja, palestras que permitam um aprendizado melhor do que as aulas tradicionais.
Modelo de estudante
Em vez de lidar com montanhas de dados sem saber que padrões podem ser revelados por sua análise, como ocorre no aprendizado de máquina, o pesquisador envolvido com o ensino de máquina já sabe de antemão o conhecimento que quer repassar aos alunos.
Ensino de Máquina: inteligência artificial a serviço da educação
A inteligência artificial já dá sinais de criatividadecriando narrativas ficcionais. O resultado é muitas vezes maluco, mas às vezes funciona. [Imagem: Kuziki]
Assim, o foco estará nos estudantes, e na forma como eles aprendem.
"Para que a abordagem do ensino de máquina funcione, ele precisará de um bom modelo de como o aluno se comporta - ou seja, como o comportamento do aluno muda com diferentes tipos de aprendizagem ou experiências práticas," disse o professor Timothy Rogers, membro da equipe. "Além disso, o modelo precisa ser computacional; ele tem que ser capaz de fazer previsões quantitativas concretas sobre o comportamento do aluno."
Os programas usarão algoritmos sofisticados para ajudar a modelar os estudantes humanos reais e descobrir as melhores lições possíveis para que eles aprendam o máximo e o mais rapidamente possível.
Embora a definição de "melhor" caiba a cada professor em cada situação, um exemplo seria identificar o menor número de exercícios necessários para um aluno em particular apreender um conceito. "Poderiam cinco questões realmente boas ensinar o material, em vez de 20?" exemplifica Zhu.
Ensino de Máquina: inteligência artificial a serviço da educação
Robôs cientistas já fazem descobertas inéditas há algum tempo. [Imagem: Aberystwyth University]
Modelagem do aprendizado
"Em última instância, nós esperamos que o trabalho possa ser usado para ajudar os professores a desenvolver ementas de cursos e planos de aula que promovam a aprendizagem em uma ampla variedade de campos," disse Rogers, citando matemática, ciências e leitura como exemplos.
"E, igualmente importante, o esforço para fazer os modelos cognitivos da aprendizagem lidarem com problemas do mundo real é algo que poderá levar a novos e importantes avanços em nossa compreensão de como as pessoas aprendem de forma geral," finalizou.
O trabalho está nos primeiros estágios, mas a equipe espera apresentar resultados práticos do ensino de máquina nos próximos dois anos.

Bibliografia:

Machine Teaching: an Inverse Problem to Machine Learning and an Approach Toward Optimal Education
Xiaojin Zhu, Timothy Rogers, Michael Ferris, Bilge Mutlu and Stephen Wright; engineering professor Rob Nowak;, psychology professor Martha Alibali; and educational psychology professors Martina, Rau and Percival Matthews.
Twenty-Ninth AAAI Conference on Artificial Intelligence Proceedings
http://pages.cs.wisc.edu/~jerryzhu/machineteaching/pub/MachineTeachingAAAI15.pdf

Carros sem motorista: homens querem, mulheres nem tanto

Com informações da Umich



Carros sem motorista: homens querem, mulheres nem tanto
É grande a diferença nas preferências por carros totalmente autônomos e carros semiautônomos. [Imagem: Umich]
Automação veicular
Embora apenas uma pequena porcentagem dos motoristas afirme que se sentiria completamente confortável em um carro sem motorista, muitos deles confessam que não têm nenhum problema, desde que tivessem algum controle sobre o veículo.
Brandon Schoettle e Michael Sivak, da Universidade de Michigan, nos EUA, examinaram as preferências dos motoristas pela automação dos veículos, incluindo sua preocupação geral sobre estar em carros autônomos, ou de autocondução.
"Muitas vezes, os veículos autônomos geram discussões em relação à sua segurança em potencial, consumo de energia e benefícios ambientais. Outras vezes sobre os desafios técnicos existentes que devem ser superados para a sua implementação bem-sucedida", disse Schoettle. "No entanto, menos atenção tem sido dada ao considerar o nível real de automação que os motoristas desejam em seus veículos."
A dupla examinou 505 motoristas habilitados e constatou que cerca de 44% preferem manter o controle total durante a condução. Quase 16% preferem andar em um veículo com autocondução completa, enquanto quase 41% disseram que preferem um veículo com autocondução parcial, com controle ocasional do motorista.
De uma forma um tanto surpreendente, motoristas do sexo masculino e com menos de 45 anos foram os mais propensos a escolher veículos com autocondução parcial ou total.
Mulheres e motoristas com 45 anos ou mais são mais propensos a ter problemas com qualquer nível de automação.
Carros parcialmente autônomos
Enquanto cerca de dois terços dos entrevistados disseram que ficam pelo menos moderadamente preocupados em andar em veículos completamente autônomos, essa porcentagem cai para menos da metade para carros parcialmente autônomos.
Por exemplo, quase todos os entrevistados (96%) gostariam de ter volante e pedais de freio completamente disponíveis nos veículos autônomos.
Quanto aos veículos parcialmente autônomos, 59% dos entrevistados disseram que preferem uma combinação de três modos de alerta (sonoro, visual e de vibração) para notificar os motoristas quando devem retomar o controle do veículo. Cerca de 19% disseram que o som e efeitos visuais seriam suficientes.
Nível de automação dos carros
O estudo considerou três níveis de automação nos carros:
Completamente autônomos: o veículo irá controlar todas as funções críticas de segurança, até mesmo permitindo que o veículo viaje sem um passageiro, se necessário.
Parcialmente autônomos: o condutor será capaz de entregar o controle de todas as funções críticas de segurança para o veículo; o motorista terá controle ocasional do carro, se necessário.

Sem autocondução: o condutor estará sempre no controle completo de todas as funções de segurança, mas será assistido por várias tecnologias avançadas.