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sábado, 7 de março de 2020

3 truques para se manter calmo mesmo sob pressão

Pela BBC - Brasil
Números 1, 2, 3
Image captionTrês dicas fundamentais para aprender a manter o controle mesmo sob pressão
Vai fazer alguma prova? Uma entrevista de trabalho? Falar em público? Diante de tanta pressão você costuma ficar uma pilha de nervos?
Justamente quando precisa manter a calma, o seu coração acelera, as mãos suam, a voz fica estranha e trêmula e dá o famoso "branco" em sua cabeça.
Com um pouco de ajuda da neurociência, existem três técnicas fáceis e confiáveis que podem ajudar a se manter sereno e enfrentar essas dificuldades.
Claro, existem outras coisas que também podem ajudar a lidar com essas situações. Mas essas três dicas são importantes para trazer a calma rapidamente.

1. Respirar

O primeiro exercício é relacionado à respiração.
Inspire profundamente pelo nariz durante cinco segundos, suspenda a respiração por um segundo e solte todo o ar pelo nariz, lentamente, contando até cinco.
Repita esse exercício várias vezes e se sentirá mais tranquilo.
Durante séculos, praticantes de ioga e budistas usaram técnicas de respiração controlada como essa para dominar seu sistema nervoso. Agora, a ciência começa a entender como funciona.
Pesquisas identificaram uma rede específica de neurônios no tronco cerebral, denominada complexo pré-Bötzinger, que regula a respiração e se comunica com outras partes do cérebro.
Desenho do cérebro mostrando o complexo pre-Bötzinger
Image captionO complexo pré-Bötzinger é indispensável para a geração e modulação do ritmo respiratório
Sob estresse, nosso corpo tem tendência a respirar muito rápido, enquanto se prepara para o perigo. Isso é útil se o que você precisa é fugir de uma situação de risco, mas não é o que deve acontecer quando você está, por exemplo, prestes a falar em público.
A boa notícia é que, respirando profunda e lentamente, você pode mudar a mensagem que seu cérebro recebe de "perigo" para "está tudo bem".
Então, na próxima vez em que o pânico o invadir, use uma respiração profunda pelo nariz para forçar o corpo a se acalmar.
E a melhor parte é que ninguém notará, nem mesmo seu público.
Agora você está pronto para o próximo passo.

2. Cantarolar

Sim. Cantarolando, cantarolando... com uma única nota da sua música favorita... tudo dará certo.
Por quê?
Os estudos sobre como regulamos a frequência cardíaca mostraram que o zumbido pode estimular uma das partes mais importantes do corpo, uma sobre a qual quase nunca falamos: o nervo vago.
Desenho mostrando o nervo vago
Image captionO nervo vago é responsável por conectar o cérebro com os principais órgãos vitais e controlar os atos involuntários do organismo
O nervo vago (em latim, nervus vagu) é assim chamado porque emerge do cérebro e serpenteia pelo corpo como uma via expressa de comunicação, conectando o cérebro a órgãos como coração, pulmões e estômago, caixa de voz e ouvidos.
Um estudo de 2013 com cantores mostrou que a música — cantarolar ou repetir notas musicais — ajuda a manter o ritmo do coração.
Então, na próxima vez em que sentir que seu coração está acelerado, cante uma música ou simplesmente cantarole um nota musical e deixe que seus nervos vagos restaurem a calma.
O conselho final é...

3. Se concentre

Quando você está ocupado, é tentador fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
Mas se quiser continuar calmo e realmente cumprir sua tarefa, não se distraia.
Estudos mostram que o cérebro só pode fazer uma coisa de cada vez.
Desenho mostrando cabeça focada em uma bola
Image captionFoque somente em uma coisa de cada vez
Quando fazemos muitas coisas ao mesmo tempo, o cérebro tem de fazer mudanças muito rápidas, ele se sobrecarrega e enche o seu corpo com hormônios do estresse.
Ao trabalhar de forma que seu cérebro esteja fazendo uma coisa de cada vez, você pode rapidamente passar de uma sensação de pressão para a calma.
Portanto, divida sua tarefa em pequenas partes ou etapas, marque o que você deve fazer a seguir e esqueça as outras tarefas até que chegue a hora.
Isso se chama "processo de pensamento" e é usado por treinadores esportivos para ajudar os atletas a se concentrarem.
Fazer uma coisa de cada vez com toda a atenção mantém a mente "aqui e agora" e é um costume que vale a pena desenvolver.
Agora, sim. A próxima vez que sentir que uma situação está desgastante, pare, respire, cantarole e se concentre.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Governo Federal quer fábrica da Tesla no Brasil

Pelo site Engenharia É



OGoverno Federal quer convencer a Tesla a abrir uma fábrica de veículos elétricos no Brasil. Há um planejamento sendo discutido entre o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, e o deputado federal por Santa Catarina, Daniel Freitas, que está mediando a iniciativa.
A informação é do portal  NSC Total, que entrevistou Freitas. No entanto o deputado não confirmou o nome da Tesla e preferiu dizer que a empresa analisada pelo governo é uma das mais montadoras valiosas do mundo e que pode abrir uma fábrica na América do Sul até 2023.
Apesar de Freitas não ter confirmado a Tesla, a agenda de Pontes indica que, na quarta-feira, dia 12 de fevereiro, ele teve uma videoconferência com o parlamentar e o engenheiro sênior de produção da Tesla, Anderson Pacheco. A conversa também teve a presença do secretário de Desenvolvimento Econômico de Criciúma, Santa Catarina, Claiton Pacheco Galdino.
O objetivo da reunião seria criar uma aproximação entre Governo e a montadora Tesla para apresentar as vantagens da instalação da fábrica ao Brasil. Por agora, a ideia é visitar a companhia em uma comitiva brasileira para formalizar o interesse de trazer uma fábrica de veículos elétricos para o Brasil.
Ainda ao portal, o deputado afirmou que, além de uma abertura de mercado, o país ganharia com a criação de empregos e o investimento em energia limpa. O deputado é autor do projeto de lei 4825/2019, que propõe incentivos fiscais para a produção de carros elétricos no país.
O projeto estabelece uma isenção de IPI, que é o Imposto sobre Produtos Industrializados e de Imposto sobre Importação para carros elétricos. Ele também cria uma isenção de IPI até 2029 para a produção local dos carros elétricos e também híbridos, além de suas baterias.

Amazon inaugura supermercado de 3.170 m², automatizado e sem caixas

Pelo site Engenharia É



Imagem: AP
Já faz 2 anos que a gigante norte-americana Amazon abriu sua primeira loja de conveniência automatizada, sem caixas e claro, sem filas. Desde então, as lojas Amazon Go se expandiram para 24 locais pelos Estados Unidos. Por agora, a companhia está tentando tornar as suas lojas sem caixas algo grandioso, com o lançamento oficial do seu primeiro supermercado, batizado de Go Grocery.
Mas o que tudo indica, parece que o tamanho da loja não era o principal desafio da Amazon ao construir o seu primeiro supermercado sem caixas, mas o número e principalmente a variedade de itens que estão disponíveis aos clientes.Situado em Seattle, o espaço de 3.170 m² – com 2.350 m² dedicados ao espaço de compras, o novo supermercado Amazon Go torna pequeno todas as outras lojas sem caixas da companhia, seus tamanhos eram de 120 m² a 610 m².
Ao contrário das lojas típicas da Amazon Go que atuam como lojas de conveniência ou pequenas mercearias e contam principalmente itens pré-embalados como batatas fritas e bebidas engarrafadas, o supermercado Amazon Go precisa rastrear com precisão a compra de comidas que são mais difíceis de localizar, como produtos frescos, não importando com quantos limões, tomates ou demais frutas que o cliente pegue e inspecione antes de colocar no carrinho de compras.
Assim como outras lojas da Amazon, o supermercado Go usa o mecanismo para que as pessoas sejam rastreadas por uma série de câmeras e sensores instalados nos tetos das lojas para fazer a leitura do que elas pegam. Entretanto, foram feitos alguns ajustes que permitem que os clientes peguem os melhores produtos e devolvam outros -muitas vezes em lugares diferente daquele em que foi pego originalmente – sem colocar erroneamente algo no carrinho.
A Amazon afirma que seu supermercado Go contém 5.000 itens únicos, entre de grandes marcas, produtos orgânicos e outros alimentos básicos, muitos vindos da subsidiária Whole Foods.
O vice-presidente da Amazon, Dilip Kumar, disse que a empresa quer garantir que os clientes fossem recebidos por “produtos dispostos de forma [tradicional]”, mas há algumas diferenças importantes entre a variante sem caixas da Amazon e um supermercado tradicional.
O fato de o Go Grocery não ter nenhum serviço de preparação de alimentos no local como um açougue ou padaria, por exemplo, alimentos como peixe fresco, carne e de confeitaria são embalados individualmente e entregues no local a cada dois dias.
Imagem: AP
O principal objetivo do supermercado Go é levar a experiência de compras mais rápidas da Amazon para as compras do dia a dia. A Amazon ainda planeja coisas maiores. Kumar disse que no processo de fazer o supermercado Go, a Amazon “aprendeu muito” e que não há “nenhum limite superior. [A loja] poderá ser cinco vezes maior. Podia ser 10 vezes maior.”

Estudo sugere que a Terra poderia ter sido um lugar coberto 100% por um oceano

Pelo site Engenharia É


(Chris Meredith/Getty Images)
Quando era muito jovem, o planeta Terra parecia bastante diferente daquele que conhecemos e amamos hoje. Por um lado, tinha supercontinentes – quando as massas terrestres em que vivemos atualmente estavam dispostas em várias configurações, à medida que eram empurradas por movimentos tectônicos.
As evidências encontradas no registro geológico sugerem que, cerca de 3,2 bilhões de anos atrás, nosso mundo atual, atualmente com 4,5 bilhões de anos, estava coberto por um oceano global.Mas pode ter havido um período em que havia muito pouca ou nenhuma massa de terra, e a Terra era um mundo aquático encharcado, segundo uma nova pesquisa.
Se confirmada, essa descoberta pode ajudar a resolver questões sobre como a vida surgiu há cerca de 3,5 bilhões de anos atrás; em particular, se começou em lagoas de água doce em massas de terra ou em mares salgados. Se não havia corpos de terra seca para hospedar água doce, a questão é discutida.
“A história da vida na Terra rastreia os nichos disponíveis”, explicou o geobiólogo Boswell Wing, da Universidade do Colorado Boulder. “Se você tem um mundo aquático, um mundo coberto pelo oceano, nichos secos simplesmente não estarão disponíveis”.
A equipe de pesquisa estava realmente tentando medir a temperatura inicial da Terra, uma questão que há muito se mostra difícil de resolver. Não está claro se o planeta estava muito mais quente ou mais frio (ou próximo das mesmas temperaturas de hoje) quando a vida estava surgindo.
Mas a proporção de dois isótopos de oxigênio – variações naturais do elemento – pode ser ligada à temperatura dos oceanos antigos por causa de seus diferentes pesos moleculares. A água em temperatura mais baixa contém uma quantidade maior de oxigênio-16 em comparação com o oxigênio-18 e vice-versa.
Ainda não há muita água do mar com 3,2 bilhões de anos para analisar. Mas há rochas daquela época que costumavam estar no chão daqueles oceanos antigos, como o Panorama District, na região de Pilbara, na Austrália Ocidental. Essas rochas mantêm a história química dos oceanos – incluindo um sistema primorosamente preservado de fontes hidrotermais.
Mas mesmo depois que os pesquisadores reconstruíram um perfil de temperatura da região 3,2 bilhões de anos atrás, havia apenas um pouco mais de oxigênio-18 do que eles esperariam – 3,3%. Isso é cerca de 4% a mais em comparação com a quantidade no oceano relativamente livre de gelo de hoje e muito maior do que as estimativas anteriores.
Um artigo de 2012 encontrou similarmente um enriquecimento de oxigênio-18 ligeiramente acima do esperado nos oceanos há 3,8 bilhões de anos – 0,8 a 3,8%.
Essas são apenas pequenas diferenças, mas também são muito sensíveis à massa terrestre. O solo em grandes áreas da terra – do tamanho de continentes – absorve desproporcionalmente isótopos mais pesados, como o oxigênio-18, da água.
De acordo com a modelagem, os pesquisadores descobriram agora que as proporções em suas amostras de rochas podem ser atribuídas à falta de continentes. Isso não significa que o planeta estivesse necessariamente totalmente úmido, como Encélado ou Europa estariam se estivessem mais perto do Sol; mas poderia ter sido muito, muito mais úmido do que a Terra agora.
“Não há nada no que fizemos que diga que você não pode ter pequenos continentes saindo dos oceanos”, disse Wing. “Nós simplesmente não pensamos que houvesse formação em escala global de solos continentais, como temos hoje”.
É claro que isso levanta a questão: quando exatamente os continentes emergiram, empurrados para fora do oceano por placas tectônicas que se misturavam? Esse é o próximo passo da pesquisa. A equipe planeja pesquisar formações rochosas mais jovens para tentar juntar essa linha do tempo.
A pesquisa foi publicada na revista Nature Geoscience.

Descoberta de biomateriais permite a impressão em 3D de estruturas vasculares semelhantes a tecidos

Pelo site Engenharia É


Uma equipe internacional de cientistas descobriu um novo material que pode ser impresso em 3D para criar estruturas vasculares semelhantes a tecidos.
O professor Mata disse: “Este trabalho oferece oportunidades em biofabricação, permitindo a bioprinting 3D de cima para baixo e a auto-montagem de baixo para cima de componentes sintéticos e biológicos de maneira ordenada a partir da nanoescala. Aqui, estamos capilares de micro-escala em biofabricação – com estruturas fluidas compatíveis com as células, exibindo propriedades fisiologicamente relevantes e com capacidade de suportar o fluxo, o que pode permitir a recriação de vasculatura em laboratório e ter implicações no desenvolvimento de medicamentos mais seguros e eficientes, o que significa que os tratamentos podem potencialmente alcance os pacientes muito mais rapidamente”.Em um novo estudo publicado na Nature Communications, liderado pelo professor Alvaro Mata da Universidade de Nottingham e da Universidade Queen Mary de Londres, os pesquisadores desenvolveram uma maneira de imprimir óxido de grafeno em 3D com uma proteína que pode se organizar em estruturas tubulares que replicam algumas propriedades do tecido vascular.
Material com propriedades notáveis
A auto-montagem é o processo pelo qual vários componentes podem se organizar em estruturas maiores e bem definidas. Os sistemas biológicos contam com esse processo para montar blocos moleculares controláveis em materiais complexos e funcionais, exibindo propriedades notáveis, como a capacidade de crescer, replicar e executar funções robustas.
O novo biomaterial é produzido pela auto-montagem de uma proteína com óxido de grafeno. O mecanismo de montagem permite que as regiões flexíveis (desordenadas) da proteína ordenem e se ajustem ao óxido de grafeno, gerando uma forte interação entre elas. Controlando a maneira como os dois componentes são misturados, é possível orientar sua montagem em várias escalas de tamanho na presença de células e em estruturas robustas complexas.
O material pode então ser usado como um bioink de impressão 3D para imprimir estruturas com geometrias complexas e resoluções de até 10um. A equipe de pesquisa demonstrou a capacidade de construir estruturas do tipo vascular na presença de células e exibindo propriedades químicas e mecânicas biologicamente relevantes.
Seção transversal de uma estrutura tubular bioprimida com células endoteliais (verde) e embutida na parede. Crédito: Professor Alvaro Mata
A Dra. Yuanhao Wu é a principal pesquisadora do projeto, ela disse: “Existe um grande interesse em desenvolver materiais e processos de fabricação que imitem os da natureza. No entanto, a capacidade de criar materiais e dispositivos funcionais robustos através da auto-montagem introduz um novo método para integrar proteínas com óxido de grafeno por auto-montagem de uma maneira que possa ser facilmente integrada à fabricação de aditivos para fabricar facilmente dispositivos biofluidos que nos permitem replicar partes importantes dos tecidos humanos e órgãos no laboratório”.

Elon Musk quer construir trem que fará viagem Rio-São Paulo em apenas 25 minutos

Pelo site Engenharia É



Cápsula do Hyperloop, que viaja a mais de 1.000 km/h (Hyperloop Transportation Technologies/Divulgação)
Aempresa Hyperloop Transportation Technologies se prepara para lançar trens comerciais que podem chegar a 1000 km/h através de levitação magnética. A ideia é baseada nos conceitos desenvolvidos por Elon Musk, CEO da Tesla. A empresa já iniciou projetos por países nos Emirados Árabes Unidos e o Brasil não ficou de fora.
A intenção é construir uma linha que permitiria ir de São Paulo ao Rio de Janeiro em apenas 25 minutos. Para comparação, uma viagem de avião entre as cidades leva 50 minutos.
“O Brasil deve figurar na segunda leva de investimentos, prevista para daqui a cinco anos”, estimou o fundador e CEO da HyperloopTT, Dirk Ahlborn.
Rumores apontam que um centro de pesquisas pode ser instalado em São Paulo, mas Ahlborn afirmou que teve dificuldades na negociação com o governo do estado de São Paulo. Depois, a empresa está de olho em Curitiba como novo ponto para seu laboratório.
De acordo com o CEO da empresa, a falta de regras e regulamentações em relação a construção de trens movidos a levitação magnética, torna o país um sonho distante para a HyperloopTT. Entretanto, seu projeto nos Emirados Árabes Unidos está em curso. O trem vai ligar Abu Dhabi, Al-Ain e Dubai, uma distância de 150 km, em apenas 15 minutos.
O projeto tem custo de aproximadamente R$ 180 milhões por quilômetro, totalizando R$ 27 bilhões. As primeiras viagens devem acontecer ainda em 2020, com previsão de 2023 para o início das viagens ao público.
Em 2018, a empresa também anunciou um acordo com a cidade chinesa Tongran, mas não há mais notícias sobre isso.
Ainda de acordo com o CEO da empresa, é possível usar estruturas já existentes, como as próprias rodovias, para a construção do trem. Além disso, diz que “o ideal é que o sistema não seja enterrado, para aproveitar para uso de energia solar”.
A tecnologia utiliza tubos com baixa pressão atmosférica, com um sistema magnético substituindo os trilhos. Assim, ao invés de deslizar, as cápsulas com capacidade para 30 pessoas flutuam.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Como eram as primeiras criaturas a habitar a Terra

Pela BBC - Brasil


Marcas dos períodos identificadas pelos cientistas
A Namíbia é um dos únicos lugares que registra a transição entre os períodos Ediacarano e Cambriano

Quando a vida complexa surgiu na Terra antiga, não se parecia com nada que conhecemos hoje.
No extremo sudeste de Terra Nova, no Canadá, falésias acidentadas se elevam de maneira imponente sobre o mar. As rochas escarpadas são conhecidas como Mistaken Point (Ponto Errado, em tradução livre), uma homenagem aos muitos navios que encontraram seu fim prematuro no local depois que os marinheiros os confundiram com outros lugares.
Agora, os penhascos selvagens e irregulares são famosos por outro motivo. Eles estão no centro de um debate sobre um dos maiores mistérios da Terra — exatamente como e quando a vida complexa evoluiu pela primeira vez.
"Se você andar pelas rochas, encontrará superfícies cobertas literalmente por milhares de fósseis", diz Frankie Dunn, paleobiologista da Universidade de Oxford.
Os fósseis foram preservados há cerca de 570 milhões de anos durante o período Ediacarano, quando uma série de erupções vulcânicas cobriu o fundo do mar de cinzas, proporcionando um "instante" de vida na época.
"A maneira como eu descreveria isso é como andar por Pompeia, você pode ver os fantasmas das criaturas que moravam ali enterrados sob cinzas vulcânicas; é realmente uma experiência incrível ", diz Dunn.
Ilustração feita por cientistas representa período há mais de meio bilhão de anosDireito de imagem
Image captionA vida tornou-se mais difundida e complexa após a 'Explosão Cambriana', há cerca de 540 milhões de anos
Os fósseis ediacaranos anunciam um momento divisor de águas na história da Terra — nos quatro bilhões de anos anteriores, os oceanos haviam sido preservados por micróbios unicelulares, mas de repente estavam repletos de uma nova vida complexa. E que vida estranha era essa. As criaturas não se parecem com as vistas hoje.
Algumas, como os rangeomorfos, se assemelhavam a samambaias gigantes. Outros tinham uma aparência de arbusto ou repolho. Muitos pareciam sacos sem forma, ou travesseiros finos e acolchoados, enquanto outros tinham uma semelhança com enormes canetas marinhas.
"A maioria dos ediacaranos é de corpo molenga, como o de uma lula", diz Simon Darroch, paleontologista da Universidade Vanderbilt, no Tennessee. "A capacidade de formar conchas ou esqueletos não evoluiu até o final do período ediacarano."
As formas bizarras e os planos corporais confundem há muito tempo os cientistas, que lutam para colocar as criaturas na árvore da vida.
"Em vários pontos da história, dissemos que eles são tudo isso ou tudo aquilo", diz Darroch.

"Em um ponto, todos eles eram águas-vivas e, em outro, todos foram um reino esquecido e perdido da vida animal que foi extinto. Nos últimos 20 anos, ficou claro que eles provavelmente representavam toda uma variedade de organismos e fauna, alguns dos quais eram animais."
O que está claro é que os animais surgiram pelo menos 40 milhões de anos antes da "explosão Cambriana", período de 541 milhões de anos atrás, que viu o súbito aparecimento no registro fóssil de animais exibindo partes do corpo reconhecíveis, como barbatanas, pernas, conchas e esqueletos. A maioria dos ancestrais dos animais modernos pode ser rastreada até esse ponto.
No entanto, o maior mistério em torno dos ediacaranos foi o que aconteceu com eles. Em um ponto, eles devem ter prosperado: fósseis de rangeomorfos e outros foram descobertos em todo o mundo. Da Rússia à Austrália e da Namíbia à China. No entanto, eles desapareceram repentinamente do registro fóssil aproximadamente 30 milhões de anos após a sua chegada.

Ascensão dos cambrianos

A chave para descobrir o que aconteceu pode estar em uma coleção de fósseis conhecida como "Grupo Nama", no sul da Namíbia. Cerca de 560 milhões de anos atrás, a Terra estava descongelando na Era Glacial, e essa área foi inundada com água glacial, formando um mar raso. Você pode caminhar centenas de quilômetros em qualquer direção e ver registros dos animais que ali viviam, dispostos na superfície das rochas.
A região é notável por ser um dos únicos lugares que registram a transição entre os períodos Ediacarano e Cambriano — um dos tempos mais biologicamente turbulentos da história da Terra.
Em 2013, Darroch encontrou vastos campos que pareciam tocas feitas no sedimento de Nama — sinais de que esses animais mais jovens estavam se alimentando e agitando o fundo do mar.
"A maioria dos ediacaranos eram animais bastante simples — eles não se moviam ou faziam muito, e tendiam a viver perto de sua fonte de alimento — como tapetes microbianos pegajosos encontrados no fundo do mar", diz Darroch.
Pesquisadora em campo de estudos na NamíbiaDireito de imagem
Image captionA paisagem da Namíbia oferece pistas de como era o meio ambiente há mais de 560 milhões de anos
"No entanto, na Namíbia, a partir de 540 milhões de anos atrás, há um aumento constante na intensidade e diversidade de diferentes comportamentos de escavação, sugerindo que os animais eram mais móveis e se tornavam mais espertos na maneira como procuravam comida."
Darroch argumenta que a chegada desses animais mais modernos, do estilo cambriano, pode ter mudado o ambiente de uma maneira que os ediacaranos simplesmente não gostaram, por exemplo, agitando sedimentos e perturbando tapetes microbianos, dificultando a alimentação dos ediacaranos.
Algumas das tocas do sedimento também se pareciam exatamente com as criadas pelas anêmonas do mar — um animal predador. Se predadores estivessem presentes, aquele certamente seria o ponto de morte para os ediacaranos, que seriam incapazes de escapar.
No entanto, outros cientistas são céticos sobre essa teoria.
"Essas formas coexistiram pacificamente por milhões de anos, e há evidências que sugerem que elas estavam vivendo em diferentes partes do mar, então eles podem não ter necessariamente interagido ecologicamente entre si", diz Rachel Wood, professora de Geociência Carbonática na Universidade de Edimburgo.

Evento catastrófico

Uma ideia alternativa que ganha maior adesão entre os cientistas é que uma queda nos níveis de oxigênio do oceano poderia ter causado a primeira extinção em massa da vida na Terra, comparável ao impacto de asteroides que arrasou os dinossauros.
Os geólogos são capazes de descobrir como eram os níveis de oxigênio no oceano milhões de anos atrás, medindo as quantidades relativas de diferentes tipos de urânio encontrados nas rochas sedimentares formadas na época. As rochas absorvem uma forma mais pesada de urânio quando cercadas por águas com pouco oxigênio, e uma forma mais leve quando os níveis de oxigênio estão altos.
Usando esse método, cientistas mostraram que os níveis de oxigênio no oceano flutuavam muito durante o período Ediacarano, com os níveis subindo pouco antes do aparecimento dos primeiros animais e diminuindo pouco antes do seu desaparecimento.
Pesquisadores em área de pesquisa na SibériaDireito de imagem
Image captionA Sibéria é outra região onde pesquisas meticulosas podem revelar cápsulas do tempo de um passado distante
Um estudo calculou que a porcentagem do fundo do oceano coberta por água com baixo oxigênio (anóxica) poderia ter subido para mais de 60% ou 70%. Em comparação, o valor dos oceanos modernos é de cerca de 0,1%.
"Temos evidências quantitativas de uma expansão global da anoxia no oceano, que está intimamente relacionada em termos de tempo ao desaparecimento dos animais ediacaranos", diz Xiao Shuhai, paleobiólogo e geobiólogo da Virginia Tech University, que participou desse estudo.
Como as águas pobres em oxigênio corriam sobre os mares rasos onde a primeira vida animal estava prosperando, algumas espécies teriam mais condições de lidar com as novas condições do que outras.
"Muitos animais ediacaranos eram sésseis, o que significa que não se mexiam", diz Shuhai. "Assim, se houvesse uma rápida mudança ambiental, eles não teriam sido capazes de se adaptar e, portanto, seriam mais suscetíveis à extinção."
"Se você é móvel, como muitos animais do estilo cambriano, tem uma chance maior de sobreviver, se mudar para um oásis de oxigênio, como pequenos bolsões de oxigênio ou refúgios de oxigênio em águas rasas."
O que quer que estivesse por trás de sua queda, o fim dos ediacaranos poderia realmente ter aberto o caminho para a explosão Cambriana da vida animal que se seguiu.
"Se você observar qualquer período de tempo geológico, verá frequentemente esses eventos de reviravolta, nos quais taxas elevadas de extinção são seguidas por taxas elevadas de especiação — parece que é assim que a vida progride", diz Rachel Wood.
"Uma vez que as coisas evoluam para um nicho, você precisa usar muita energia para se livrar delas; portanto, se algo aparecer e remover essas formas, significa que outras coisas poderão evoluir para ocupar esses nichos novamente."

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Instalação de painéis solares em Curitiba recebe destaque internacional

Pelo site Engenharia É


Oprograma de energia limpa e renovável de Curitiba, o Curitiba Mais Energia, ganhou destaque como estudo de caso de sustentabilidade. As informações são relativas aos projetos de implantação de energia solar em telhados públicos, que recebem suporte do C40 Cities Finance Facility.
Os dados estão na Urban Sustainability Exchange, iniciativa da rede Metropolis e da cidade de Berlin, na Alemanha.
“Curitiba serve de exemplo para cidades do Brasil e América Latina quando o assunto é implantar energia limpa e barata enquanto reduz a dependência do consumo da rede elétrica tradicional”, destaca a publicação.
O projeto selecionado pelo C40 entre os de outras 120 cidades do mundo, recebe recursos na ordem de US$ 1 milhão para estruturação. Para agora, o suporte é para a implantação de usinas fotovoltaicas no bairro Caximba, no antigo aterro sanitário, na Rodoviária de Curitiba e nos terminais de ônibus do Pinheirinho, Santa Cândida e também Boqueirão.
“Quero mostrar ao Brasil e ao mundo que é possível, sim, viver do sol e que Curitiba tem uma condição peculiar para isso”, afirmou o prefeito Rafael Greca, em reunião com o diretor de Projetos da Cities Finance Facility, Günther Wehenpohl.
O encontro aconteceu após visitas técnicas da equipe envolvida no projeto – pela Prefeitura e também pelo C40. Na avaliação de Wehenpohl, os projetos de Curitiba são viáveis.
O programa Curitiba Mais Energia também abrange a usina de geração fotovoltaica no Palácio 29 de Março, em operação desde o dia 5 de junho de 2019, financiada com recursos do Programa de Eficiência Energética da Copel, fiscalizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel.
Ainda faz parte do programa a Central Geradora Hidrelétrica no Parque Barigui, doação da Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas, a Abrapch, que por sua vez já se encontra em pleno funcionamento.
Participam do desenvolvimento do projeto o Ippuc, a Urbs, a Secretaria Municipal de Finanças, a Secretaria de Planejamento e Administração e a Procuradoria Geral do Município.

Portugal vai ter o maior parque eólico flutuante do mundo

Pelo site Engenharia é


Aprimeira central de energia eólica flutuante à escala mundial será construída em Portugal e vai nascer no mar, a 20 km da costa de Viana do Castelo, em 2019, com um financiamento de 60 milhões do Banco Europeu de Investimento.

No total, a segunda fase do projeto – que entrará agora na sua fase pré-comercial denominada Windfloat Atlantic – terá a duração de três anos e um investimento total de 125 milhões de euros, anunciou ontem o presidente da EDP, António Mexia..As empresas responsáveis pelo projeto são Windplus, uma empresa subsidiária da EDP Renováveis, Repsol e Principle Power.
“Este projeto é pioneiro e inovador a nível mundial no que diz respeito a energia renovável offshore”, disse Mexia, avançando com previsões de custos de 65 euros por MWh para a construção desta central (cerca de um terço do valor face aos mais de 200 euros por MWh que se registavam em 2010).
Também há um futuro de exportação desta “nova geração de energia eólica” para países como “o Japão e outros que precisam de energias renováveis mas que não têm espaço em terra e apostam no eólico offshore e nestas tecnologias inovadoras, nas quais Portugal consegue provar que está na linha da frente”.
“Este projeto vai tornar esta tecnologia competitiva. Que ela funciona e que resiste a tudo, até ao mar Atlântico português, já está demonstrado.
Agora o objetivo principal é de baixar os custos. Há muitos locais do mundo onde não é possível desenvolver o eólico onshore, o solar também não, por questões de espaço. O offshore flutuante é uma alternativa.
Se conseguirmos baixar os custos teremos outros países a lançar grandes concursos de eólicas flutuantes. Este projeto é um trampolim para o futuro”.

Carro elétrico compacto da Citroën custa apenas R$ 100 por mês; vendido pela Internet e entregue em casa [vídeo]

Pelo site Engenharia é


Com o objetivo de oferecer “mobilidade 100% elétrica para todos”, a Citroën está lançando na Europa o Ami, um veículo elétrico urbano compacto e de baixíssimo custo, que pode ser dirigido por qualquer pessoa acima de 14 anos – pelo menos na França – mesmo sem carteira de motorista.

De acordo com a Citroën, a recarga completa da bateria pode ser feita em até três horas em qualquer tomada de 220 volts, sem necessidade de um carregador adaptativo. O interior do veículo é fechado e aquecido, e ainda de acordo com a fabricante “muito iluminado e confortável”.O Ami é possui 2 lugares, com 2,4 metros de comprimento, equipado com uma bateria de 5,5 kWh. Sua autonomia fica na casa dos 70 km com uma carga e viaja a até 45 km/h. Para os fãs de velocidade, este carro não é pra você, mas sim para pequenos deslocamentos dentro das cidades, por exemplo. Isto é, para ir e vir do trabalho, da universidade, do shopping, dentre outros lugares.
A aparência, por sua vez, pode ser customizada com pacotes de acessórios para mudar a cor do carro.
Entretanto o principal destaque do Ami é o preço: no pais europeu será possível adquirir um por apenas 19,99 Euros mensais – cerca de R$98 -, mediante o pagamento de uma entrada de 2.644 Euros – cerca de R$ 13 mil. O governo francês oferece uma dedução de 900 Euros – cerca de R$4.400 – pelo fato de ser elétrico, o que leva o total a 1.744 Euros ou R$8.600 . O veículo também estará disponível para locação, com preço de 0,26 Euro – cerca de R$1,30 –  o minuto, através da locadora Free2Move.
O Citroën Ami poderá ser comprado pela internet e entregue na casa do comprador. Também estará disponível em lojas como a Fnac e Darty. A montadora começará a aceitar pedidos a partir 30 de março, com previsão de entrega das primeiras unidades na França em junho deste ano.
https://youtu.be/74VfCw1FE2s